Quanto cobrar por mês a um cliente? Calcula o valor da tua avença

Esta calculadora diz-te quanto cobrar por mês a um cliente quando trabalhas em avença — aquele valor fixo que recebes todos os meses para tratares de uma coisa em contínuo.

Serve para quem presta serviços recorrentes: gestão de anúncios, redes sociais, manutenção de sites, contabilidade, design. Respondes a quatro perguntas simples, sem precisares de saber quanto tempo cada cliente te leva, e o preço sai das tuas contas, e não de uma tabela que não sabe quanto precisas de ganhar.

O dinheiro que precisas para viver, já depois dos descontos. Põe o número de que precisas, não o que achas razoável pedir.

Quantos clientes de avença contas ter ao mesmo tempo. Se ainda não tens nenhum, põe o número a que queres chegar.

Em média, num dia normal de trabalho. A conta assume 5 dias por semana, ou seja, 22 dias por mês, e divide essas horas pelos teus clientes.

Quem abre atividade pela primeira vez só começa a descontar para a Segurança Social no 1.º dia do 12.º mês.

Responde às quatro perguntas aqui em cima e o preço aparece nesta zona.

O que é uma avença mensal

Avença é um valor fixo que recebes todos os meses de um cliente para tratares de uma coisa em contínuo. Não é um trabalho com princípio, meio e fim, como fazer um site. É um trabalho que não acaba: gerir os anúncios, tratar das redes, manter o site de pé, fazer a contabilidade.

Do lado legal, uma avença é um contrato de prestação de serviços. Tu não és funcionário do cliente. Emites recibo verde, ele paga, e vocês dois combinam o que está incluído e o que não está.

Do lado do dinheiro, é a melhor coisa que pode acontecer a quem presta serviços. Um trabalho por projeto vende-se uma vez. Uma avença vende-se uma vez e paga-se doze. É a diferença entre acordar todos os meses à procura de clientes e acordar já com metade do mês pago.

Como calcular o valor da avença

A conta é mais simples do que parece, e faz-se de trás para a frente.

  1. Dizes quanto queres receber limpo todos os meses.
  2. A calculadora sobe esse valor até à faturação que precisas de emitir, porque a Segurança Social sai do meio.
  3. Divide a faturação necessária pelo número de clientes com que queres trabalhar. O resultado é a avença.
  4. Transforma as tuas horas por dia em horas por mês (22 dias úteis) e divide-as pelos clientes, para veres quantas horas por mês cada um recebe de ti.

Repara no que isto quer dizer: o preço não vem de uma tabela. Vem de coisas tuas — do que precisas de ganhar, de quantos clientes queres e de quantas horas por dia queres trabalhar. Duas pessoas a fazer exatamente o mesmo serviço chegam a preços diferentes, e ambas estão certas.

Porque não deves copiar o valor da avença dos outros

A pergunta que toda a gente faz é «quanto é que se costuma cobrar por isto». É a pergunta errada, por dois motivos.

O primeiro é que ninguém sabe. Não há uma tabela oficial de avenças em Portugal. O que há são valores que as pessoas ouvem dizer num grupo de Facebook e repetem.

O segundo é mais importante: mesmo que existisse essa tabela, ela não sabe quanto tu precisas de ganhar, quantas horas tens livres, nem quanto tempo aquele cliente te vai comer. Um preço que funciona para quem trabalha 40 horas por semana não funciona para quem tem um emprego e faz isto ao serão.

Por isso é que aqui a conta começa em ti. O que os outros cobram serve para uma coisa só: perceberes se estás muito fora da realidade do mercado. Não para definires o preço.

Quantas horas por mês vais dar a cada cliente

A calculadora não te pergunta quanto tempo cada cliente te leva, porque quase ninguém sabe. Pergunta-te quantas horas por dia queres trabalhar, conta 22 dias por mês e divide pelos clientes. O número que sai é o tempo que cada cliente pode receber de ti.

Olha bem para esse número antes de fechares o preço, porque um cliente consome sempre mais do que o trabalho em si. Além dos anúncios ou das publicações, há:

  • a reunião mensal, que estava marcada para 30 minutos e durou uma hora e meia;
  • o relatório, que ninguém lê mas que tens de fazer na mesma;
  • as mensagens a meio da tarde, que não demoram nada mas te tiram do trabalho e te obrigam a voltar ao princípio;
  • a conta que foi abaixo num domingo;
  • o tempo a pedir ao cliente os materiais que ele prometeu há duas semanas.

Se as horas por cliente que a calculadora te mostra não chegam para tudo isto, tens duas saídas: menos clientes a pagar mais cada um, ou mais horas por dia. O que não dá é fingir que o tempo estica.

E repara que as horas que pões são só as de trabalho para clientes. Propostas, faturas e procurar clientes novos vêm por cima, e fazem parte de ter um negócio.

Contrato de avença: tens direito a férias?

