Se estás a pensar em mudar de carreira aos 30, aos 40 ou até aos 50, este guia foi feito para ti. Aqui vais ver os três medos que travam quase toda a gente nesta fase, a pergunta que tens de fazer a ti próprio antes de escolher uma área nova e os 4 filtros que eu usaria para mudar com menos risco.
Já ajudei centenas, para não dizer milhares, de pessoas a mudar de carreira, e eu próprio passei por isso: fui professor de ténis antes de trabalhar no digital. Sei que mexe contigo, e é normal sentires-te baralhado. Talvez queiras ganhar mais, ter mais controlo sobre a tua vida, ou simplesmente perceber se ainda vais a tempo.
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Ainda vale a pena mudar de carreira aos 30?
Vale, e a conta é simples. Se começaste a trabalhar aos 20 e tens 30, trabalhaste 10 anos e ainda tens cerca de 30 pela frente. Aos 40 restam-te 20, aos 50 ainda tens 10 ou mais. A pergunta certa é esta: consegues imaginar-te mais 30 anos na área em que estás hoje?
Se a resposta te deixou desconfortável, repara numa coisa boa: já sabes o que não queres. Isso vale tanto como saber o que queres. Tens metade do caminho feito.
Os 3 medos de quem pensa mudar de carreira
Quando a ideia de mudar aparece, aparecem também alguns pensamentos. Estes são os três que mais oiço.
1. “Vou deitar fora tudo o que estudei”
É a sensação da fila do supermercado: estás ali há meia hora e não mudas de fila porque “já investiste” esse tempo, mesmo quando a fila ao lado anda mais depressa.
Os psicólogos Daniel Kahneman e Amos Tversky mostraram, na Teoria da Perspetiva (1979), que o medo de perder pesa mais nas nossas decisões do que a vontade de ganhar. Por isso agarramo-nos ao que é seguro, mesmo quando já não nos serve.
Só que a tua carreira não foi desperdiçada. Tudo o que aprendeste pode ir contigo. Leonardo da Vinci era um polímata: juntava o que sabia de anatomia ao que sabia de pintura para criar coisas que ninguém tinha feito.
Vejo isto todos os dias com os meus alunos:
- Enfermeiros que hoje fazem gestão de tráfego levam a capacidade de atender e falar bem com as pessoas.
- Professores usam a didática para explicar o trabalho aos clientes e vender os serviços.
- Quem trabalhou em vendas, de porta a porta ou imobiliário, usa isso para vender o seu serviço digital.
- Engenheiros e programadores usam o pensamento analítico para ler os dados das campanhas.
O Hugo foi professor de História durante 20 anos antes de mudar para o digital. Uma aluna nossa era vendedora de carros e levou essa experiência para a nova profissão. Nenhum dos dois começou do zero.
2. “Os outros vão achar que falhei”
Mudar depois de perceberes o que não funciona é uma decisão consciente.
Hoje é bem mais normal mudar de área do que há 20 anos. Antigamente aprendias um ofício e ficavas nele a vida toda. Hoje uma área pode deixar de fazer sentido em 5 ou 10 anos, outras crescem, e mudar de rumo tornou-se comum.
3. “Tenho contas para pagar”
É o medo mais legítimo. A boa notícia é que hoje várias profissões permitem começar a part-time, mantendo o emprego e o salário enquanto aprendes. A gestão de tráfego é uma delas, e há outras no digital.
Mas há uma regra que não dá para contornar: para mudar, alguém tem de pagar a fatura. Ou é um sacrifício financeiro, se largas o emprego, ou é um sacrifício de tempo, se usas as noites e os fins de semana para aprender. Sem nenhum dos dois, a mudança não acontece.
Antes de escolheres a área: o que te incomoda hoje?
Antes de olhares para profissões novas, escreve as três coisas que mais te incomodam no trabalho atual. Costumam cair nestas categorias:
- Dinheiro: queres ganhar mais, e de preferência numa área onde o teu rendimento dependa de ti.
- Pressão: raramente vem só das horas. Vem das pessoas com quem lidas, do trânsito, da deslocação, de um chefe.
- Sentido: há quem aceite ganhar o mesmo, desde que sinta que o trabalho tem mais significado.
Esta lista é o teu teste. Qualquer área nova que consideres tem de resolver pelo menos essas três coisas.
Os 4 filtros para mudar de carreira aos 30 com menos risco
Quando alguém me pede conselho sobre mudar de área, estes são os quatro filtros que eu passaria a qualquer opção.
