Quanto cobrar por hora? Calcula o valor da tua hora de trabalho
Se queres saber quanto cobrar por hora, esta calculadora diz-te quanto vale uma hora do teu trabalho quando trabalhas por conta própria — e, a partir daí, quanto deves pedir por meio dia e por um dia inteiro.
Serve para quem vende tempo: fotógrafos, videomakers, designers, programadores, consultores, formadores. Respondes a quatro perguntas e o valor sai das tuas contas, não de uma tabela.
O dinheiro de que precisas para viver, já depois dos descontos. Põe o que precisas, não o que achas que consegues pedir.
Programas, equipamento a prestações, deslocações, contabilista, coworking. Se ainda não sabes, põe 0: a conta continua certa, só mais otimista.
Em média, num dia normal. A conta assume 5 dias por semana, ou seja, 22 dias por mês. Põe as horas que queres fazer, não as que fazes hoje.
Quem abre atividade pela primeira vez só começa a descontar para a Segurança Social no 1.º dia do 12.º mês.
Responde às quatro perguntas aqui em cima e o valor aparece nesta zona.
A tua hora vale
0 €
0 €
meio dia de trabalho
0 €
um dia inteiro
0 h
horas de trabalho por mês
Como se chega ao valor da tua hora
A conta linha a linha, do que queres receber até ao preço de cada hora.
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Vão também os valores que preencheste, para eu poder repetir a conta.
Sobre os impostos nesta conta: a faturação necessária já inclui a contribuição para a Segurança Social (21,4% sobre 70% do rendimento), com a isenção do primeiro ano, o mínimo de 20 € e a base máxima de 6 445,56 € — Guia Prático do Novo Regime dos Trabalhadores Independentes (ISS, 1009 v1.09). Não inclui o IRS, que se acerta na declaração anual, nem as despesas do teu negócio (equipamento, software, deslocações): se as tiveres, soma-as ao valor que pões na primeira pergunta. Para veres o teu caso com IRS, usa o simulador de recibos verdes. Regras verificadas em setembro de 2026. Isto é uma estimativa e não substitui a conversa com o teu contabilista.
Como calcular o valor da hora de um freelancer
A conta que quase toda a gente faz é esta: pega no ordenado que quer ganhar, divide pelas horas do mês, e sai um número. Esse número está errado, e está errado sempre para baixo.
Está errado por três motivos:
- O que faturas não é o que recebes. Entre o valor da fatura e o dinheiro que te fica na mão há a Segurança Social, e mais tarde o IRS.
- O negócio tem despesas. Programas, equipamento, deslocações, contabilista. Saem do que faturas antes de chegar a ti.
- Nem todas as horas são vendidas. Uma parte do teu dia vai para orçamentos, emails, faturas e procurar clientes. É trabalho, mas ninguém o paga à hora.
A calculadora aqui em cima faz o caminho ao contrário: começa no que queres receber limpo, soma as despesas, sobe até à faturação que cobre a Segurança Social, e só depois divide pelas horas que queres trabalhar (as que puseres por dia, vezes 22 dias por mês).
Valor por hora de freelancer vs. salário por hora de um empregado
Esta é a comparação que os clientes fazem, muitas vezes em voz alta: «mas 40 € à hora? Eu pago a uma pessoa aqui na empresa muito menos do que isso.»
Pagam, sim. Mas a essa pessoa a empresa também paga catorze meses em vez de doze, as férias sem trabalhar, os feriados, as baixas, a Segurança Social por cima do ordenado, o computador, a secretária, a luz e a formação. E paga-lhe mesmo nos meses em que não há trabalho para ela.
Quando contratam alguém à hora, tudo isso é teu. Estás a vender-lhes um serviço sem compromisso, sem encargos e só nos dias em que precisam. É legítimo que isso custe mais por hora — e é assim em todo o lado, não é um exagero teu.
Quanto cobra um freelancer por hora em Portugal
Não existe uma tabela e desconfia de quem te der um número fechado. O que se vê publicado são médias de sítios que juntam anúncios do mundo inteiro, e essas médias não sabem nada sobre ti.
Há uma coisa mais útil do que a média: o teu mínimo. O valor que a calculadora te deu é o preço abaixo do qual estás a trabalhar de graça para alguém. Não é o teu preço-alvo, é o teu chão.
A partir daí, o que sobe o preço não é a tabela, é a procura. Quem tem três clientes à espera cobra mais do que quem tem a agenda vazia, mesmo fazendo exatamente a mesma coisa com a mesma qualidade. Por isso é que aprender a ter clientes a bater à porta vale mais, em euros, do que qualquer curso técnico.
