Na gestão de redes sociais, preço é a primeira dúvida de quem começa. Para Portugal, a resposta curta é esta: um freelancer a começar deve cobrar pelo menos 150 € por mês por cliente, e 300 € é um valor justo. Com experiência e bons casos, dá para ir aos 500 € ou mais. As agências cobram muitas vezes a partir de 1 000 €. Neste artigo mostro-te uma tabela de preços, o raciocínio por trás de cada valor e os números reais de alunas que vivem disto.
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A minha primeira profissão online foi precisamente esta. Em 2012 comecei a gerir páginas de Facebook para clientes e só depois passei para os anúncios. Por isso, o que aqui escrevo vem de quem já cobrou por este trabalho e de quem hoje acompanha alunos que o fazem.
Gestão de redes sociais: preços em Portugal (tabela)
Os preços dão para todos os gostos. Há freelancers a cobrar 50 € e há agências que não aceitam clientes abaixo dos 1 000 €. Para teres uma referência, juntei os valores que recomendo aos meus alunos com os que o mercado português publica.
| Quem faz a gestão | Preço por mês, por cliente | Fonte |
|---|---|---|
| Freelancer a começar | 150 € a 300 € | recomendação minha |
| Freelancer com experiência e casos | 300 € a 500 € ou mais | recomendação minha |
| Primeira avença de redes sociais, em 2017 | 250 € | Isabel, no LLCast |
| Gestora com 2 anos de carreira (avença mais alta) | 900 € | Mariana, no LLCast |
| Média nacional | cerca de 250 € | Zaask |
| Agência, plano básico (1 a 2 redes, 8 a 12 publicações) | 300 € a 600 € | Borange |
| Agência, plano intermédio (2 a 3 redes, 15 a 20 publicações e stories) | 600 € a 1 200 € | Borange |
| Agência, plano completo (todas as redes, vídeo e anúncios) | 1 200 € a 2 500 € ou mais | Borange |
Repara que a média ronda os 250 €. Fica perto do valor que recomendo a quem começa, e bem longe do que cobra uma agência.
Quanto cobrar quando estás a começar
O mínimo que recomendo são 150 € por cliente. Abaixo disso precisas de muitos clientes para teres um rendimento interessante, e com a carteira cheia não consegues dar a cada um a atenção de que precisa.
Faz a conta. Com 10 clientes a 150 €, faturas 1 500 € por mês. Já dá bastante trabalho, mas para quem está a começar é um rendimento que muda a vida de muita gente em Portugal. Se preferires começar nos 300 €, também não há problema nenhum: precisas de metade dos clientes.
Aprendi outra coisa ao longo dos anos e ainda hoje me parece estranho: quanto menos o cliente paga, mais trabalho dá. Parece lógico que o cliente de 1 000 € dê dez vezes mais trabalho do que o de 100 €. Na prática, costuma ser ao contrário. Quem paga pouco conta cada cêntimo, fica ansioso com resultados e pede alterações atrás de alterações.
Os casos reais confirmam o intervalo. A Mariana (vê a entrevista com a Mariana no LLCast), fechou o primeiro cliente por 125 € e o marido, o Nuno, fechou o dele por 150 €, ambos com contratos de 3 meses. O conselho dela para quem começa é o mesmo: começar em valores mais baixos, perto dos 200 €, ganhar confiança na edição e no design, e subir cerca de 100 € a cada novo cliente.
A Isabel, que hoje tem uma agência com cerca de 30 clientes (a entrevista com a Isabel no LLCast), pediu 250 € ao primeiro cliente de redes sociais, em 2017, sem saber se era muito ou pouco. Foi a primeira avença dela. A Sofia, que era assistente numa clínica, fez o primeiro mês de graça para ganhar o cliente e só depois começou a cobrar.
Cobrar demasiado pouco também é um erro comum. A Alexandra, outra aluna (a entrevista com a Alexandra no LLCast), fechou o primeiro cliente por 35 € por três conteúdos semanais. Mais tarde percebeu que o problema estava na forma como se via a si própria.
Quanto tempo leva cada cliente
Para saberes se o teu preço compensa, precisas de saber quantas horas lhe vais dedicar. A Isabel, aluna que também faz gestão de redes sociais, calcula duas a três horas por semana por cliente, muitas vezes numa manhã para preparar os posts da semana inteira. Quando eu fazia este trabalho, era parecido: pegava num cliente e em cerca de duas horas deixava a semana resolvida.
Isto dá perto de 10 horas por mês por cliente. A 150 €, ganhas uns 15 € por hora. A 300 €, uns 30 € por hora. Clientes com negócios mais dinâmicos, que pedem stories todos os dias e não só publicações no feed, levam mais tempo, e o preço tem de acompanhar.
Cobrar por post ou por mês?
Cobra por mês. A avença mensal inclui tudo o que uma boa gestão exige: pesquisar o nicho, planear e criar o conteúdo, publicar, analisar os resultados e perceber como aquele negócio vende online.
