Se estás à procura de como criar site com IA, este guia foi feito para ti. Aqui vais ver as ferramentas que fazem o trabalho, o passo a passo completo desde a ideia até ao site publicado, aquilo que a inteligência artificial continua a fazer mal e, se te interessar, como transformar isto num serviço que podes cobrar a negócios portugueses.

Vou ser direto contigo sobre uma coisa logo no início. Gerar um site com IA demora minutos e qualquer pessoa consegue. O que demora é tudo o resto: perceber para que serve aquela página, meter lá dentro o que interessa e garantir que quem lá chega faz alguma coisa. É aí que está o valor, e é isso que este artigo te vai mostrar.

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Dá mesmo para criar um site com IA?

Dá, e o resultado já é publicável. Descreves o negócio, a ferramenta gera a estrutura, os textos e as imagens, e em poucos minutos tens um site no ar. O que a IA entrega é um ponto de partida decente, nunca um produto final. A diferença entre um site que fica bonito e um site que traz clientes continua a ser feita por ti.

As ferramentas para criar sites com IA

Há dezenas e aparecem mais todas as semanas, o que torna qualquer lista de nomes inútil daqui a seis meses. O que não muda são as quatro famílias em que elas se dividem, e a pergunta que separa uma família da outra: quando acabares, o site é teu ou é da plataforma? Guarda esta pergunta, porque volta mais à frente e é a que te vai custar ou poupar dinheiro durante anos.

Construtores com IA integrada. O Wix, a Hostinger e o Webnode funcionam todos da mesma maneira: respondes a algumas perguntas sobre o negócio e eles montam o site inteiro. São a opção mais simples e a que menos problemas dá a quem nunca fez isto. Tens editor visual, alojamento e domínio no mesmo sítio, e podes mexer em tudo depois sem tocar em código.

Ferramentas de design com IA. O Canva e o Framer partem do desenho e não da estrutura. Servem bem quando queres um site com mais personalidade visual, tipo portefólio ou página de um serviço, e quando já tens alguma sensibilidade para composição.

Geradores por conversa. O Lovable e ferramentas parecidas constroem a partir daquilo que lhes escreves em linguagem normal, e vais pedindo alterações à medida que o site cresce. Dão o resultado mais personalizado e são também as que exigem mais paciência, porque o que ganhas em liberdade perdes em previsibilidade.

Assistentes de programação. O Claude Code e ferramentas do género são a família mais recente e a que muda mais o jogo. Em vez de trabalhares dentro da plataforma de alguém, descreves o site em conversa e ele escreve os ficheiros, que ficam teus. Não há mensalidade de construtor, não há limite de páginas e não há ninguém a decidir o que podes ou não mudar. Em troca, tens de tratar do alojamento e do domínio à parte, e os primeiros dias exigem paciência. É o caminho de quem quer fazer isto muitas vezes e não pagar uma assinatura por cada cliente.

Se estás a começar, escolhe um construtor com IA integrada. Resolves domínio, alojamento e site no mesmo sítio, e a curva de aprendizagem é de uma tarde. As outras famílias fazem sentido quando já percebeste o processo e queres fugir do ar genérico. E se a ideia é fazer sites para vários clientes, mais cedo ou mais tarde vais querer olhar para os assistentes de programação, porque a matemática muda: uma assinatura de construtor por cada cliente come a margem, ficheiros teus não comem nada.

Criar site com IA passo a passo, pela ordem que funciona

Vou dar-te o processo pela ordem em que ele funciona, e aviso já que a ordem é a parte importante. Quase toda a gente começa na fase 4. Depois passa duas semanas a mandar a IA mudar coisas, porque nunca decidiu o que queria antes de começar a pedir.

As fases 1 a 4 fazem-se sem nada no ar. Sem alojamento, sem WordPress, sem pagar nada a ninguém. Guarda isto, porque é aqui que a maioria das pessoas se atrapalha: acha que precisa de comprar alojamento no primeiro dia e fica presa numa decisão técnica antes de ter decidido o que interessa.

Fase 1 — Planeamento: as perguntas certas

Esta é a fase que decide o resultado, e é a que quase ninguém faz. Mais importante do que saber usar a ferramenta é chegar a ela já a saber o que queres. Uma IA responde muito bem a um pedido específico e muito mal a um pedido vago, e a diferença entre os dois faz-se aqui, antes de abrires seja o que for.

Se o site é para um cliente, estas perguntas fazem-se numa conversa com ele. Se é para ti, fazes a ti próprio e escreves as respostas, porque escrever obriga a decidir.

1. O que é que o negócio faz mesmo?

Parece a pergunta mais boba da lista e é a que mais surpresas dá. Pede a lista completa dos serviços, com os que dão dinheiro e os que só dão trabalho. No caso da escola de dança que contei acima, a lista real de turmas não batia certo com o que o site mostrava, e ninguém tinha reparado durante anos.

2. Quais destes serviços têm lugar para mais clientes?

Esta pergunta poupa dinheiro e chatices. Não vale a pena empurrar procura para um serviço que já está cheio. Descobre o que tem lugar e o que não tem, e decide com o cliente onde queres que a procura caia.

3. O que é que a pessoa que chega ao site tem de fazer?

Pedir orçamento, marcar uma aula experimental, ligar, comprar, preencher um formulário. Uma coisa só. Um site que serve para tudo não serve para nada, e esta é a decisão que a IA nunca vai tomar por ti. Guarda bem a resposta, porque vais precisar dela outra vez na fase do design.

4. Quem é a pessoa que decide?

Repara que nem sempre é quem usa o serviço. Numa escola de dança quem decide é a mãe, não a criança. Num ginásio de bairro pode ser alguém que passa à porta todos os dias há um ano. O site escreve-se para quem decide.

5. Que perguntas é que essa pessoa faz antes de comprar?

Estas são ouro, e é o que te vai dar os artigos do site. Pergunta ao cliente quais são as dúvidas que lhe chegam ao WhatsApp e ao telefone todas as semanas. Na escola eram a idade para começar, como é a primeira aula e quando se compram sapatilhas de ponta. Cada uma dessas perguntas é uma página.

6. O que é que a concorrência da zona mostra, e o que é que não mostra?

Abre cinco concorrentes e vê. Nessa escola descobrimos que quase nenhuma outra da zona mostra preços, horários ou testemunhos. Isso deixa de ser observação e passa a ser estratégia: mostra tu.

7. Quando é que as pessoas procuram este serviço?

Quase todos os negócios têm época. A escola dispara em setembro e outubro, com as inscrições, e outra vez em janeiro. Saber isto muda a data de publicação, e um site publicado fora da época leva meses a dar sinal de vida.