Não, e é bom que isto fique claro antes de assinares seja o que for. Férias pagas, subsídio de férias, subsídio de Natal e indemnização por despedimento são direitos de quem tem contrato de trabalho. Numa avença, tu não tens contrato de trabalho — tens um contrato de prestação de serviços.

Na prática, quer dizer o seguinte: o mês em que fores de férias continua a ter de ser trabalhado, ou combinas com o cliente que nesse mês entregas menos. E é por isso que o preço tem de já contar com isso — o teu valor por hora não é o de quem recebe catorze meses.

Há uma exceção importante, e é ao contrário do que as pessoas pensam. Se a tua avença for, na verdade, um emprego disfarçado — horário fixo, ordens diretas, ferramentas do cliente, exclusividade, lugar na secretária deles — a lei portuguesa pode considerar que existe ali um contrato de trabalho, mesmo que o papel diga avença. Chama-se presunção de laboralidade. Se achas que é o teu caso, fala com um advogado, porque isso muda tudo o que tens direito a receber.

A leitura honesta é esta: numa avença a sério, tu és um negócio a falar com outro negócio. Não tens as proteções de funcionário, e em troca não tens as limitações de funcionário.

Contrato de avença ou de tarefa: qual é a diferença

Esta confusão vem quase sempre de quem está a tentar trabalhar com o Estado, mas a distinção serve para todos.

A tarefa é um trabalho concreto com fim à vista: fazer aquele site, aquela campanha, aquele relatório. Combina-se um resultado, um prazo e um preço. Quando entregas, acabou.

A avença é uma prestação continuada com valor certo por mês. Não se combina um resultado único, combina-se estar disponível e tratar daquilo enquanto o contrato durar.

Para ti, o que interessa é a consequência no dinheiro. A tarefa dá-te um valor maior de uma vez e depois silêncio. A avença dá-te menos de cada vez e todos os meses. Um negócio que só vive de tarefas anda sempre a começar do zero.

Quanto cobrar quando o cliente quer vários serviços e tem um só orçamento

É das situações que mais aparece: «preciso de anúncios, de redes sociais e de alguém que me trate do site, e tenho X por mês».

A tentação é dizer que sim a tudo por esse X. Não faças isso. Faz assim:

  1. Põe na calculadora as horas de cada serviço em separado. Vais ver que os três juntos são muitas horas.
  2. Se o X do cliente não paga as três, diz-lhe exatamente isso, com números: «com esse valor consigo fazer bem uma destas coisas, não três».
  3. Pergunta qual é a que traz dinheiro mais depressa, e começa só por essa.
  4. Combina desde já que as outras entram quando o resultado da primeira as pagar.

Isto não te faz perder o cliente. Faz-te ganhar um cliente que percebe o que está a comprar — e que em três meses está a pagar mais, porque a primeira parte funcionou. O que te faz perder clientes é dizer que sim às três, fazer as três mal, e ser despedido ao quarto mês.

Quanto cobrar ao teu primeiro cliente

Põe os teus números na calculadora e cobra o que ela disser. É a resposta chata, mas é a certa.

O erro clássico do primeiro cliente é cobrar pouco «para ganhar experiência». O problema é que o preço baixo não fica no primeiro cliente: fica em ti. Passa a ser a tua referência, e depois é esse valor que te sai da boca quando o segundo cliente pergunta. Subir um preço a um cliente que já tens é das conversas mais difíceis que existem.

Se quiseres mesmo facilitar no arranque, não baixes o preço. Faz uma destas:

  • dá o primeiro mês com um valor mais baixo, mas escrito no contrato que sobe no segundo;
  • reduz o que está incluído, mantendo o preço por hora;
  • pede em troca um testemunho e autorização para mostrares os resultados.

Avença mensal ou preço por projeto: qual escolher

Depende de uma coisa só: o trabalho acaba ou não acaba?

Se acaba — um site, um logótipo, uma campanha de lançamento — é projeto. Meter isso em avença é pagares para trabalhar, porque o esforço está todo no princípio e o dinheiro vem aos bocadinhos.

Se não acaba — gerir, manter, acompanhar, otimizar — é avença. Vender isso por projeto é condenares-te a ter de vender outra vez daqui a seis semanas.

A combinação que funciona bem é fazer os dois: o projeto inicial pago à parte, e a avença a começar quando o projeto entra no ar. O cliente percebe, porque são de facto duas coisas diferentes.

Contrato de avença: precisas de o ter por escrito e o que deve ter

A lei não te obriga a ter um contrato de avença por escrito. A experiência obriga. Um contrato de meia página evita noventa por cento das discussões, e a discussão que vais ter sem ele é sempre sobre dinheiro.

