Se não tem utilizado os vídeos do Facebook para monetizar sua Fan Page por conta da facilidade de ter seus conteúdos pirateados, uma nova aquisição da plataforma pode fazê-lo mudar de ideia. O Facebook pode começar a pagar conteúdo aos autores originais e para isso adquiriu a startup Source3, especializada em em catalogar e reconhecer propriedade intelectual de produtores de conteúdo. A aquisição inclui a tecnologia e a equipe da empresa, que já fechou suas contas nas redes sociais e publicou um anúncio em seu site.

Na nota, os quatro integrantes da startup mencionam a missão da empresa no reconhecimento de propriedades intelectuais na área de moda, música, esportes e entretenimento, construindo uma plataforma dedicada a isso e estreitando relacionamentos com diversas marcas. Nenhum detalhe sobre a aquisição pelo Facebook é comentado, mas explicam que estão transferindo sua própria propriedade intelectual, marca e conhecimento para o Facebook e seus usuários.

Essa não é a primeira empreitada dos fundadores da Source3 na área de propriedades intelectuais. O site Recode revelou que dois de seus cofundadores já haviam criado uma plataforma especializada na indústria musical chamada RightsFlow, vendida ao Google em 2011. A startup foi fundada em 2014 para proteção de direitos de propriedade sobre impressões 3D e em 2015 captou $4 milhões em investimentos. Agora, a Source3 deixará de existir e se mudará para o escritório do Facebook em Nova Iorque. Um fluxograma publicado no TechCrunch explicou como a tecnologia da empresa funciona.

Como a tecnologia da Source3 pode ajudar a evitar roubo de conteúdo

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Primeiro, o produto – seja ele um vídeo, texto ou música – passará pela tecnologia de reconhecimento da Source3, que irá cruzar suas informações com o banco de dados da plataforma. A partir daí, quatro resultados podem ser demonstrados:

  • Adicionar à fila de licenciamento: O conteúdo não possui licenciamento prévio e é adicionado à fila de análise para que sua autoria seja reconhecida;
  • Propriedade intelectual existente: O conteúdo já possui registro, mas não se encontra bloqueado para uso;
  • Conteúdo não aprovado: O conteúdo já possui registro e seu autor bloqueou o conteúdo;
  • Não é propriedade intelectual de terceiros: O conteúdo não é de autoria de terceiros.

Como o Facebook pode pagar conteúdo adquirindo uma startup?

O investimento do Facebook na aquisição da startup – os detalhes da negociação não foram revelados – vai de acordo aos esforços feitos pela rede social para trazer mais produtores de conteúdo para sua plataforma. Há dois anos atrás foi lançado o Rights Manager, programa semelhante ao Content ID do YouTube.

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O programa permite a produtores de conteúdo catalogarem e protegerem suas criações, bloqueando ou permitindo a utilização por outras Fan Pages e perfis. É possível que a aquisição da Source3 tenha acontecido justamente para melhorar a qualidade da plataforma. Em abril, o Facebook incluiu uma medida que dá a produtores de conteúdo original duas opções para lidar com o uso não autorizado de suas publicações: bloqueá-los ou receber uma fatia do rendimento gerado pelos anúncios nesses vídeos piratas. Ou seja, o Facebook pode pagar conteúdo desde já, mas a absorção da startup poderá melhorar a verificação dos conteúdos publicados na rede.

Além da aquisição, o Facebook revelou em maio desse ano que tem feito negócios com sites como Buzzfeed e Vox Media para criação de vídeos longos ou séries exclusivas, como revelado pela Fortune. Já no final de junho, o Facebook também anunciou um novo app dedicado à produção de conteúdo em vídeo. Para ajudar produtores a criar vídeos e transmissões ao vivo mais profissionais, o Live Creative Kit terá ferramentas para facilitar a interação com os fãs no Facebook ou Instagram, além de ferramentas para análise de métricas, entre outros. O Live Creative Kit ainda não é o nome oficial do app, que também não tem data de lançamento revelada.

Ou seja, a aquisição da Source3 pelo Facebook parece um passo natural para atrair mais conteúdo original em vídeo para os feeds do Facebook. Com uma tecnologia para melhorar o reconhecimento de propriedade intelectual, o Facebook parece aparar uma aresta que a plataforma tinha dificuldade em cobrir, mas que é um critério importante para produtores de conteúdo profissionais migrarem de mídia social.

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