Se estás à procura de como um professor pode ganhar dinheiro extra em Portugal, este artigo foi feito para ti. Vais ver quanto te fica de facto ao fim do mês, o que a lei te deixa fazer fora da escola e o que te obriga a pedir, cinco formas de ganhar mais com o que já sabes fazer, e a história de dois professores que o conseguiram sem largar as aulas.

Começo pelo número que explica porque estás aqui. No 1.º escalão da carreira, um professor ganha 1 770,69 € brutos. Depois do IRS, da CGA (a Caixa Geral de Aposentações, que é a reforma dos funcionários públicos) e da ADSE (o subsistema de saúde), ficam-lhe entre 1 260 € e 1 514 €, conforme a situação familiar. A razão está nos números: segundo a OCDE, o salário real dos professores do básico em Portugal caiu 1,8% entre 2015 e 2024, enquanto na média da OCDE subiu 14,6%. Quem sente que trabalha demais para o que recebe tem a maioria do lado: numa consulta da FNE a 4 638 docentes, em junho de 2025, 95,8% disseram exatamente isso.

Nota: Se estás a pensar em trabalhar com o digital, conhece o nosso Mini-Curso de Gestor de Tráfego. É gratuito e mostra-te como funciona a profissão de gestor de tráfego.

Quanto ganha um professor em Portugal em 2026, líquido

A tabela de 2026 (Decreto-Lei n.º 29-A/2026) vai de 1 770,69 € brutos no 1.º escalão a 3 770,19 € no 10.º, segundo o Sindicato S.TO.P.. Um professor contratado recebe pelo índice do 1.º escalão, proporcional ao horário, e só passa ao índice seguinte (1 967,25 €) ao fim de 1 461 dias de serviço, conforme a DGAE.

Em dinheiro na conta, as tabelas líquidas do SPN/FENPROF para 2026 dão isto para o 1.º escalão: 1 260,94 € para quem não é casado e não tem filhos, 1 513,94 € para casado com dois titulares. Descontos: IRS, 11% para a CGA e 3,5% para a ADSE. Escalão a escalão, fica assim:

EscalãoÍndiceBruto/mêsLíquido/mês (não casado, sem filhos)
1.º1671 770,69 €1 260,94 €
2.º1881 967,25 €1 369,00 €
3.º2052 130,01 €1 454,16 €
4.º2182 254,47 €1 514,57 €
5.º2352 417,23 €1 595,73 €
6.º2452 512,96 €1 641,58 €
7.º2722 773,83 €1 763,62 €
8.º2993 046,74 €1 890,96 €
9.º3403 464,52 €2 083,16 €
10.º3703 770,19 €2 222,51 €

Valores de 2026 para o continente, com IRS, CGA e ADSE descontados, segundo as tabelas do SPN/FENPROF. Quem é casado com dois titulares ou tem filhos fica com um pouco mais no 1.º escalão (1 513,94 € para casado sem filhos).

Guarda o teu número, porque vais precisar dele mais à frente. Tudo o que ganhares fora da escola compara-se com ele, e há uma calculadora para isso.

Um professor pode ter outro emprego? O que a lei diz

Pode, com uma condição que muita gente ignora: precisa de pedir autorização antes. A docência pública rege-se pelo princípio da exclusividade, e a acumulação de qualquer atividade, pública ou privada, carece de autorização prévia. Está na Lei Geral do Trabalho em Funções Públicas (artigos 21.º a 23.º), no Estatuto da Carreira Docente (artigo 111.º) e na Portaria n.º 814/2005, que é a que trata dos professores em concreto. Os professores contratados a termo estão sujeitos às mesmas regras.

O que a Portaria diz, em português corrente:

  • O horário não pode coincidir com o teu horário na escola, e a atividade não pode pôr em causa a tua isenção.
  • Dar explicações ou apoio educativo a alunos da tua escola ou do teu agrupamento é sempre proibido (artigo 3.º, alínea e). A alunos de outras escolas é permitido.
  • Nunca é autorizado trabalhar para editoras ou empresas de material didático (fora os direitos de autor), nem vender seja o que for à tua própria escola ou ao círculo dos teus alunos (artigo 4.º).
  • Dar aulas ou formação noutro sítio tem um limite de horas letivas por semana. Atividades que não sejam docência, como prestar serviços a recibos verdes, não têm limite de horas, mas precisam da mesma autorização.
  • Não conta como acumulação, e por isso não precisa de pedido: criação artística e literária, palestras e conferências de curta duração, elaborar provas de exame.

O pedido faz-se por requerimento, com o local, o horário, a remuneração e a natureza da atividade (por conta própria ou por conta de outrem), entregue na tua escola pela plataforma da DGAE (a Direção-Geral da Administração Escolar). Acumular sem autorização é infração disciplinar (artigo 9.º). Não vale a pena o risco: o pedido é simples, e a recusa só acontece se falhares uma das regras acima. Se quiseres ver as regras gerais para toda a função pública, com exemplos, escrevi um guia sobre a acumulação de funções na função pública.