O mínimo que tem de lá estar:

  • O que está incluído, escrito com números. Não «gestão de redes sociais», mas «doze publicações por mês e resposta a mensagens em dias úteis».
  • O que não está incluído, e quanto custa se o cliente quiser. Esta linha vale ouro.
  • O valor e o dia do pagamento. Avença paga-se adiantada, no início do mês. É o padrão e é o que te protege.
  • Duração e aviso prévio, dos dois lados. Trinta dias é o habitual.
  • Quem é dono do quê: contas de anúncios, acessos, ficheiros, domínio.

Há minutas de contrato de avença a circular pela internet. Servem para te dares uma ideia da estrutura, mas antes de assinares alguma coisa que te vincula durante um ano, mostra-a a um advogado ou ao teu contabilista.

Quanto tens de faturar a recibos verdes para receberes esse valor limpo

Quem vem de um trabalho por conta de outrem está habituado a ver o líquido. A recibos verdes, o número que te interessa é o de cima, e a distância entre os dois surpreende sempre.

A calculadora já faz esta ponte por ti. Desconta a contribuição para a Segurança Social, que é 21,4% sobre 70% do que faturas, com o mínimo de 20 € e um teto. Se estiveres no primeiro ano de atividade, não desconta nada, porque tens doze meses de isenção.

O que ela não faz é o IRS, e há uma razão: o IRS não é um custo da avença, é um acerto anual que depende do teu agregado, das tuas deduções e de tudo o resto que ganhaste no ano. Se queres ver o teu caso todo, com IRS e retenção na fonte, usa o simulador de recibos verdes.

Vantagens de trabalhar por avenças: o lado que ninguém te conta

Até aqui só falámos do que não tens: férias pagas, subsídios, a segurança de saber que no dia 25 entra sempre o mesmo. Isso é verdade e é justo que o saibas.

Mas há um outro lado, e esse não aparece em lado nenhum.

Não tens teto. Num emprego, o teu máximo está escrito no contrato e muda quando a empresa quiser. Aqui, o máximo é o número de clientes que consigas servir bem. A tabela ali em cima mostra-te isso a preto e branco: a diferença entre três e dez clientes não é de graus, é de vida.

Não vendes vezes sem conta. Um cliente de avença assina uma vez e paga doze. Ao fim de um ano com cinco avenças, começas janeiro com o ano já parcialmente resolvido. Nenhum trabalho por projeto te dá isso.

Podes deixar de ser só tu. Chega uma altura em que as horas acabam — e aí, ou sobes o preço, ou passas parte do trabalho a outra pessoa. Um funcionário não tem essa saída; tu tens as duas.

Decides com quem trabalhas. É a coisa que mais custa explicar a quem nunca prestou serviços: poderes dizer que não a um cliente é um bem que não tem preço, e é uma coisa que ninguém com um patrão pode fazer.

O risco reparte-se. Toda a gente diz que ter cinco clientes é mais arriscado do que ter um emprego. É ao contrário. Com um emprego, tens um cliente só — e se ele te dispensa, ficas a zero de um dia para o outro. Com cinco avenças, perder uma é um mês mau, não é o fim.

Não é para toda a gente, e não vou dizer que é fácil. Mas se a conversa que tens contigo é «será que arrisco», o que a calculadora acima te dá é a parte que faltava: o número. Deixas de decidir com medo e passas a decidir com contas.

Perguntas frequentes sobre avenças

Posso ter avenças e um emprego ao mesmo tempo?

Podes. Se já descontas pelo emprego, as regras da Segurança Social mudam a teu favor, e há um patamar abaixo do qual não pagas contribuição nenhuma pelo lado dos recibos verdes. Essa parte está tratada no simulador de recibos verdes.

Tenho de cobrar IVA na avença?

Enquanto faturares menos de 15 000 € por ano, podes ficar isento ao abrigo do artigo 53.º do Código do IVA. Acima disso, o IVA entra na fatura — sai do bolso do cliente, não do teu, mas o preço parece maior e convém avisá-lo antes.

O cliente desconta-me alguma coisa quando me paga?

Se for uma empresa ou um profissional com contabilidade organizada, sim: retém 23% de IRS e entrega-o ao Estado por ti. Não é dinheiro perdido, é adiantamento — acerta-se na declaração. Se quem te paga for um particular, não retém nada.

E se o cliente atrasar o pagamento?

Por isso é que a avença se cobra adiantada. Se já estás a trabalhar e ele não pagou, para. Continuar a entregar ensina ao cliente que o prazo é uma sugestão.

Devo dar desconto a quem assina um ano?

Podes, mas cobra o ano adiantado ou em prestações com compromisso escrito. Desconto em troca de uma promessa não é desconto, é prejuízo com um nome simpático.

E agora, onde vais buscar os clientes?

Já sabes quanto cobrar. Esta página não te diz a outra metade da conta: quem te vai pagar esse valor todos os meses.

É aí que a maior parte das pessoas fica parada. O preço resolve-se com uma calculadora; os clientes resolvem-se com um serviço que as empresas precisem todos os meses e com uma forma de chegar a elas. É disso que trata o resto deste site.