8. Que material real existe?

Fotografias verdadeiras, preços se forem para mostrar, horários, morada, testemunhos de clientes, os nomes das pessoas da equipa. Pede tudo isto antes de gerar seja o que for. Sem material verdadeiro, a IA preenche com texto de encomenda, e vê-se logo.

No fim desta fase tens um documento de uma ou duas páginas. Esse documento é o que vai alimentar tudo o resto, e é a diferença entre um site que parece de encomenda e um site que parece daquele negócio.

Fase 2 — O nome e o domínio, antes de tudo o resto

Decide o nome e compra o domínio antes de construir. Não é uma questão de pressa; é que o nome atravessa o site todo — os títulos, os textos, o email, a ficha do Google — e mudá-lo a meio obriga a refazer tudo o que já está escrito.

Vai ver a disponibilidade antes de te apaixonares por um nome. Para um negócio português, `.pt` ou `.com` resolvem, e o `.pt` ajuda na confiança de quem compra cá. Se o negócio já existe e é conhecido pelo nome, não inventes nada: usa o nome pelo qual as pessoas já o conhecem.

Só isto se compra nesta fase. Alojamento ainda não.

Fase 3 — Pedir a estrutura à IA

Agora sim, abres a ferramenta. E a primeira coisa que lhe pedes não é o site: é a estrutura.

Dás-lhe o documento da fase 1 e pedes-lhe que te proponha o mapa do site. Que páginas deve ter. O que deve estar na página inicial e por que ordem. O que fica em página própria e o que não justifica uma. Onde é que entra a ação que decidiste na fase 1.

Discute com ela antes de aceitares. Pergunta-lhe porque é que pôs determinada secção, e tira as que não servem o objetivo. A tendência de uma IA é acrescentar; a tua função aqui é cortar. Um site com cinco páginas certas trabalha mais do que um com quinze.

O pedido, escrito por extenso. Cola o teu documento da fase 1 e a seguir isto:

Vais ajudar-me a planear a estrutura de um site. Ainda NÃO quero que
construas nada nem que escrevas textos.

Acima está tudo o que sei sobre este negócio.

Preciso de três coisas, por esta ordem:

1. O mapa do site: que páginas deve ter e porquê. Para cada página,
   diz-me numa linha quem a vai ler e o que essa pessoa deve fazer
   depois de a ler.

2. A página inicial, secção a secção, pela ordem em que aparecem.
   Explica-me porque é que puseste cada secção nessa posição.

3. Uma lista do que decidiste DEIXAR DE FORA e a razão.

Regras:
- O objetivo do site é [a ação que decidiste na fase 1]. Tudo o que não
  serve esse objetivo deve ficar de fora.
- Prefere poucas páginas fortes a muitas páginas fracas.
- Não inventes serviços, números nem factos que não estejam acima.
- Se te faltar informação para decidir alguma coisa, pergunta-me em vez
  de assumires.

Antes de responderes, diz-me o que percebeste do negócio em três frases,
para eu confirmar que partimos do mesmo sítio.

Aquela última instrução é a mais útil de todas. Se o resumo dela em três frases estiver errado, descobres em dez segundos, antes de ela gerar trinta páginas em cima de um mal-entendido.

Um exemplo do que deve sair. Esta é a estrutura que saiu para a escola de dança, e serve de modelo para qualquer negócio de serviços:

PÁGINA INICIAL
  ├─ quem somos, em três linhas
  ├─ as modalidades, com link para cada página
  ├─ prova: testemunhos e fotografias reais
  ├─ horários e morada
  └─ marcar aula experimental          ← a ação, repetida ao longo da página

PÁGINAS DE SERVIÇO (uma por modalidade)
  ├─ Ballet infantil
  ├─ Ballet clássico
  ├─ Hip hop
  ├─ Dança contemporânea
  └─ PBT
       cada uma responde sempre às mesmas quatro perguntas:
       para que idades · o que se faz nas aulas · quantas vezes por semana · como marcar

ARTIGOS (um por dúvida real do cliente)
  ├─ Com que idade se pode começar o ballet
  ├─ Como é a primeira aula experimental
  └─ Quando se compram sapatilhas de ponta

CONTACTOS
  └─ formulário, telefone, mapa, horário

Repara em três coisas nesta estrutura. A ação — marcar aula experimental — aparece em todas as páginas e não só na de contactos. Cada serviço tem página própria, porque cada um tem um público diferente a procurá-lo. E os artigos não foram escolhidos por terem volume de pesquisa: foram escolhidos por serem as perguntas que chegavam ao WhatsApp todas as semanas.

Esta conversa demora vinte minutos e poupa-te dias. No fim, tens o mapa aprovado e só então se fala de aspeto.

Fase 4 — Dar referências de design

Só depois da estrutura decidida é que entras no visual, e a melhor maneira de o fazer não é descrever o que queres por palavras. É mostrar.

Junta três a cinco sites de que gostas, e não têm de ser do mesmo ramo. Dás-lhos à ferramenta e dizes o que te agrada em cada um com alguma precisão: deste gosto do espaço entre as secções, deste gosto de os títulos serem grandes e o texto ser pouco, deste gosto das cores mas não do tipo de letra.

“Faz um site bonito” produz sempre o mesmo site genérico, porque é a média de tudo. Três referências concretas com um comentário cada produzem uma coisa com personalidade. É a diferença entre pedir “uma casa gira” e mostrar três fotografias ao arquiteto.

O pedido, escrito por extenso:

Vamos agora ao aspeto do site, com a estrutura que já aprovámos acima.

Deixo-te três referências de sites de que gosto. Para cada uma digo-te
exatamente o que quero e o que não quero:

REFERÊNCIA 1: [link]
  Gosto: [ex.: do espaço em branco entre secções, faz respirar]
  Não quero: [ex.: o menu fixo que tapa o conteúdo ao descer]

REFERÊNCIA 2: [link]
  Gosto: [ex.: títulos grandes e pouco texto por ecrã]
  Não quero: [ex.: as animações de entrada]

REFERÊNCIA 3: [link]
  Gosto: [ex.: a paleta de cores, sobretudo o contraste dos botões]
  Não quero: [ex.: o tipo de letra do corpo, difícil de ler]

Além disso:
- O negócio é [tipo de negócio] e fala para [quem decide].
- O tom deve ser [ex.: profissional mas próximo, sem palavras técnicas].
- A maioria das visitas chega por telemóvel: desenha primeiro para
  telemóvel e depois adapta para computador.
- O botão de [a ação principal] tem de ser o elemento mais visível de
  cada página.

