Quanto cobrar por um site
Esta calculadora diz-te por quanto tens de vender um site para viveres disso. Respondes a quatro perguntas sobre a tua vida e o preço sai das tuas contas, e não de uma tabela da internet que não sabe quanto precisas de ganhar nem quanto tempo tens.
Serve sobretudo para quem está a pensar em começar: ainda não fez sites para clientes, não sabe quanto demora nem quanto cobrar, e quer perceber se a conta fecha antes de se meter nisto.
O dinheiro que queres mesmo ter para viver, já depois dos descontos. Põe o número de que precisas, e não o que achas que é razoável pedir.
As despesas que tens mesmo que não apareça nenhum cliente: alojamento, software, contabilista, o computador diluído ao longo dos anos. O que gastares num site específico, como o domínio, cobras ao cliente e não entra aqui. Se ainda não fazes ideia, começa por 50 €.
Só as horas de mãos no trabalho. Responder a mensagens, fazer orçamentos, procurar clientes e aprender coisas novas não entram aqui — e ocupam mais do que se pensa. Quem trabalha sozinho a tempo inteiro costuma chegar a 20 ou 25.
Esta é uma pergunta de negócio, e não de trabalho: quantos clientes achas que vais conseguir arranjar. Se estás a começar, um por mês já é bom. Podes mexer neste número e ver o preço mudar.
Responde às quatro perguntas aqui em cima e o preço aparece nesta zona.
Para viveres disto, vendendo 2 sites por mês
900 € por site
Abaixo deste valor não chegas ao que querias ganhar.
Fazes o site. E depois, quem traz os clientes?
Quem faz sites está a um passo de gerir os anúncios desses mesmos clientes — e isso paga-se todos os meses, em vez de uma vez por projeto. É a diferença entre procurar o próximo cliente e ter os que já tens a pagar-te sozinhos.
0 €
é quanto vale uma hora tua
0 €
tens de faturar por mês
0
horas de trabalho de cliente por mês
E se vendesses mais, ou menos?
O preço de um site depende de quantos consegues vender. Vende poucos e cada um tem de pagar o mês todo; vende muitos e cada um pode ser barato — se tiveres tempo para os fazer.
| Se venderes | Tens de cobrar | E tens para cada site |
|---|
Estes valores assumem o cenário mais exigente: que já passaste o primeiro ano de atividade e que fazer sites é o teu único trabalho. Se estiveres no primeiro ano, não descontas para a Segurança Social até ao 12.º mês. Se mantiveres um emprego onde já descontas, ficas isento enquanto o teu rendimento relevante for inferior a 2 148,52 € por mês. Nos dois casos precisas de faturar bastante menos para ficar com o mesmo — a conta aqui em cima erra de propósito para o lado seguro.
Queres o número ao cêntimo, com a tua situação?
Abrir o simulador de recibos verdes
Alguma conta não bate certo? Avisa-me.
Vão também os valores que preencheste, para eu poder repetir a conta e perceber o que se passou. Mais nada.
Sobre os impostos nesta conta: a faturação necessária já inclui a contribuição para a Segurança Social (21,4% sobre 70% do rendimento, o mesmo que 14,98% do que faturas), segundo o Guia Prático do Novo Regime dos Trabalhadores Independentes (ISS, 1009 v1.09). Não inclui o IRS, que só se acerta na declaração anual e depende do teu escalão e das tuas despesas. Para veres o que te fica na mão mês a mês, usa o simulador de recibos verdes. Regras verificadas em setembro de 2026.
Quanto tempo demora fazer um site?
Não te vou dar um número, porque a pergunta esconde duas perguntas diferentes.
Horas de trabalho é uma coisa. Semanas de calendário é outra completamente diferente — e é aí que está a armadilha.
Um site que te dá 40 horas de trabalho não demora uma semana. Demora o tempo que o cliente levar a mandar-te os textos, as fotografias, o logótipo em condições, e a responder ao e-mail em que lhe perguntaste se prefere o azul ou o verde. É normal um projeto de 40 horas arrastar-se por dois meses, e a culpa raramente é de quem o está a fazer.