Como um professor pode ganhar dinheiro extra: 5 formas sem sair da escola

Vou por ordem: da que mais recomendo para a que menos recomendo. Em todas, o critério é o mesmo: quanto paga por hora, se cresce com o tempo, e se depende de ti estar presente.

1. Gestão de tráfego: anúncios para negócios locais

É a que ensino e a que recomendo primeiro, por uma razão simples: os professores já treinam todos os dias as duas coisas que esta profissão exige: explicar, e trabalhar sozinhos com um plano. Gerir anúncios no Facebook, no Instagram e no Google para uma clínica, um restaurante ou um ginásio é aprender a ferramenta, perceber o negócio do cliente e acompanhar os números todas as semanas. Faz-se de casa, ao fim do dia, e paga-se todos os meses: um gestor de tráfego a começar em Portugal cobra por volta de 200 € por cliente por mês, e os mais experientes 500 a 800 €, como explico em quanto ganha um gestor de tráfego. Cinco clientes a 200 € são 1 000 € por mês, ao lado do ordenado da escola.

O trabalho, semana a semana, é este: uma reunião curta com o cliente para perceber o que ele vende e a quem, montar as campanhas, e depois acompanhar os números (quanto custou cada contacto, que anúncio funciona, o que pausar). Nenhum cliente precisa de ti a horas fixas, e é por isso que encaixa num horário de professor: uma hora ao fim do dia chega para dois ou três clientes. Os primeiros costumam vir de quem já conheces: a clínica onde vais, o restaurante do amigo, os pais de alunos de outras escolas que têm negócios.

Mais à frente conto-te dois casos de alunos meus que eram professores e hoje ganham mais no digital do que ganhavam com a escola.

2. Explicações, mas a alunos de outras escolas

É o caminho mais óbvio e continua a ser bom, desde que respeites a regra: nunca a alunos da tua escola. Os preços subiram: segundo a Fixando, citada pelo JN em janeiro de 2026, a hora de explicação passou de 15,50 € para 17 € em média, chega aos 21 € nalgumas disciplinas, e a procura cresceu 41% num ano, com a plataforma a falar em falta de explicadores. O limite deste caminho é o teu tempo: cada hora paga é uma hora tua, e não há forma de a multiplicar.

3. Conteúdos e cursos online na tua disciplina

Há professores portugueses a fazer isto à vista de todos. A Marta Rodrigues, professora de Português num colégio de Gondomar, tem mais de 50 mil seguidores no TikTok a ensinar gramática com músicas. A “Portuguese With Anita”, ex-diretora pedagógica no Algarve, tem mais de 70 mil seguidores, cursos online, podcast e livros de atividades. A vantagem sobre as explicações: gravas uma vez e vendes muitas vezes. A desvantagem: demora meses a construir audiência antes de render um euro, e o que ganhas em cursos e patrocínios só se sabe caso a caso.

4. Ensinar português a estrangeiros, online

Portugal enche-se de gente que precisa de aprender a língua, e as plataformas de aulas online têm milhares de tutores de português. Nessas plataformas é o tutor que define o preço, e os valores praticados por professores portugueses andam na ordem dos das explicações acima. É uma explicação como as outras, com uma diferença: o mercado é o mundo, e o fuso horário ajuda quem só tem as noites livres.

5. Gestão de redes sociais de negócios locais

Muitos negócios da tua zona não têm ninguém a tratar do Instagram e do Facebook. Um professor com jeito para comunicar consegue fazer isto para dois ou três clientes ao fim do dia. Os valores para quem começa andam entre 150 € e 300 € por cliente por mês, como explico no artigo sobre preços de gestão de redes sociais em Portugal. Costuma ser a porta de entrada para a gestão de tráfego, porque os mesmos clientes acabam por pedir anúncios.

Repara na diferença entre a primeira e as outras: nas explicações e nas aulas de português, vendes horas, e o teto é o número de horas que tens. Na gestão de tráfego e nas redes sociais, vendes um resultado por mês, e o teto é o número de clientes que consegues servir. É por isso que a primeira está em primeiro.

Dois professores que já o fazem

O Sérgio e a Inês, na Madeira. O Sérgio tem 47 anos e é professor de matemática e ciências do 2.º ciclo. A Inês, a mulher dele, também é professora. Ele desconfiou ao início (“isto não me cheira bem”, disse quando a Inês lhe mostrou a imersão) e o que o convenceu foi ouvir que dava trabalho. O primeiro cliente foi a esteticista da Inês, duas semanas depois de entrarem na mentoria, e fecharam-no antes de saberem fazer o serviço. Sete meses depois, a part-time, sem largar a escola nenhum dos dois, faturavam 2 060 € por mês com cinco clientes na Madeira e no continente, ela no comercial e ele na parte técnica. Contaram a história numa live que podes ver no início deste artigo, e os 2 060 € que ganham a part-time ficam acima do líquido de qualquer escalão até ao 5.º.