Mostra-me primeiro só a página inicial. Vejo e comento antes de fazeres
as restantes.

Duas coisas fazem este pedido funcionar. A primeira é o “não quero”: dizer o que rejeitas numa referência ensina-lhe mais do que três elogios. A segunda é pedires só a página inicial — se ela gerar o site todo de uma vez e o aspeto estiver errado, tens de mandar refazer tudo.

O erro do Frankenstein

Aqui aparece a armadilha das referências, e é quase toda a gente que cai nela. Vais buscar o cabeçalho de um site, as cores de outro, o tipo de letra de um terceiro e a secção de testemunhos de um quarto. Cada peça é bonita. Juntas, não são nada — o site fica sem personalidade nenhuma, porque não tem um ponto de vista, tem uma colagem.

Há duas maneiras de evitar isto.

Escolhe uma referência principal e trata as outras como ajustes. Uma delas manda no conjunto — dá o ambiente, o espaçamento e o tom. As outras entram só para corrigir pormenores: uma cor, o tamanho dos títulos, a forma dos botões. Se as três mandarem ao mesmo tempo, nenhuma manda.

Faz a pergunta a cada referência que queres imitar: isto ajuda a pessoa a fazer aquilo que eu defini na fase 1? Aquela animação de entrada é gira, mas atrasa quem queria ver o preço. Aquele cabeçalho enorme com uma fotografia a ocupar o ecrã todo é impressionante, e empurra o botão para fora da vista de quem abre no telemóvel.

Uma referência que não serve o objetivo é uma referência que não entra, por muito que gostes dela. É esta pergunta que separa um site com desenho de um site bonito.

E depois, os ajustes

A primeira versão nunca é a boa, e não é sinal de nada. Pede alterações uma de cada vez e vê o resultado antes de pedires a seguinte — mudar cinco coisas ao mesmo tempo e não gostar do conjunto deixa-te sem saber qual delas estragou.

Os ajustes que quase sempre são precisos: subir o botão principal, reduzir o texto por secção, aumentar o contraste do que é para clicar, e tirar uma secção inteira que só está lá a encher.

Continuas sem nada no ar, e já tens estrutura e desenho decididos.

Fase 5 — Gerar e reescrever os textos

Deixa a ferramenta construir a primeira versão e resiste a mexer enquanto vês. Nesta fase estás só a confirmar se ela respeitou a estrutura que combinaste.

Depois vem o trabalho que mais muda o resultado e que ninguém te conta: reescrever os textos. O texto que sai é sempre correto e sempre vago, porque é a média de milhões de páginas. Troca as frases genéricas pelo que o negócio faz de verdade, com nomes, números, moradas e casos concretos. Se quiseres perceber melhor como se escreve para vender, tens o essencial no artigo sobre o que faz um copywriter em Portugal. É aqui que se ganha ou perde o site, e é por isso que a fase 1 existe — sem material verdadeiro, não há nada para pôr no lugar do texto vago.

O pedido para reescrever, página a página:

Aqui está o texto que geraste para a página [nome].

Quero que o reescrevas usando só informação verdadeira deste negócio,
que te dou a seguir:

[cola aqui o que recolheste na fase 1: serviços, preços, horários,
morada, nomes, casos reais, testemunhos]

Regras da reescrita:
- Corta todas as frases que serviriam a qualquer negócio do mesmo ramo.
  Se a frase funciona para o concorrente, não diz nada.
- Troca adjetivos por factos. "Anos de experiência" vira o número de
  anos. "Vários clientes" vira quantos.
- Escreve as respostas às perguntas que os clientes fazem mesmo,
  pela ordem em que as fazem.
- Usa as palavras que os clientes usam, não as palavras do setor.
- Não inventes nada. Se te faltar um dado para uma frase, escreve
  [FALTA: o quê] e eu preencho.

No fim, lista-me tudo o que ficou marcado como FALTA.

Aquele `[FALTA: …]` é o que impede o problema maior de todos: uma IA a inventar um número que tu depois publicas sem reparar. Obrigá-la a assinalar os buracos transforma-os numa lista de tarefas em vez de ficções no teu site.

Fase 6 — Decidir onde o site vai viver

Esta é a fase que quase todos os guias saltam, e é a que te vai custar dinheiro todos os meses durante anos. Até aqui trabalhaste sem nada no ar. Agora tens de decidir onde é que isto passa a viver, e a decisão não é técnica: é de custo e de propriedade.

Há duas perguntas que resolvem quase tudo.

De quem é o site depois de pronto? Se deixares de pagar à plataforma, o site desaparece ou continua? A resposta muda consoante o caminho, e muda o que podes prometer ao cliente.

Quanto custa mantê-lo no ar daqui a dois anos? Com um site é indiferente. Com oito clientes, é a diferença entre um negócio com margem e um negócio que trabalha para pagar subscrições.

Construtores (Wix, Squarespace, Webnode, Hostinger)

Trazem tudo numa peça: editor, alojamento, certificado de segurança, backups e domínio no mesmo sítio. Não há nada técnico para gerires e nunca vais receber um email a dizer que o site foi invadido.

A troca é dupla. Pagas para sempre — o site vive enquanto a mensalidade viver — e o site não sai de lá. Não o levas para outro alojamento, porque ele só existe dentro daquela plataforma.

É a escolha certa para o teu primeiro site e para clientes que querem mexer sozinhos depois. É a escolha errada se tencionas ter muitos clientes, porque cada um traz a sua mensalidade.

WordPress instalado num alojamento teu

O oposto. O site é ficheiros e uma base de dados que te pertencem, e mudas de alojamento quando quiseres. Um alojamento partilhado aguenta vários sites, o que faz a conta por cliente descer muito a partir do terceiro ou quarto.

A desvantagem tem nome: a manutenção passa a ser tua. E não é teórica.

Num site de um negócio local que auditei, num único dia havia 755 tentativas de entrada pelo XML-RPC e 281 no ecrã de login, todas contra o mesmo utilizador — chamado `admin`, e visível publicamente no próprio site. A licença do construtor de páginas tinha expirado onze meses antes, por isso deixara de receber atualizações e tinha uma falha crítica conhecida. O WordPress e dez extensões estavam desatualizados, algumas com falhas exploráveis sem sequer ser preciso ter conta.

Nada disto era negligência de alguém distraído. É o que acontece a um site WordPress que fica um ano sem ninguém a olhar para ele, e é por isso que a manutenção se cobra: é trabalho recorrente a sério, não um extra de cortesia.

Escolhe WordPress se vais fazer isto com frequência e se a manutenção vai ser paga — por ti ou pelo cliente. Foge dele se a ideia é entregar e desaparecer.