1. Tempo até poderes trabalhar
Quanto tempo de estudo precisas até começares a ganhar dinheiro na área nova? Meses ou anos?
Se queres ser nutricionista, por exemplo, precisas de uma licenciatura, talvez de uma especialização e ainda de aprender a vender os teus serviços. São 4 ou 5 anos. Aguentas manter o emprego atual e estudar ao mesmo tempo durante 5 anos? Acontece muita coisa em 5 anos, e o esforço que consegues fazer hoje pode não durar tanto.
2. Investimento que consegues manter
Quanto custa aprender a área nova? Soma o curso, o software, as deslocações e os materiais.
Um exemplo: ganhas 1 300 € por mês, as despesas levam 1 000 € e a formação custa 300 € por mês. Estás no limite. Ao primeiro imprevisto, deixas de conseguir pagar. É isto que vejo acontecer com muita gente que começa uma licenciatura e desiste no segundo ano. Antes de começar, garante que tens alguma almofada financeira.
3. Encaixe na tua vida real
Há áreas rápidas de aprender e que cabem no teu orçamento, mas exigem 4 ou 5 horas de estudo por dia. Qualquer pessoa aguenta esse ritmo uma ou duas semanas. Aguentas durante três anos?
Olha para o teu dia: sono, trabalho, família e relações, tempo livre. A formação tem de caber no tempo livre de forma sustentável, ou não vai durar.
4. Risco de a área ficar desatualizada
Quando terminares a formação, o que aprendeste ainda vai ser útil? Quanto mais tempo demora a formação, maior o risco de chegares ao fim já atrasado.
Isto acontece em muitos cursos tradicionais, em que o plano de estudos leva anos a mudar. Também não caias na paranoia de querer algo 100% atualizado, porque isso não existe. O problema é chegares ao fim e precisares de mais um ano de formação para conseguires trabalhar.
Resumindo: a área que sobrevive aos quatro filtros é aquela para a qual tens tempo, que consegues pagar, que encaixa na tua vida e que ainda vai ser útil quando acabares de aprender.
E se for mudar de carreira aos 40 ou aos 50?
Os filtros são os mesmos, mas pesam mais. Com menos anos de trabalho pela frente, o tempo até poderes trabalhar na área nova passa a ser o critério mais importante, e formações de vários anos tornam-se difíceis de justificar. Em compensação, tens mais experiência para transferir e, normalmente, mais maturidade para escolher bem. Aos 50 ainda tens 10 ou mais anos de carreira, e é muito tempo para passar numa área que te está a dar cabo da saúde.
Por onde começar
- Escreve as três coisas que te incomodam no trabalho atual.
- Lista 2 ou 3 áreas possíveis e passa-as pelos 4 filtros.
- Procura formação que caiba na tua vida. O IEFP tem cursos gratuitos para quem quer requalificar-se, e há profissões digitais, como a gestão de tráfego, em que dá para começar a trabalhar em poucas semanas e a part-time. Se nunca aprendeste nada de novo em adulto, lê como aprender mais rápido qualquer coisa.
- Começa, mesmo que devagar. É lento e sem garantias, mas talvez aguentes mais um ou dois meses onde estás. Mais 20 anos já é outra conversa.
Se me pedisses um conselho de amigo: se estás insatisfeito, se isto te está a dar cabo da saúde e olhas para a frente sem ver futuro, considera mudar. Tens muitos anos de trabalho pela frente, e as competências que já tens vêm contigo.
Se estás a pensar numa profissão digital, tenho um mini-curso gratuito onde te mostro como funciona a profissão de gestor de tráfego. Acede aqui ao mini-curso gratuito. Mas não precisa de ser esta: usa os 4 filtros em qualquer área que estejas a considerar.
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Perguntas frequentes
É tarde para mudar de carreira aos 30?
Não. Aos 30 ainda tens cerca de 30 anos de trabalho pela frente, e as competências que ganhaste até aqui podem ser transferidas para a área nova.
Como mudar de carreira aos 30 sem largar o emprego?
Escolhe uma área que dê para aprender e começar a part-time. Mantens o salário enquanto aprendes, em troca de usares parte do teu tempo livre.
Como escolher a nova área?
Passa cada opção por 4 filtros: quanto tempo demora até poderes trabalhar, quanto custa e se consegues pagar, se encaixa no teu dia a dia e se ainda vai ser útil quando terminares.
E aos 40 ou aos 50, ainda dá?
Dá. Os critérios são os mesmos, mas o tempo até começares a trabalhar na área nova pesa mais, por isso privilegia formações curtas.