O Hugo, em Portimão. Vinte anos a dar História. No confinamento de 2020, com os alunos do outro lado do ecrã e os filhos em casa, viu o que o incomodava: “estava a dedicar muito mais energia aos filhos dos outros, e ao mesmo tempo tinha os meus filhos ali, agarrados à televisão”. O maior obstáculo dele foi vender: “a imagem que eu tinha do vendedor era a do vendedor da banha da cobra, e nós nunca conseguimos tornar-nos alguém que repudiamos”. Tratou-se como tratava os alunos, com um plano e paciência, e quando contou a história no LLCast faturava cerca de 2 500 € por mês com gestão de tráfego, sem ter deixado de dar aulas. Podes ouvi-lo na entrevista completa do LLCast. A frase dele que mais vale para quem está a ler isto: “nós somos mais do que a nossa profissão. Se esta opção que tomei há 20 anos não concretiza os objetivos que tenho para a minha vida, temos de ir à procura de outras opções.”

Os dois têm uma coisa em comum: nenhum largou a escola para começar. Começaram ao lado, com o ordenado a pagar as contas enquanto aprendiam. Há mais casos assim, de outras profissões, na página com as opiniões e os resultados dos meus alunos.

Por onde começar, na prática

  1. Faz a tua conta. Quanto te fica da escola e quanto precisas a mais. A calculadora compensa trabalhar a recibos verdes mostra-te quanto terias de faturar por conta própria para igualar o que ganhas hoje, e serve também para perceberes quanto vale cada hora tua.
  2. Escolhe uma das cinco. Uma. A que combina com o teu tempo livre e com a tua disciplina.
  3. Pede a autorização de acumulação na escola antes do primeiro euro. Leva o local, o horário e o tipo de atividade.
  4. Abre atividade nas Finanças quando tiveres o primeiro cliente. No primeiro ano não pagas Segurança Social como independente, e enquanto o rendimento da atividade ficar abaixo de 2 148,52 € por mês continuas isento, porque já descontas pela escola.
  5. Arranja o primeiro cliente entre quem conheces. O Sérgio e a Inês começaram pela esteticista dela. A tua lista de contactos tem donos de negócios, pais de alunos de outras escolas, amigos com lojas.
  6. Mede ao fim de três meses. Quanto ganhaste, quantas horas gastaste, se queres continuar. Só depois decides se cresces ou se mudas de opção.

Perguntas frequentes

Um professor pode dar explicações?

Pode, com autorização de acumulação e nunca a alunos da sua escola ou agrupamento. As explicações têm de ser fora do horário letivo e passam recibo como qualquer prestação de serviços.

Um professor pode passar recibos verdes?

Pode. Precisa de abrir atividade nas Finanças e de ter a acumulação de funções autorizada. Enquanto o rendimento relevante da atividade for inferior a 2 148,52 € por mês, fica isento de contribuições para a Segurança Social como independente, porque já desconta pela escola.

Quanto ganha um professor em Portugal, líquido?

No 1.º escalão, em 2026, entre 1 260,94 € e 1 513,94 € por mês, conforme o estado civil e o número de titulares, sobre 1 770,69 € brutos. No 10.º escalão, o bruto é 3 770,19 €.

Quantas horas pode um professor acumular?

Para funções docentes ou de formação noutro estabelecimento há um limite de horas letivas por semana. Para atividades que não sejam docência, como serviços a recibos verdes, a lei não fixa limite de horas, mas a autorização continua a ser obrigatória e os horários não podem coincidir.

Vale a pena um professor mudar de carreira para o digital?

Não precisas de decidir isso hoje. Os dois professores deste artigo começaram ao lado da escola e só depois escolheram. Se a pergunta te persegue, escrevi sobre mudar de carreira depois dos 30, com os filtros a aplicar antes de dares o salto.

O que fica

Como um professor pode ganhar dinheiro extra? Já sabe explicar e trabalhar sozinho, e isso vale dinheiro fora da escola, desde que peça autorização e não o faça aos próprios alunos. Começa por uma das cinco, com o ordenado a segurar as contas, como fizeram o Sérgio, a Inês e o Hugo.


Fontes: S.TO.P., tabela de vencimentos docentes 2026 · DGAE, carreira dos contratados · SPN/FENPROF, vencimentos líquidos 2026 · DGAE, acumulação de funções · FNE, consulta nacional 2025 · JN, preços das explicações 2026.

Mini-Curso Gestor de Tráfego

Aprenda a dar os primeiros passos numa das profissões que mais cresce em Portugal.

    Descubra como pessoas que sabiam ZERO sobre Marketing Digital conseguiram através de uma profissão mudar de vida e conquistar ganhos de mais 1000 euros por mês