Horas não faturáveis: as que ninguém te paga também fazem parte do trabalho
Das horas que pões na calculadora, uma parte não é trabalho de cliente: é orçamentos, emails, faturas, procurar clientes. A reação normal é achar que se está a perder tempo com isso. Não é bem assim.
Fazer um orçamento não é tempo perdido: é a parte comercial do teu negócio. Responder a emails, tratar de faturas, escolher ferramentas, estudar uma coisa nova — nada disso é desperdício. É o que faz a diferença entre ser um profissional independente e ser alguém que às vezes faz trabalhos.
O que não podes é fingir que essas horas não existem. Elas existem, ocupam o teu dia, e alguém tem de as pagar. Como o cliente não as paga diretamente, pagam-se dentro do preço das horas que ele paga. Se metade do teu dia for disso, o preço que vendes tem de ser o dobro do valor que a calculadora te dá por hora trabalhada.
E há aqui uma boa notícia escondida: quanto melhor fores a vender, menos horas gastas a procurar clientes, e mais barata pode ser a tua hora para o mesmo rendimento. Ou, se preferires, mais dinheiro pelo mesmo preço.
Férias por conta própria: porque encarecem a tua hora
A calculadora conta 22 dias por mês, todos os meses. Ou seja, assume que trabalhas o ano inteiro. Se quiseres parar quatro semanas, tens 11 meses de faturação para pagar 12 meses de vida — e cada hora que trabalhas tem de valer cerca de 9% mais.
À primeira parece estranho, mas é a coisa mais lógica do mundo: se vais trabalhar menos e queres o mesmo dinheiro no fim, cada hora trabalhada tem de valer mais.
É assim que as férias se pagam a si próprias quando se trabalha por conta própria. Não há subsídio nenhum a cair em agosto — há um preço que já contava com agosto. Quem não conta com isto não está a ganhar mais: está a prometer a si próprio que nunca vai parar nem adoecer.
Cobrar por hora ou por projeto: qual escolher
Cobra por projeto quase sempre. Mas calcula por hora, sempre.
São duas coisas diferentes e muita gente confunde. O valor por hora é a tua ferramenta interna: é como sabes se um trabalho compensa. O que dizes ao cliente é um preço fechado pelo trabalho todo.
Porquê? Porque cobrar por hora tem dois problemas. O primeiro é que castiga quem é bom: se aprendeste a fazer em duas horas o que os outros fazem em oito, cobrar à hora faz-te ganhar menos por seres melhor. O segundo é que põe o cliente a olhar para o relógio em vez de olhar para o resultado — e transforma cada email teu numa despesa.
O preço por projeto resolve os dois. Fazes a conta em casa com o teu valor por hora, multiplicas pelas horas que achas que aquilo leva, acrescentas margem para o que corre mal, e dizes um número só.
Quanto cobrar por um dia de trabalho (fotógrafos, videomakers, formadores)
Fotógrafos, videomakers e formadores vendem dias, não horas. Por isso é que a calculadora te dá também o meio dia e o dia inteiro.
Mas atenção a um erro que se paga caro nestas profissões: o dia de trabalho não é só o dia do cliente. Um dia de filmagem leva atrás horas de preparação, horas a descarregar e organizar, e muitas mais horas de edição. Se cobrares um dia e entregares três dias de trabalho, o teu valor à hora é um terço do que pensas.
A forma correta de orçamentar é somar tudo — preparação, deslocação, dia de gravação, edição, alterações — e multiplicar pelo valor da hora. Depois apresentas como um preço só, e dizes o que está incluído.
Deslocações e reuniões: cobram-se à hora?
Se for tempo teu, entra na conta. A pergunta não é se «tens direito» a cobrar; é se aquelas horas estão no preço ou não.
Duas horas de carro para uma reunião de uma hora são três horas do teu dia, mais os quilómetros. Podes escolher não as cobrar à parte — mas então têm de estar diluídas no preço do trabalho, senão pagaste tu.
Na prática, o que funciona bem é:
- reuniões dentro do trabalho contratado, incluídas e com um limite escrito («até duas reuniões por mês»);
- deslocações fora da tua zona, com um valor à parte e dito antes;
- alterações e revisões, incluídas até uma ronda; a partir daí, orçamento novo.
Esta última linha é a que te salva o ano.
Dizer ao cliente o teu preço por hora: sim ou não
Não é obrigatório e, na maior parte das vezes, não ajuda.
Assim que dizes «50 € à hora», a conversa deixa de ser sobre o que o cliente vai receber e passa a ser sobre quanto tempo demoras. E ninguém consegue justificar tempo: vais estar sempre a explicar porque é que aquilo levou seis horas em vez de quatro.
Diz o preço do trabalho. Se te perguntarem quantas horas leva, responde com honestidade, mas mantém o preço ligado ao resultado: «leva-me à volta de uma semana, e o valor é X».