Repara que esta calculadora também não te pergunta isso. Pergunta-te quantos sites achas que consegues vender, e devolve-te quantas horas sobram para cada um. É ao contrário de propósito: tu consegues estimar quantos clientes arranjas, mas não consegues estimar quanto demora uma coisa que nunca fizeste.
Depois olhas para o número de horas que te saiu e fazes a única pergunta que interessa: com este tempo, consigo entregar um site de que me orgulhe? Se a resposta for não, baixa o número de sites e vê o preço subir.
É legítimo um site demorar meses?
É, desde que a demora tenha dono. E a maneira de lhe dar dono é escrevê-lo antes de começar.
Diz ao cliente, por escrito e no início: o prazo conta a partir do dia em que receberes tudo o que precisas dele. Se os textos chegarem três semanas depois, o prazo anda três semanas para a frente. Não é uma desculpa — é a única forma de um prazo significar alguma coisa quando metade do trabalho depende de outra pessoa.
O erro clássico de quem começa é prometer duas semanas para parecer rápido, e depois passar dois meses a pedir desculpa por um atraso que não causou. Combinado à partida, deixa de ser problema.
Quem paga o domínio e o alojamento do site?
É a primeira discussão que aparece, e resolve-se antes de começar o trabalho.
O domínio deve ficar em nome do cliente. É a morada dele na internet e, se um dia se separarem, ele fica sem nada e tu ficas com uma chatice que não te paga. Regista-o com os dados dele, com o cartão dele, ou pede-lhe que o faça e te dê acesso. Um domínio em teu nome parece prático agora e é um problema daqui a dois anos.
O alojamento tens duas formas de o fazer. Ou o cliente contrata e tu geres, ou contratas tu e cobras-lhe todos os meses. A segunda dá-te uma receita que se repete, mas atenção: passa a ser tua a responsabilidade quando o site ficar em baixo às três da manhã.
O que não podes é pagar do teu bolso e esquecer-te de o incluir na conta. Se o alojamento te custa 8 € por mês e tu não o cobras, ao fim de um ano ofereceste 96 € a um cliente que nem deu por isso.
Deves cobrar manutenção do site?
Sim, e é provavelmente a decisão que mais muda o teu negócio.
Um site não fica pronto no dia da entrega. Precisa de atualizações, cópias de segurança, de alguém que trate dele quando um plugin parte a página, e de pequenas alterações que o cliente vai pedir de qualquer maneira — com ou sem contrato.
Sem manutenção, cada mês começa do zero: se não vendes um site novo, não recebes nada. Com manutenção, chegas ao fim do ano com uma base que entra todos os meses, e isso é o que separa quem faz sites à peça de quem tem um negócio.
Define por escrito o que está incluído — normalmente atualizações, cópias, alojamento se for o teu caso, e um limite de alterações pequenas por mês. E define o que fica de fora, que é tudo o que seja página nova ou funcionalidade nova. Sem essa linha, a manutenção transforma-se em trabalho infinito ao preço de um café.
Precisas de passar fatura para fazer um site?
Sim. A partir do momento em que alguém te paga por um trabalho, tens de emitir o recibo — e para isso precisas de ter atividade aberta nas Finanças.
Não é uma formalidade que se adia para quando “o negócio arrancar”. O cliente que te paga quer o documento para a contabilidade dele, e sem ele muitas empresas simplesmente não te contratam.
Quanto te fica na mão depois disso é outra conversa, e tens o simulador de recibos verdes para a fazer.
Porque é que o preço de um site não é o teu salário a dividir pelas horas
É a conta que quase toda a gente faz ao começar: quero ganhar 1 500 € por mês, trabalho 160 horas, logo valho 9,40 € à hora. E depois não percebe porque é que ao fim do ano não sobrou nada.
