Calculadora de IVA 2026: calcular e tirar o IVA de um valor
Esta calculadora de IVA faz as duas contas que mais se procuram: acrescentar o IVA a um valor que ainda não o tem, e tirar o IVA a um valor que já o traz lá dentro. Escreves o valor, escolhes a taxa e vês logo quanto é o preço sem IVA, quanto é o imposto e quanto é o total.
Serve para quem passa recibos verdes e tem de pôr o IVA no recibo, para quem recebeu uma fatura e quer saber quanto era sem imposto, e para quem só precisa de confirmar uma conta rápida. Tem as taxas de 2026 do Continente, da Madeira e dos Açores.
Tens um preço sem IVA e queres saber quanto fica com o imposto.
O preço antes do imposto. Por exemplo, 100 €.
A Madeira e os Açores têm taxas mais baixas do que o Continente. Se não sabes, deixa ficar o Continente.
A normal é a da maior parte dos produtos e de quase todos os serviços. A intermédia e a reduzida são para o que está nas listas do Código do IVA, como a restauração ou o pão. Explico mais abaixo.
Em percentagem, até duas casas decimais. Com uma taxa tua, a região só serve para a tabela de comparação lá em baixo.
Escreve um valor aqui em cima e o resultado aparece nesta zona.
Com IVA a 23% (Continente)
123,00 €
0 €
sem IVA
0 €
de IVA
0 €
total com IVA
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O mesmo valor nas três taxas de IVA
Com as taxas do Continente:
| Taxa | Sem IVA | IVA | Total |
|---|
Alguma conta não bate certo? Avisa-me.
Vão também os valores que preencheste, para eu poder repetir a conta e perceber o que se passou. Mais nada.
De onde vêm estes números: taxas do Continente de 6%, 13% e 23%, artigo 18.º do Código do IVA. Açores com 4%, 9% e 16% (reduzidas em 30% face às nacionais, Decreto Legislativo Regional n.º 15-A/2021/A). Madeira com 4%, 12% e 22% (a reduzida desceu de 5% para 4% a 1 de outubro de 2024, Decreto Legislativo Regional n.º 6/2024/M). Tabela confirmada no folheto oficial da Autoridade Tributária “Sistema Fiscal Português, Taxas Aplicáveis”. O IVA é arredondado ao cêntimo; ao tirar o IVA, o valor sem IVA é arredondado e o IVA é a diferença, para a soma dar sempre o total. Taxas verificadas em setembro de 2026. Podem mudar com o Orçamento do Estado ou com os orçamentos das regiões, por isso confirma no Portal das Finanças antes de emitires faturas.
Como calcular o IVA de um valor
Para acrescentar o IVA a um preço, multiplicas esse preço por 1 mais a taxa. Com a taxa normal do Continente, que é de 23%, isso quer dizer multiplicar por 1,23.
Um serviço de 100 € sem IVA fica em 100 × 1,23 = 123 €. Desses 123 €, 100 € são teus e 23 € são imposto, que o cliente paga e tu entregas ao Estado.
Se só quiseres saber quanto é o IVA, multiplicas por 0,23. Num trabalho de 250 €, o IVA são 250 × 0,23 = 57,50 €, e o total fica em 307,50 €.
A mesma lógica vale para as outras taxas: multiplicas por 1,13 na intermédia e por 1,06 na reduzida. Na Madeira os números são 1,22, 1,12 e 1,04; nos Açores, 1,16, 1,09 e 1,04.
Como tirar o IVA a um valor: dividir, e não subtrair
Esta é a conta que mais gente faz mal. Tens 123 € com IVA e queres saber quanto era sem imposto. O instinto diz para tirar 23%, e dá 94,71 €. Está errado.
O certo é dividir por 1,23: 123 ÷ 1,23 = 100 €. Os 23% foram calculados sobre os 100 € e não sobre os 123 €, por isso não os podes tirar ao total como se fossem uma percentagem dele.
Outra forma de o ver: dentro de um valor com IVA a 23%, o imposto é só 18,70% do total (23 a dividir por 123). Quem tira 23% ao total está a tirar imposto a mais e a ficar com um preço sem IVA mais baixo do que o verdadeiro.
Com valores maiores o erro cresce. Em 1 000 € com IVA, tirar 23% dá 770 €; dividir por 1,23 dá 813,01 €. São 43,01 € de diferença, numa única fatura.
A fórmula para tirar o IVA em cada taxa
- Continente: divides por 1,23 (normal), 1,13 (intermédia) ou 1,06 (reduzida).
- Madeira: divides por 1,22, 1,12 ou 1,04.