Lovable e ferramentas de construção por conversa

Vais do zero ao site publicado mais depressa do que em qualquer outro caminho, e o alojamento vem incluído: publicas com um clique e não tratas de nada.

A desvantagem que convém perceber antes de venderes o serviço é o sistema de créditos. Cada pedido que fazes consome crédito — mudar um texto gasta, e refazer a mesma secção cinco vezes gasta cinco vezes. O plano pago ronda os 25 $ por mês com cerca de cem créditos, alojamento e domínio próprio incluídos, e podes comprar mais créditos quando acabam. Na prática, quem aprende a pedir bem gasta pouco, e quem vai tentando à sorte gasta o mês em dois dias.

E há uma coisa boa que convém saber, porque muda a conta toda: podes exportar o código a qualquer momento e o projeto é teu. Enquanto o site viver lá, pagas a subscrição para o manteres no ar. Mas se quiseres, levas o código e alojas onde te apetecer — o que responde à pergunta do início desta secção de uma maneira que os construtores clássicos não respondem.

Faz todo o sentido para um site que precisa de estar no ar amanhã, para uma landing page de campanha ou para mostrares uma proposta já construída a um cliente. Como casa definitiva de oito clientes, ou passas o custo a cada um, ou exportas o código e alojas tu.

Ficheiros próprios, com um assistente como o Claude Code

Descreves o site em conversa, ele escreve os ficheiros, e os ficheiros ficam teus. Sem mensalidade de ferramenta por cliente e sem limite de páginas. Um site de páginas simples aloja-se por muito pouco, e há serviços que o fazem de graça.

A troca é que tratas do alojamento e da publicação, e o cliente não tem painel nenhum para mexer sozinho — o que às vezes é defeito e às vezes é exatamente o que queres.

Posso construir num sítio e alojar noutro?

Depende inteiramente do caminho, e é a pergunta que mais vale a pena fazer antes de escolher.

Com construtores clássicos, não. O Wix, o Squarespace e afins não te entregam um site que funcione fora deles. Dão-te para descarregar os textos e as imagens, e mais nada — a estrutura, o desenho e o funcionamento vivem dentro da plataforma. Sair de lá é refazer o site noutro sítio, com o conteúdo aproveitado.

Com ferramentas que geram código, sim. O Lovable deixa-te exportar o código do projeto a qualquer momento, e a partir daí alojas onde quiseres. O Claude Code e afins escrevem ficheiros que já são teus desde o primeiro minuto.

Com WordPress, sim e facilmente. É ficheiros mais uma base de dados, e mudar de alojamento é uma operação normal que qualquer empresa de alojamento faz por ti, muitas vezes de borla ao contratares.

É por isto que vale a pena fazer a pergunta no início e não no dia em que o cliente quer mudar. Construir depressa num construtor para mostrar, e depois refazer noutro sítio, é um trabalho a dobrar que ninguém te paga.

E a base de dados, preciso de uma?

Esta pergunta trava muita gente sem necessidade, e a resposta é quase sempre não.

Um site de montra — páginas de serviços, contactos, alguns artigos — não precisa de base de dados nenhuma. São páginas, e páginas são ficheiros. É por isso que alojar um site destes custa cêntimos.

Precisas de base de dados quando houver contas de utilizador, marcações, loja com carrinho, ou conteúdo que muda sozinho. Aí a escolha é outra conversa, e o construtor ou o WordPress já a trazem resolvida por defeito — o WordPress instala uma quer precises dela quer não.

Para o site do cabeleireiro da esquina: não precisas.

E se eu quiser ver o site antes de ele existir online?

Podes, e devias. Um site pode correr inteiro no teu computador, sem estar na internet e sem ninguém lhe chegar — é o que se chama correr em local. Abres no teu browser, mostras ao cliente por partilha de ecrã, mudas o que ele pedir, e só publicas quando estiver aprovado.

É a forma mais barata de errar. Enquanto o site vive no teu computador, enganares-te não custa nada.

A conta que muda tudo ao terceiro cliente

Com um site, esta decisão é indiferente. Faz a conta para oito e ela deixa de ser indiferente.

Os preços mudam com frequência, por isso confirma antes de fechares uma proposta. À data deste artigo, um plano de construtor com domínio próprio anda à volta dos 13 € a 25 € por mês, e é por site. Um alojamento partilhado anda entre 5 € e 25 € por mês, e aguenta vários sites ao mesmo tempo. Um domínio `.pt` custa entre 15 € e 35 € por ano, e esse paga-se sempre, seja qual for o caminho.

Traduzido para um ano, por ordem de grandeza:

Caminho1 cliente8 clientes
Construtor (mensalidade por site)~230 €~1 800 €
WordPress num alojamento partilhado~200 €~380 €
Ficheiros próprios, alojamento simples~30 €~230 €
Lovable e afinssubscrição + créditos por alteração, por projetomultiplica por cada projeto no ar

Repara na primeira coluna: com um cliente, os três primeiros caminhos custam praticamente o mesmo, e o construtor é de longe o mais fácil. Por isso é a escolha certa para começar, e quem te disser o contrário está a vender-te complexidade que ainda não precisas.

Agora olha para a segunda coluna. O construtor multiplica, o alojamento partilhado divide. É a partir daqui que a decisão deixa de ser técnica e passa a ser do teu negócio: mil e quinhentos euros por ano de diferença é um mês de faturação que fica no teu bolso ou no de outra pessoa.

Há duas saídas honestas para isto, e ambas funcionam.

Passar o custo ao cliente. A plataforma fica em nome dele, ele paga diretamente e tu cobras só o teu trabalho. Perdes margem, ganhas tranquilidade e nunca ficas com uma renda que o cliente deixou de querer pagar.

Mudar de caminho ao terceiro ou quarto cliente. Continuas a usar construtores para quem quer mexer sozinho, e passas para alojamento próprio nos que ficam contigo. É o que a maior parte das pessoas acaba por fazer, normalmente um ano depois de devia.

Fase 7 — Publicar

Com a plataforma decidida, publicar é o passo mais curto de todos. Ligas o domínio que compraste na fase 2, confirmas que o endereço abre com cadeado, e está no ar.

Se usaste um construtor ou o Lovable, é um botão. Se foste por ficheiros próprios ou WordPress, envias para o alojamento e apontas o domínio.

Fase 8 — Testar, que é onde toda a gente falha

O site estar no ar não quer dizer que funcione. Esta fase demora uma hora e é a que separa um profissional de alguém que entregou um link.

Abre todas as páginas, uma a uma. Clica em todos os botões e em todos os links do menu e do rodapé. Parece exagero e não é: o link partido que ninguém testou costuma estar exatamente no botão que interessa.