Quando cobras por post, o cliente vê só a peça final e compara-te com quem faz posts ao quilo. O trabalho estratégico, que é o que traz resultados, fica sem preço. Um contrato mínimo de 3 meses, como fizeram a Mariana e o Nuno, dá tempo para o conteúdo começar a dar frutos antes de o cliente avaliar.
O que faz o preço subir
- Experiência e casos. Com marcas melhores no portefólio e resultados para mostrar, os 300, 400 ou 500 € tornam-se fáceis de justificar.
- Confiança. Durante mais de um ano, a Mariana cobrou entre 200 € e 300 €. O que mudou foi a segurança com que falava com os clientes. Hoje fatura mais de 6 000 € por mês com 14 clientes.
- Nicho. Há mercados que pagam melhor, como a saúde ou a estética. Escrevi sobre isso no artigo das áreas mais bem pagas para o gestor de tráfego, e a lógica é a mesma nas redes sociais.
- Volume e formato. Mais redes, mais publicações, vídeo e stories diários justificam um plano mais caro.
- Clientes com verba. Negócios com orçamento para marketing pagam melhor e dão menos dores de cabeça.
Clientes que deves evitar
O cliente que quer garantias de resultados no contrato é o primeiro da lista. A Mariana diz-o sem rodeios: foge desses clientes, porque normalmente não percebem o que é o trabalho e, ao fim de três meses, vão cobrar-te resultados que nunca prometeste.
O segundo é o cliente que acha que com muito pouco se faz muito. Se a conversa começa por regatear 20 €, é provável que continue assim durante todo o contrato.
Quanto ganha um gestor de redes sociais em Portugal
Depende do número de clientes e do preço de cada um. Não existe salário fixo quando trabalhas como freelancer. Alguns exemplos reais:
- Mariana: era ortoprotésica e ganhava cerca de 1 000 € por mês. Quatro meses depois de começar já faturava mais do que no emprego. Hoje tem 14 clientes e fatura mais de 6 000 € por mês só com gestão de redes sociais.
- Alexandra: trabalhava por salário mínimo a coordenar estafetas. Hoje trabalha a tempo inteiro com gestão de redes sociais e tráfego no nicho do fitness e fatura cerca de 3 000 € por mês.
- Sofia: era assistente numa clínica. Hoje fatura cerca de 2 500 € por mês em avenças, a juntar gestão de redes sociais, criação de conteúdo e anúncios. A quem não quer tudo, vende pacotes só de conteúdo.
- Isabel: começou com aquele cliente de 250 € quando precisava de um extra ao mudar do Porto para Lisboa. Hoje lidera uma agência com cerca de 30 clientes e mantém o emprego a tempo inteiro.
- A conta de quem começa: com 8 clientes a 300 €, chegas aos 2 400 € por mês.
Se quiseres perceber melhor a profissão, tenho um guia completo sobre o gestor de redes sociais em Portugal.
Juntar anúncios ao serviço para cobrar mais
A forma mais simples de aumentar o valor por cliente é juntar anúncios pagos à gestão de redes sociais. O gestor de redes sociais trabalha o alcance orgânico: cria o conteúdo e acompanha a comunidade. O gestor de tráfego trabalha com anúncios pagos no Facebook, no Instagram, no Google ou no YouTube, para que esse conteúdo chegue a mais pessoas.
Muitos negócios precisam das duas coisas. Na minha experiência, é bem mais fácil para um gestor de redes sociais aprender anúncios do que para um gestor de tráfego começar a criar conteúdo. Com as duas competências, podes ter um preço só para o conteúdo e outro para conteúdo com anúncios. A Alexandra trabalha com as duas, e o Nuno faz tráfego em part-time, ao lado do emprego.
A Carolina seguiu o caminho inverso. O primeiro cliente dela era só de anúncios. Depois juntou a gestão de redes sociais, e os cinco clientes seguintes já tinham as duas coisas. Ela resume bem a lógica do preço: quanto mais barato cobras, mais clientes vais precisar de ter. Há também quem faça ao contrário: a Susana só faz tráfego e, quando um cliente quer redes sociais, subcontrata esse serviço e cobra mais ao cliente.
Perguntas frequentes
Qual é o preço médio da gestão de redes sociais em Portugal?
Ronda os 250 € por mês, segundo a Zaask. Um freelancer a começar deve cobrar entre 150 € e 300 € por cliente. Os planos das agências costumam começar nos 300 € e passam facilmente dos 1 000 €.
Onde encontro uma tabela de preços de gestão de redes sociais?
A tabela no início deste artigo junta os valores que recomendo aos meus alunos com os preços publicados pela Zaask e pela Borange. Usa-a como referência e ajusta ao número de redes, publicações e formatos que o cliente pede.
Preciso de computador para fazer gestão de redes sociais?
Dá para começar e estudar pelo telemóvel. Para um trabalho profissional precisas de computador, mas não precisa de ser caro: com ferramentas como o Canva e o CapCut, um computador simples chega.
Preciso de uma faculdade para ser gestor de redes sociais?
Não. Um curso de comunicação, marketing ou design ajuda, mas não é obrigatório. O que mais conta é gostares de redes sociais, saberes o básico de edição, seres organizado e proativo com os clientes.