- Açores: divides por 1,16, 1,09 ou 1,04.
O IVA que estava lá dentro é o total menos o valor sem IVA. Com os 123 € do exemplo, 123 menos 100 dá os 23 € de imposto.
Como calcular o IVA no Excel
Se tens o valor sem IVA na célula A1, a fórmula do total é =A1*1,23 e a do IVA é =A1*0,23. Para tirar o IVA a um valor que está em A1, usas =A1/1,23.
Para o resultado ficar ao cêntimo, como numa fatura, envolve a conta no arredondamento: =ARRED(A1/1,23;2). Sem isto o Excel guarda as casas decimais todas e, ao somar muitas linhas, pode aparecer um cêntimo de diferença para o que está nas faturas.
Um conselho prático: põe a taxa numa célula própria (por exemplo, 23% em B1) e usa =A1*(1+B1). Se um dia a taxa mudar, ou se passares a vender para os Açores, mudas uma célula em vez de mudar as fórmulas todas.
Taxas de IVA em Portugal em 2026
Portugal tem três taxas de IVA, e cada região tem os seus valores:
| Taxa | Continente | Madeira | Açores |
|---|---|---|---|
| Reduzida (lista I) | 6% | 4% | 4% |
| Intermédia (lista II) | 13% | 12% | 9% |
| Normal | 23% | 22% | 16% |
As taxas do Continente estão no artigo 18.º do Código do IVA. As das regiões autónomas são fixadas pelas próprias regiões, que a lei deixa baixar o imposto nas operações feitas lá.
Porque é que a Madeira e os Açores têm IVA mais baixo
Os Açores aplicam taxas 30% abaixo das nacionais desde 1 de julho de 2021, o máximo que a lei permite, e é daí que vêm os 16%, 9% e 4%. A Madeira tem 22% e 12%, e baixou a taxa reduzida de 5% para 4% a 1 de outubro de 2024.
Que taxa usas se trabalhas entre o Continente e as ilhas
A taxa das ilhas aplica-se às operações que a lei considera feitas nas ilhas, e isso nem sempre coincide com a tua morada. Nos serviços depende de quem presta, de quem recebe e de onde estão os dois. Se vendes do Continente para a Madeira ou para os Açores, ou ao contrário, confirma com o teu contabilista qual das taxas vai na fatura.
Que produtos e serviços pagam cada taxa de IVA
Não é o bom senso que decide a taxa, são duas listas anexas ao Código do IVA. O que está na lista I paga a taxa reduzida, o que está na lista II paga a intermédia, e tudo o que não está em nenhuma paga a normal. Alguns exemplos, com a verba da lista oficial:
Taxa reduzida (6% no Continente)
- Pão, arroz, massas e cereais (verbas 1.1.1 a 1.1.5).
- Leite (verba 1.4.1), frutas, legumes e produtos hortícolas (verba 1.6).
- Livros, jornais e revistas, em papel ou em formato digital (verba 2.1).
- Medicamentos (verba 2.5).
- Transporte de passageiros, como o autocarro, o comboio ou o táxi (verba 2.14).
- Alojamento em hotéis e estabelecimentos do mesmo tipo (verba 2.17).
- Entradas em espetáculos de música, teatro, cinema e dança (verba 2.32).
Taxa intermédia (13% no Continente)
- Restauração: refeições e bebidas servidas, com exceção das bebidas alcoólicas e dos refrigerantes, que pagam a taxa normal (verba 3.1 da lista II).
- Refeições prontas a levar ou com entrega em casa (verba 1.8).
- Vinhos comuns (verba 1.10) e águas minerais e com gás (verba 1.11).
- Óleos vegetais alimentares (verba 1.5.3) e instrumentos musicais (verba 2.7).
Taxa normal (23% no Continente)
Tudo o resto. E aqui está a parte que interessa a quem trabalha por conta própria: quase todos os serviços de freelancer pagam a taxa normal. Design, programação, marketing, gestão de redes sociais, gestão de tráfego, consultoria, tradução ou fotografia não estão em nenhuma das listas, por isso levam 23% no Continente.
A restauração é o exemplo clássico de uma fatura com duas taxas: o prato vai a 13% e a cerveja a 23%, na mesma conta.
IVA a recibos verdes: a isenção do artigo 53.º
Se trabalhas a recibos verdes e faturas pouco, é provável que não cobres IVA nenhum. O artigo 53.º do Código do IVA isenta quem, no ano anterior, não passou de 15 000 € de volume de negócios em Portugal e não faz exportações. Quem está a abrir atividade usa a estimativa que faz para o ano em curso.