Preenche o formulário e confirma que o email chega. Faz isto a sério, com um endereço teu, e espera para ver se entra. Formulários que não entregam nada são o defeito mais comum e mais caro de todos, porque o cliente só descobre passados três meses, ao perguntar-se porque é que ninguém o contacta.

Vê tudo no telemóvel. A maior parte das visitas chega por telemóvel, e a maior parte dos sites é desenhada num computador. Abre no teu, percorre as páginas todas e carrega nos botões com o polegar, que é como as pessoas fazem.

Passa o site pelo PageSpeed Insights. É gratuito, é do Google, e diz-te o que está a atrasar as páginas. Não persigas a pontuação perfeita; procura os problemas grandes, que quase sempre são imagens pesadas de mais que ninguém se lembrou de encolher.

Configura o Search Console. Confirmas que o site é teu, e passas a ver o que as pessoas escrevem no Google antes de lá chegarem. Sem isto estás às cegas.

E há um passo dentro deste que muita gente esquece: submeter o sitemap. No site que auditei, todas as páginas estavam corretamente indexadas e o sitemap nunca tinha sido submetido — o Google encontrou o site apesar do dono, não por causa dele.

Trata da ficha do Google Business. Para um negócio local, esta ficha costuma trazer mais visitas do que o site inteiro. Morada certa, horário, telefone, fotografias e o link para o site novo.

Confirma os títulos de cada página. Nesse mesmo site, todas as páginas tinham o mesmo título: “Início”. Quem pesquisasse via sete resultados chamados “Início” e não sabia em qual clicar. É um defeito de cinco minutos a corrigir que custa visitas durante anos.

Desliga o que não serve. Nesse site continuava a carregar uma extensão de chat que a Meta tinha descontinuado dois anos antes. Não fazia nada, e continuava a pesar em todas as visitas.

Fase 9 — Instalar o que só serve daqui a seis meses

Esta fase parece dispensável no dia em que publicas, e é a que mais dinheiro dá mais tarde. São três coisas que se instalam em vinte minutos e que só valem alguma coisa com tempo a passar.

O Google Analytics. Diz-te quantas pessoas entram, por onde chegaram, que páginas vêem e onde desistem. É gratuito. Instala-se colando um código em todas as páginas — nos construtores há um campo próprio para isso, no WordPress há extensões que o fazem, e com ficheiros próprios cola-se no cabeçalho.

O Search Console, que já ficou da fase anterior, e que responde a uma pergunta diferente: o que é que as pessoas escreveram no Google antes de chegarem. O Analytics conta o que aconteceu dentro do site, o Search Console conta o que aconteceu antes de entrarem. Precisas dos dois, e é a segunda pergunta que te vai dizer que páginas faltam — foi exatamente assim que se descobriu, nessa escola de dança, que as turmas de hip hop não existiam no site.

O pixel da Meta. Este é o que quase toda a gente deixa para depois, e é o erro mais caro dos três.

O pixel é um código que regista quem visitou o site, para poderes mais tarde mostrar anúncios a essas pessoas — ou a pessoas parecidas com elas. Não custa nada instalar e não faz nada de visível.

Repara no pormenor que muda tudo: o pixel só conta a partir do dia em que é instalado. Não há histórico. Se o instalares hoje e o cliente decidir anunciar daqui a seis meses, ele já tem seis meses de visitantes registados para trabalhar. Se o instalares só no dia em que ele decidir, começa do zero e as primeiras campanhas vão ser mais caras e mais lentas a aprender.

É por isso que se instala o pixel em todos os sites que fazes, mesmo nos de clientes que juram que nunca vão fazer publicidade. Não custa nada, e no dia em que mudarem de ideias — e mudam — tu és a pessoa que já tem seis meses de vantagem guardados.

Do teu lado, é também a melhor razão comercial que vais ter para a conversa seguinte. Passados uns meses podes chegar ao cliente e dizer-lhe quantas pessoas passaram pelo site sem comprar. Esse número é o argumento, e não precisas de o inventar: está lá.

Feitas as nove fases, tens um site publicado, testado e a ser medido. E tens também a lista de razões pelas quais este trabalho se cobra a sério.

O que a IA continua a não fazer por ti

A IA escreve, desenha e publica. Há quatro coisas que continua a não fazer, e são exatamente as que separam um site que fica parado de um site que trabalha.

Não conhece o negócio. Ela sabe o que um ginásio costuma ter numa página. Não sabe que este ginásio vive das aulas das sete da manhã porque está ao lado de uma zona de escritórios. Essa informação só chega ao site se fores tu a metê-la lá.

Não decide o que fica de fora. A tendência da IA é acrescentar secções. A tendência de um bom site é tirá-las. Cada secção a mais é uma razão a mais para a pessoa sair sem fazer nada.

Não escreve como um cliente fala. Os textos gerados soam todos iguais porque são todos a média de milhões de páginas. O que convence alguém é ler as suas próprias palavras na página, e essas vão buscar-se a conversas com clientes reais.

Não traz visitas. Este é o ponto grande e volto a ele no fim, porque é o que a maioria das pessoas descobre tarde de mais.

Um caso real: o que descobrimos num site que já existia

Para não ficar só na teoria, deixo-te um caso que acompanhei do princípio ao fim: uma escola de dança no Algarve, com site feito há anos e a funcionar.

O site estava bem posicionado e não trazia alunas. Em pouco mais de um ano, teve 9 461 aparições no Google e 611 cliques, com posição média 3,7 — o Google já o mostrava na primeira página. Mas no formulário de inscrição, onde se pergunta como a pessoa chegou à escola, as respostas eram Facebook, WhatsApp, telefone e Instagram. Nenhuma dizia Google.

Os números, em pouco mais de um ano:

Aparições no Google9 461
Cliques611
Posição média3,7
Cliques a partir do telemóvel86 %

A explicação apareceu ao olhar para onde os cliques caíam: os 93 cliques atribuídos iam todos para a página inicial. As outras seis páginas do site só apareciam quando alguém pesquisava o nome da escola, ou seja, quando já a conhecia.

Foi aqui que percebemos o problema, e não tem nada que ver com o site estar bonito ou feio.

Faltavam páginas para metade do que a escola faz. O site falava de ballet clássico e dança contemporânea. As turmas de hip hop e de PBT existiam, tinham alunas inscritas e professores a dar aulas — e não existiam em lado nenhum no site. Quem pesquisasse “hip hop em Loulé” nunca a encontrava, por muito bem posicionada que ela estivesse para “ballet”.