Faltam três coisas nessa conta. As horas que ninguém te paga, as despesas que tens mesmo sem clientes, e os descontos que um empregado nem vê porque a empresa trata deles. É por isso que esta calculadora faz sete perguntas em vez de duas.
As horas que o cliente não te paga, e que o preço do site tem de cobrir
Quando trabalhas para ti, uma parte grande do dia não é trabalho de cliente. É responder a mensagens, escrever orçamentos que às vezes não dão em nada, procurar quem te contrate, tratar de faturas, aprender a ferramenta nova.
Essas horas existem e têm de ser pagas por alguém. Como não há ninguém a quem as cobrar, são pagas pelas horas que faturas — o que quer dizer que o preço da tua hora de trabalho tem de as cobrir todas.
A pergunta desta calculadora é só sobre as horas em que estás mesmo a mexer no site de um cliente. A recomendação que aparece repetida nas ferramentas internacionais é a mesma: conta o teu tempo durante um mês antes de confiares no número que escreveste. Quase toda a gente se engana para cima.
Que despesas tens quando vives de fazer sites
São os custos que existem mesmo que não apareça um único cliente. Num negócio de fazer sites, costumam ser:
- Alojamento e domínios que ficam em teu nome
- Software e subscrições: editor, imagens, ferramentas de design
- Contabilista, que a partir de certo ponto compensa
- Computador e equipamento, diluídos pelos anos que duram
- Internet e telemóvel, na parte que é de trabalho
- Formação
O que gastas num projeto concreto — o domínio daquele cliente, um template, fotografias — não entra aqui. Isso cobra-se ao cliente por cima do preço.
Porque é que esta conta assume 52 semanas de trabalho
Esta calculadora assume que trabalhas as 52 semanas do ano. Não é por distração: nesta área quase ninguém para mesmo. Quem vai de férias costuma adiantar trabalho antes, ou leva o portátil.
Se parares a sério, o preço por site não muda — o que muda é o tempo que tens para cada um. Com quatro semanas de folga, as tuas horas por mês descem cerca de 8%, e por isso cabem menos sites no teu ano. A conta para resolver isso é a mesma de sempre: vender menos sites e cobrar mais por cada um.
O que não podes é parar sem ter contado com isso. O mês em que não trabalhas continua a ter renda, e a Segurança Social continua a ser cobrada.
Quanto te tira a Segurança Social por cada site
A recibos verdes, a contribuição é 21,4% sobre 70% do que faturas, o que dá perto de 15 cêntimos por cada euro. Não é o cliente que a paga: entra-te na conta e és tu que a entregas, entre o dia 10 e o dia 20 do mês seguinte.
É por isso que esta calculadora te pergunta quanto queres ficar na mão e não quanto queres faturar. Para te ficarem 1 500 €, tens de faturar bastante mais do que 1 500 €.
Há um mínimo: mesmo num mês sem faturar nada, pagas 20 €. E há um tecto, a partir do qual não desconta mais.
No primeiro ano, ou com emprego, podes cobrar menos
Duas situações mudam a conta por completo, e a calculadora não te pergunta por elas de propósito: assume sempre o pior dos casos, para não te dizer que podes cobrar menos do que deves.
Primeiro ano de atividade
Quem abre atividade pela primeira vez só começa a descontar no 1.º dia do 12.º mês. Durante esse primeiro ano ficas com tudo o que faturas, tirando o IRS. É bom para arrancar, e é traiçoeiro: no 12.º mês aparece uma despesa que não existia, e quem não contou com ela leva um valente susto.
Manter o emprego
Se fizeres sites ao lado de um trabalho onde já descontas, ficas isento de contribuir como independente enquanto o teu rendimento relevante for inferior a 2 148,52 € por mês — o que dá uns 3 069 € de faturação. Acima disso, só descontas sobre a parte que passa.
Para quem está a começar em part-time, isto muda tudo: nos primeiros tempos, cada euro faturado é quase todo teu.