O cliente diz que o preço por hora é caro: o que responder
Primeiro, não baixes o preço de imediato. Baixar nos primeiros trinta segundos ensina ao cliente que o primeiro número que disseste não era a sério.
Pergunta com o que é que ele está a comparar. Metade das vezes está a comparar com uma coisa diferente — alguém que faz menos, ou que entrega pior, ou que não devolve os telefonemas.
Se mesmo assim o orçamento não dá, não baixes o preço: baixa o trabalho. Tira coisas de cima da mesa e volta com um serviço mais pequeno pelo valor que ele tem. Assim o teu preço por hora fica igual, e o cliente percebe que o número tinha uma razão de ser.
E há a resposta que custa mais a dar e é a que mais vale: às vezes aquele cliente não é para ti. Dizer que não a um trabalho mal pago liberta a agenda para o trabalho seguinte — e, ao contrário do que parece, é isso que faz os negócios crescerem.
Como subir o valor da hora aos clientes que já tens
Esta é das perguntas que mais aparece, e a resposta é menos dramática do que o medo que lhe temos.
- Avisa com antecedência. Trinta dias, por escrito, num tom normal. O preço atualiza a partir de tal mês.
- Não peças autorização. Informa. «A partir de janeiro o valor passa a ser X» é diferente de «importas-te que eu suba?».
- Não te justifiques a mais. Uma linha chega. Quanto mais explicas, mais pareces estar a pedir desculpa por existir.
- Começa pelos novos. Se te faz muita confusão, aplica o preço novo aos próximos clientes e sobe os antigos daqui a uns meses. Só não deixes isso para nunca.
Vais perder algum cliente? É possível. Normalmente é o que dava mais trabalho e pagava menos.
Orçamentos grátis: entram no valor da hora?
Um orçamento normal, sim — faz parte de vender, e está contado nas horas não faturáveis desta calculadora.
O que não é um orçamento é o cliente pedir-te um plano detalhado, uma auditoria ou umas ideias «só para ver como pensas». Isso é o trabalho, entregue de graça, com o nome trocado. Aí tens duas saídas honestas: dizes o que farias em termos gerais sem entregar o como, ou propões um diagnóstico pago que depois desconta no trabalho, se ele avançar.
Despesas do negócio: como entram no valor da hora
As despesas são a segunda pergunta da calculadora, e somam-se ao que queres receber limpo antes de tudo o resto. Se queres 1 500 € e gastas 300 € por mês com o negócio, a conta parte de 1 800 €.
O que conta como despesa: a máquina fotográfica a prestações, os programas, o carro nas deslocações a clientes, o coworking, o contabilista, o telemóvel. Se ainda não sabes, põe 0 e volta cá daqui a três meses com o número certo. A conta fica otimista, mas fica certa.
Perguntas frequentes sobre quanto cobrar por hora
Quantas horas por dia devo pôr?
As que queres trabalhar, não as que trabalhas hoje. Se puseres as 11 horas que fazes agora, a calculadora diz-te um preço baixo — e o preço baixo é precisamente o que te obriga a fazer 11 horas.
E se eu tiver um emprego e fizer isto ao fim do dia?
Põe só as horas que consegues mesmo dedicar. E vê a parte da Segurança Social no simulador de recibos verdes, porque quem já desconta pelo emprego tem regras diferentes, a seu favor.
Tenho de cobrar IVA?
Enquanto faturares menos de 15 000 € por ano podes ficar isento, ao abrigo do artigo 53.º do Código do IVA. Acima disso o IVA entra na fatura: sai do bolso do cliente, mas o número fica maior e convém dizê-lo antes.
E o IRS?
Não está nesta conta, porque depende do teu ano todo e acerta-se na declaração. Para o veres, usa o simulador de recibos verdes.
Este valor serve para clientes lá fora?
Serve como chão, nunca como teto. A conta diz-te o mínimo de que precisas para viver em Portugal; o que um cliente de outro país está disposto a pagar é outra conversa, e costuma ser bastante acima.
Devo mostrar este número no meu site?
Podes mostrar um «a partir de», que filtra quem não tem orçamento nenhum. O que não deves é publicar uma tabela fechada à hora: tira-te a hipótese de cobrar mais pelo trabalho que vale mais.
E agora, quem paga esta hora?
Já sabes quanto vale a tua hora, o teu meio dia e o teu dia. A calculadora não te dá a outra metade: clientes que aceitem pagar esse valor.
Quem tem clientes à espera cobra o que a conta diz e escolhe com quem trabalha. Quem não tem, aceita o que aparece. A diferença está em ter um serviço de que as empresas precisam todos os meses e uma forma de chegar a elas. É disso que trata o resto deste site.