O desencontro, lado a lado:

Modalidade com turmas a funcionarTinha página no site?
Ballet clássicosim
Dança contemporâneasim
Hip hop (três turmas)não
PBTnão
Ballet infantil (pré-escolar e preparatório)não

O que fizemos a seguir foi isto, por esta ordem:

  1. Listámos o que o negócio faz mesmo, a partir das folhas de alunas, e não do que o site dizia. São coisas diferentes com uma frequência que assusta.
  2. Comparámos com as páginas existentes e escrevemos uma página por serviço que estava a faltar — cinco no total, cada uma com o nome do serviço e a localidade no título.
  3. Olhámos para a concorrência local e encontrámos a abertura: quase nenhuma escola da zona mostra preços, horários ou testemunhos. Quem mostrar ganha, e é decisão de negócio, não de design.
  4. Escrevemos artigos para as perguntas que a mãe faz antes de inscrever a filha — “com que idade se pode começar o ballet?”, “como é a primeira aula experimental?” — cada um com a resposta curta logo no topo, antes da explicação longa.
  5. Vimos quando é que as pessoas procuram. As pesquisas disparam em setembro e outubro, na época de inscrições, e outra vez em janeiro. Publicar em novembro não serve de nada; o conteúdo tem de estar no ar antes de agosto e antes de dezembro.

O que escrevemos, e porquê

Vale a pena ver o que saiu daqueles cinco passos, porque é mais concreto do que qualquer conselho geral.

Cinco páginas, uma por modalidade. Ballet infantil, ballet clássico, hip hop, dança contemporânea e PBT. Cada uma com o nome da modalidade e a localidade no título, porque ninguém em Loulé pesquisa “ballet” — pesquisa “ballet em Loulé”, ou pesquisa “ballet” e o Google percebe onde está. Cada página responde às mesmas quatro perguntas, pela mesma ordem: para que idades é, o que se faz nas aulas, quantas vezes por semana, e como se marca uma aula experimental.

Duas dessas modalidades tinham turmas a funcionar há anos e nunca tinham existido no site.

Três artigos, um por dúvida real. Com que idade se pode começar o ballet. Como é a primeira aula experimental. Quando é que se compram sapatilhas de ponta. Nenhum destes temas foi escolhido por ter volume de pesquisa: foram escolhidos por serem as perguntas que chegavam ao WhatsApp da escola todas as semanas.

Cada artigo tem a mesma forma, e vale a pena copiares: a resposta curta primeiro, num parágrafo destacado logo no topo, e a explicação longa a seguir. Quem só quer saber a idade, fica a saber em cinco segundos. Quem quer perceber porquê, continua a ler. Os dois saem satisfeitos, e o Google gosta particularmente da resposta curta.

E mexemos no design, não só nos textos. O site era bonito e não pedia nada a ninguém. A pessoa lia, achava simpático e fechava o separador. Refizemos as páginas à volta de uma só coisa — deixar o contacto para marcar uma aula experimental — e isso mudou onde ficam os botões, quantas vezes o pedido aparece ao descer a página, e o que se tira do caminho até lá.

Não foi uma decisão de gosto. Foi a resposta à pergunta da fase 1: o que é que a pessoa que chega aqui tem de fazer? Depois de responderes a isso, o design deixa de ser opinião e passa a ter critério.

Repara no que não está nesta lista. Não trocámos o site, não mudámos o design, não mexemos na ferramenta. O trabalho todo foi descobrir o que faltava lá dentro e escrevê-lo. É isso que a IA acelera — escrever cinco páginas e três artigos com esta informação toda é agora trabalho de dias em vez de semanas — e é também isso que ela não te diz para fazer, porque não sabe que existem turmas de hip hop sem página.

Quem precisa de um site em Portugal

Se estás a ler isto a pensar em fazer sites para outros, os números portugueses interessam-te.

Segundo o Inquérito à Utilização de TIC nas Empresas do INE, divulgado em novembro de 2025, 62,9% das empresas portuguesas têm site próprio. Isso quer dizer que 37 em cada 100 não têm. Nas empresas mais pequenas, entre 10 e 49 pessoas, a percentagem com site desce para 59,2%: quatro em cada dez continuam sem página.

Repara num pormenor importante deste inquérito. Ele só cobre empresas com 10 ou mais pessoas ao serviço. Os cabeleireiros, as clínicas de dois médicos, os ginásios de bairro, os restaurantes e os canalizadores, que são a esmagadora maioria do tecido empresarial português e os que menos site têm, nem sequer entram nesta conta. O buraco real é maior do que o número mostra.

Do mesmo inquérito sai outro dado que te diz respeito: só 11,5% das empresas portuguesas usam tecnologias de inteligência artificial, e nas de 10 a 49 pessoas a percentagem cai para 9,4%. Não estão à espera de aprender a fazer isto. Estão à espera que alguém faça por elas.

E procuram. Em Portugal, pesquisa-se “criação de sites” cerca de 590 vezes por mês, e o conjunto de termos à volta (criação de sites para empresas, empresas de criação de sites, orçamento para criação de sites, criação de sites em Lisboa e no Porto) soma perto de 1 500 pesquisas mensais. São pessoas a escrever no Google à procura de alguém que lhes faça o trabalho.

Quanto cobrar por um site feito com IA

Não há um preço para “um site”, da mesma forma que não há um preço para “uma obra”. Há tipos de trabalho muito diferentes debaixo da mesma palavra, e a primeira coisa a fazer é saber em qual deles estás.

Os cinco tipos de trabalho, e quanto cobrar por cada um

Tipo de siteO que incluiQuanto cobrar
Landing pageuma página só, com uma ação100 € a 200 € — 250 € a 300 € quando já tens casos para mostrar
Site institucional simplespresença online, páginas de serviços, sobre e contactos, formulário800 € a 1 500 €
Site institucional personalizadomarca própria, várias secções, estrutura pensada para converter1 500 € a 2 500 €
Institucional + blogo anterior, mais a estrutura de artigos e as primeiras publicações3 000 € a 7 000 €
Site com funcionalidadeo site deixa de ser só páginas: marcação de horas, área de cliente com login, formulários cujas respostas ficam guardadasa partir de 5 000 €

Deixo de fora as lojas online de propósito. Uma loja é outro produto, com stock, pagamentos, envios e devoluções, e o preço dela não se compara com o de um site. Aqui falamos de sites.

Repara que é a mesma regra de sempre, dita de outra maneira: o preço não depende da quantidade de páginas, depende da quantidade de trabalho. Um site institucional de doze páginas pode dar menos trabalho do que um site de três com marcações.

O que faz o preço subir dentro do mesmo tipo

Dois sites institucionais podem custar o dobro um do outro, e as razões são quase sempre estas sete.