A partir de quando tens de cobrar IVA nos teus sites
Enquanto faturares até 15 000 € por ano, os teus recibos saem sem IVA. Passado esse valor, acrescentas 23% a tudo o que cobras e entregas esse dinheiro ao Estado.
Se os teus clientes forem empresas, não sentem: deduzem o IVA e para elas o preço é o mesmo. Se forem particulares — um ginásio pequeno, um restaurante sem contabilidade organizada, alguém que quer um site pessoal — o preço sobe 23% de um dia para o outro, e aí ou perdes a venda ou absorves o imposto.
Vale a pena teres isto em conta quando escolhes que clientes queres.
Porque é que o IRS não entra nesta conta
Esta calculadora trata da Segurança Social, que é previsível e mensal. O IRS é outra história: só se acerta na declaração anual e depende do teu escalão, das tuas despesas e do teu agregado familiar.
Guarda dinheiro para ele desde o primeiro mês. É o erro mais caro de quem começa por conta própria: passar um ano a achar que o dinheiro na conta é todo seu.
Os erros mais comuns de quem faz o primeiro site
- Cobrar como se fosse salário. Um empregado com 1 500 € tem subsídios, férias pagas, baixa e a empresa a descontar por ele. A recibos verdes, faturar 1 500 € é bastante menos do que isso.
- Esquecer as horas não pagas. É a razão número um de preços baixos demais.
- Não contar com as férias. Quem faz a conta a 52 semanas está a pagar as próprias férias sem dar por isso.
- Gastar o IVA. Entra na tua conta e nunca foi teu.
- Pagar o alojamento do cliente e não o cobrar. São 100 € por ano que saem do teu bolso, por cada cliente, para sempre.
- Entregar o site e desaparecer. Sem manutenção combinada, todos os meses recomeças do zero.
- Prometer prazos que dependem do cliente. O prazo conta a partir do dia em que recebes o que precisas dele — e isso escreve-se antes de começar.
- Descer o preço para fechar o cliente. Metade do preço não se resolve com o dobro do esforço: resolve-se com o dobro dos clientes, que é precisamente o que não tens.
Perguntas frequentes de quem está a começar
Preciso de abrir atividade para fazer um site a alguém?
Para passares um recibo, sim. A abertura de atividade faz-se no Portal das Finanças.
O domínio fica em meu nome ou do cliente?
Do cliente, sempre. Tu podes tratar do registo e da gestão, mas o dono tem de ser ele.
Quanto devo cobrar de manutenção?
Faz a conta pelas horas que lhe vais dedicar todos os meses e usa o valor da hora que esta calculadora te dá. Se contas gastar duas horas por mês com o site, cobra duas horas.
E se o cliente desaparecer a meio do projeto?
Por isso é que se cobra uma parte no início. Metade à assinatura e metade à entrega é o mais comum, e protege-te do trabalho feito que nunca chega a ser pago.
E se eu fizer isto só ao fim de semana?
Responde à calculadora com as horas reais que tens, e diz que mantéis o emprego. Vais ver que o preço por site sobe, porque tens menos horas para distribuir os teus custos.
Devo cobrar por hora ou por projeto?
Ao cliente, por projeto: ninguém quer um cheque em branco. A ti, faz sempre a conta por hora, para saberes se o projeto vale a pena.
Estes valores servem para quem tem contabilidade organizada?
Não. Esta conta usa o regime simplificado, que é o de quase toda a gente que começa.
E se a conta não fechar?
Pode acontecer: mexes nos números todos e nunca chegas ao que precisas de ganhar. Quando isso acontece, o problema deixou de ser o preço.
Olha para a tabela outra vez. Se para viveres disto precisas de vender quatro sites por mês e nunca vendeste nenhum, a conta não se resolve a mexer no preço — resolve-se a aprender a arranjar clientes. É a parte que quase ninguém ensina, e é a que separa quem faz sites de quem vive de fazer sites.