Quem escreve os textos. Se o cliente entrega tudo escrito, é um trabalho. Se tens de o entrevistar, perceber o negócio e escrever de raiz, é outro — e é o que mais tempo leva, como viste na fase 1.

Se existe material ou é preciso produzi-lo. Fotografias verdadeiras, preços, horários, testemunhos. Quando não há nada disto, alguém tem de o ir buscar, e esse alguém és tu.

Quantos serviços o negócio tem para comunicar. Não pela contagem de páginas, mas porque cada serviço traz um público, uma dúvida e uma conversa diferentes.

As integrações. Formulário que entrega mesmo, botão de WhatsApp, ficha do Google, Analytics, pixel da Meta. Cada uma é meia hora que alguém tem de fazer, e são exatamente as que ninguém se lembra de orçamentar.

O prazo. Urgência cobra-se, como em qualquer ofício. Um site para a semana que vem desmonta o teu planeamento todo.

Quem trata da manutenção depois. Entregar e desaparecer tem um preço. Ficar responsável por atualizações, segurança e cópias de segurança tem outro, e é mensal. Se te lembras do site que auditei — com 755 tentativas de invasão num único dia e a licença expirada há onze meses —, já percebeste porque é que isto não pode ser um favor incluído.

Quem paga a plataforma. Se o site vai viver numa ferramenta com subscrição, essa renda tem dono. Decide antes de assinar se é o cliente que a paga diretamente, ou se vai por dentro da tua avença — e nesse caso, que sai do teu bolso todos os meses.

Como se recebe: metade e metade

Um site não é uma avença. É um projeto com princípio e fim, e por isso não se cobra por mês — cobra-se pelo trabalho, e a forma habitual é 50 % no início e 50 % na entrega.

A primeira metade não é desconfiança: é o que te garante que o cliente vai mesmo participar. Quem já pagou responde aos emails, manda as fotografias e marca a reunião. Quem não pagou nada some-se durante três semanas e reaparece com pressa.

A segunda metade paga-se com o site pronto e testado, antes de o passares para o nome dele. Deixa escrito na proposta o que conta como “entregue”, senão cada pedido novo adia o pagamento.

Duas notas que evitam problemas. As mensalidades são outra coisa — alojamento, manutenção, conteúdo novo — e cobram-se à parte, com o seu próprio acordo. E se o projeto for grande, divide em três pagamentos ligados a marcos (arranque, aprovação do desenho, entrega) em vez de dois, que é mais justo para os dois lados.

As duas regras que te poupam discussões

Discrimina tudo na proposta. Escreve exatamente o que está incluído em cada entrega. Se puseres “manutenção do site” sem dizer o que é, o cliente vai entender design novo sempre que lhe apetecer, e tu entendias publicar um texto de vez em quando. Estima o tempo por tarefa, mesmo sem certeza absoluta — a certeza só chega com a repetição.

Mostra a soma antes do conjunto. Quando o pacote é grande, apresenta primeiro o preço de cada serviço em separado, somado, e só depois o preço combinado. Mil e quinhentos euros somados e mil euros em conjunto é a mesma proposta, contada de uma maneira que o cliente sente como negócio.

Para teres uma referência de escala num pacote mensal: num bar com redes sociais e tráfego, a divisão praticada é 300 € para redes e 300 € para tráfego, e qualquer coisa que envolva responder a mensagens de clientes leva pelo menos mais 200 € por mês.

Uma nota sobre usar IA para o fazer

O preço do teu trabalho não desce por teres usado IA, da mesma forma que o preço de uma obra não desce por o pedreiro ter berbequim. O cliente compra o problema resolvido, e não as horas que demoraste.

O comportamento do mercado confirma a escala. Uma empresa portuguesa que queira aparecer nas pesquisas por criação de sites paga à volta de 6 € por cada clique em anúncios. Ninguém paga 6 € por um visitante para vender um serviço de 50 €.

Como arranjar os primeiros clientes

A parte difícil nunca é fazer o site. É o primeiro cliente.

Começa pelo que está à tua volta e é verificável. Abre o Google Maps na tua zona e procura os negócios do costume: clínicas, ginásios, restaurantes, oficinas, salões. Repara em quais têm o campo do site vazio ou apontam para uma página do Facebook. Em meia hora tens uma lista de dez nomes, e ninguém te pode dizer que não precisam, porque tu viste.

Depois faz uma coisa que quase ninguém faz: constrói o site antes de vender. Escolhe um desses negócios, gera a página com o que conseguires encontrar online sobre ele e mostra-lha feita. Passas de alguém que oferece um serviço para alguém que já resolveu o problema. Com IA, esse trabalho custa-te uma hora, e é a melhor hora que vais investir. E se ainda estás a decidir que caminho digital seguir, vê antes as melhores opções para trabalhar online em Portugal.

Um exemplo de alguém que fez este caminho. O Pedro era engenheiro mecânico, tinha 52 anos e trabalhava por turnos numa fábrica em Espanha, a ganhar 2 200 € limpos por mês. Despediu-se em janeiro de 2025 sem ter clientes suficientes e sem direito a subsídio, com toda a gente à volta a chamar-lhe maluco. Oito meses depois fazia 1 850 € por mês, com clientes em Portugal e em Espanha — stands de automóveis, indústria, serviços — e sites. E passou a levar o filho à escola todos os dias.

Repara na parte que interessa para este artigo: ele não vive de fazer sites, nem vive só de gerir tráfego. Vive das duas coisas ao mesmo tempo, muitas vezes no mesmo cliente. É esse o caminho que este artigo te está a mostrar.

Se tens dúvidas sobre como estruturar a oferta e o que cobrar por serviços digitais em Portugal, o artigo sobre quanto cobrar pela gestão de redes sociais aplica a mesma lógica a um serviço vizinho.

Porque é que entregar o site não chega

Chegamos ao ponto que interessa mesmo, e é o que separa quem faz sites de quem constrói um negócio.

Entregas o site, recebes o pagamento, acabou. O cliente fica com uma página bonita que ninguém visita, e daqui a três meses vai achar que gastou dinheiro à toa. Não é culpa do site. Um site é uma montra, e uma montra numa rua sem gente não vende nada.

O que faz aquela página valer dinheiro é haver quem lá entre. Isso chama-se tráfego, e é uma profissão à parte. Quando aprendes a levar pessoas até ao site que construíste, acontecem duas coisas ao mesmo tempo: o cliente vê resultado e fica, e tu deixas de viver de trabalhos avulso para passares a ter um valor que entra todos os meses.

É por isso que a criação de sites funciona tão bem como porta de entrada e tão mal como destino final. Entras pelo site, que é fácil de vender e de entregar, e ficas pela gestão do tráfego, que é o que mantém o cliente. Se quiseres perceber como funciona essa profissão em Portugal, explico-a toda no artigo sobre o que faz um gestor de tráfego, e tens mais caminhos possíveis no guia de como ganhar dinheiro online em Portugal.

Os oito erros que vais querer evitar

Todos estes são reais. Alguns saíram da auditoria que fiz ao site de que falei acima, outros de dúvidas que me chegam todas as semanas.

Começar pela ferramenta. É o erro que gera todos os outros. Abres o Lovable ou o Wix no primeiro dia, geras qualquer coisa, e passas as duas semanas seguintes a mandar mudar peças de uma casa cujas divisões nunca decidiste. As fases 1 e 2 parecem lentas e são o contrário.

Publicar os textos como saíram. O texto gerado é sempre correto e sempre vago, porque é a média de milhões de páginas. Publicá-lo tal como está é a forma mais rápida de ter um site que não se distingue de nenhum outro — e é também o único caso em que o Google tem mesmo alguma coisa contra conteúdo feito com IA: não pela ferramenta, pela falta de substância.

Pôr o mesmo título em todas as páginas. Naquele site, as sete páginas chamavam-se todas “Início”. Quem pesquisava via sete resultados iguais e não sabia onde clicar. São cinco minutos a corrigir e custam visitas durante anos.

Não testar o formulário. O defeito mais comum e o mais caro, porque não dá sinal nenhum: o cliente só descobre três meses depois, a perguntar-se porque é que ninguém o contacta. Preenche-o tu, com um endereço teu, e espera para ver se chega.

Esquecer o sitemap. Naquele mesmo site, todas as páginas estavam indexadas e o sitemap nunca tinha sido submetido. O Google encontrou o site apesar do dono, e não por causa dele.

Entregar e desaparecer. Um WordPress deixado um ano sem ninguém a olhar para ele acumula extensões desatualizadas, licenças expiradas e tentativas de invasão às centenas por dia. Ou vendes manutenção, ou entregas num caminho que não precise dela. O que não podes é prometer que está tratado e não tratar.

Deixar o pixel para quando houver anúncios. O pixel não tem histórico: só conta a partir do dia em que é instalado. Instalá-lo no primeiro dia custa vinte minutos e vale meses de vantagem.

Aceitar um cliente que quer um site para não ter de decidir nada. Se ele não sabe responder às perguntas da fase 1 e não quer descobrir, o site vai ser bonito e vazio, e a culpa vai ser tua. Esse é o único caso em que a resposta certa é dizer que não.

Perguntas frequentes

Dá para criar um site com IA de graça? Dá, para o construíres e o veres online. Quase todas as ferramentas têm plano gratuito com o nome delas no endereço e algumas limitações. Para ter domínio próprio, email do negócio e o anúncio da plataforma fora da página, passas para um plano pago.

Qual é a melhor IA para criar sites? Depende do objetivo. Para um site de negócio feito de uma vez, um construtor como o Wix ou a Hostinger resolve. Para algo com mais desenho, o Framer ou o Canva. Para liberdade total e um resultado menos previsível, o Lovable. Para ficares dono dos ficheiros e não pagares assinatura por cliente, o Claude Code. Se é o teu primeiro, vai pelo construtor.

Vale a pena aprender Claude Code para fazer sites? Vale se fizeres isto mais do que uma vez. Para um site único, um construtor é mais rápido e chega. A partir do terceiro ou quarto cliente, a conta inverte-se: o construtor cobra-te todos os meses por cada site que mantiveres no ar, e os ficheiros que o Claude Code escreve ficam teus para sempre. A curva de aprendizagem são uns dias, e paga-se sozinha.

Preciso de saber programar? Não. Nenhuma destas ferramentas exige código. O que precisas mesmo é de saber escrever com clareza, porque o resultado depende quase todo de como descreves o que queres.

Quanto tempo demora a fazer um site com IA? Gerar demora minutos. Um site publicado e pronto a receber clientes, com os textos reescritos, o formulário testado e o domínio ligado, demora uma tarde se já tiveres o material do negócio reunido.

Preciso de comprar alojamento para começar? Não, e é aqui que quase toda a gente se atrapalha. Todo o trabalho de planeamento, estrutura e desenho se faz sem nada online. Só precisas de alojamento no momento de publicar, que é a fase 7 de nove. O domínio é a única coisa que se compra cedo, e é por causa do nome, não por causa da tecnologia.

O site precisa de base de dados? Quase sempre não. Um site de páginas — serviços, contactos, artigos — não guarda nada, e por isso aloja-se por cêntimos. Só precisas de base de dados quando houver contas de utilizador, marcações, ou conteúdo que muda sozinho.

Posso mudar de plataforma depois? Depende do caminho que escolheste, e é a pergunta que ninguém faz antes de assinar. De um construtor, não levas o site: ele só existe lá dentro. De WordPress ou de ficheiros próprios, levas tudo para onde quiseres. Se há hipótese de o cliente querer mudar um dia, esta pergunta vale mais do que o preço.

Quanto tempo demora a aparecer no Google? Indexar demora dias a semanas depois de submeteres o sitemap. Aparecer em bom lugar para pesquisas com concorrência demora meses, e para um negócio local a ficha do Google Business costuma trazer visitas muito antes de o site trazer.

O Google penaliza sites feitos com IA? Não penaliza pela ferramenta usada. O que o Google despreza é conteúdo genérico sem valor, e esse é o risco real de publicar os textos gerados tal como saem. Reescreve as páginas principais com informação verdadeira do negócio e o problema desaparece.

Em resumo

Criar site com IA é hoje trabalho de uma tarde e deixou de ser a parte difícil. A parte difícil continua a ser saber para que serve a página, escrever o que lá está e levar pessoas até ela. Em Portugal, quatro em cada dez empresas pequenas ainda não têm site e só uma em cada dez usa inteligência artificial, o que quer dizer que a oportunidade está aberta agora e não vai estar sempre.

Se tiveres de guardar três coisas deste artigo, guarda estas. O planeamento decide o site, e é a fase que não se faz dentro de nenhuma ferramenta. A escolha da plataforma é uma decisão de dinheiro, não de tecnologia, e a conta muda ao terceiro cliente. E o site sozinho não traz ninguém — é uma montra, e uma montra só vale pela rua onde está.

Se este caminho te interessa, o passo seguinte é perceber como se traz gente até aos sites que constróis. É isso que fazemos no Mini-Curso de Gestor de Tráfego, que é gratuito.

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