Estar isento quer dizer duas coisas. O teu recibo sai sem IVA, e o preço que combinas é o total que o cliente paga. E, em troca, não podes recuperar o IVA que pagas nas compras do teu trabalho, como o computador ou o software.
Há também atividades isentas por natureza, pelo artigo 9.º, como alguns serviços de saúde e de ensino. Essas não cobram IVA seja qual for a faturação, e é uma isenção diferente desta.
Quando é que deixas de estar isento
As regras mudaram a 1 de julho de 2025, com o Decreto-Lei n.º 35/2025. Hoje há duas formas de sair da isenção:
- Passas os 15 000 € num ano: continuas isento até ao fim desse ano e começas a cobrar IVA a 1 de janeiro do ano seguinte.
- Passas os 18 750 € no próprio ano (os 15 000 € mais 25%): o IVA é devido a partir desse momento, e tens 15 dias úteis para entregar a declaração de alterações. A fatura que te faz passar essa linha já leva IVA.
Passaste o limite: acrescentas o IVA ou absorves?
Quando passas a cobrar IVA, há uma decisão que ninguém te explica. Ou acrescentas o IVA ao teu preço, e um serviço de 1 000 € passa a custar 1 230 € ao cliente, ou absorves o IVA, mantendo os 1 000 €, e então o imposto sai de dentro: ficam-te 813,01 € e 186,99 € vão para o Estado.
Com empresas, acrescentar costuma correr bem, porque elas deduzem o IVA e não o sentem. Com particulares é mais difícil, porque eles pagam o IVA do próprio bolso. É esta a conta que a calculadora faz no modo “Tirar o IVA”.
Para veres o que te sobra ao fim do mês com IVA, Segurança Social e retenção na fonte, usa o simulador de recibos verdes. E se ainda estás a decidir se deixas o emprego, faz primeiro a conta de quanto terias de faturar para ganhares o mesmo.
Quando entregar o IVA ao Estado
O IVA que cobras não é teu: guardas o dinheiro e entregas mais tarde, na declaração periódica. O que entregas é a diferença entre o IVA que cobraste aos clientes e o IVA que pagaste nas compras do negócio.
- Quem fatura menos de 650 000 € por ano, que é o caso de quase toda a gente a recibos verdes, está no regime trimestral: entrega a declaração até ao dia 20 do segundo mês a seguir ao fim do trimestre (artigo 41.º).
- O pagamento faz-se até ao dia 25 desse mesmo mês (artigo 27.º).
Na prática, o IVA do primeiro trimestre (janeiro a março) declara-se até 20 de maio e paga-se até 25 de maio. O do segundo trimestre, que calharia em agosto, passa para setembro por causa das férias fiscais, e os prazos também mudam quando o dia calha num fim de semana. Confirma sempre as datas exatas no calendário fiscal do Portal das Finanças.
E um aviso que vale ouro: guarda o IVA numa conta à parte no dia em que o recebes. Ao fim de três meses parece dinheiro teu, e não é.
Os erros mais comuns com o IVA
- Tirar 23% ao total. O IVA sai dividindo por 1,23. Subtrair 23% dá um valor sem IVA mais baixo do que o verdadeiro.
- Gastar o IVA. Entra na tua conta mas pertence ao Estado. Quem o gasta descobre isso no fim do trimestre.
- Pôr IVA no recibo estando isento. Quem menciona IVA numa fatura sem o dever fazer tem de o entregar ao Estado na mesma (artigo 2.º do Código do IVA). Não é um favor ao cliente, é imposto a pagar.
- Usar 23% em tudo. O pão, os livros e a restauração têm taxas mais baixas, e nas ilhas as taxas são outras.
- Esquecer a região. Uma fatura com IVA a 23% para uma operação feita nos Açores está errada, porque lá a taxa normal é de 16%.
- Arredondar a meio da conta. Faz a conta toda e arredonda só no fim, ao cêntimo. Arredondar a meio acumula diferenças.
Perguntas frequentes sobre o IVA
Quanto é 23% de IVA sobre 100 €?
São 23 €, e o total com IVA fica em 123 €.
Quanto é 1 000 € sem IVA?
Se os 1 000 € já têm IVA a 23%, o valor sem IVA é 1 000 ÷ 1,23 = 813,01 €, e o IVA são 186,99 €. Se os 1 000 € ainda não têm IVA, o total fica em 1 230 €.
Como se calcula o IVA a 6%?
Multiplicas por 1,06 para acrescentar e divides por 1,06 para tirar. Um produto de 50 € sem IVA fica em 53 €.
Qual é a taxa de IVA em Portugal?
A taxa normal é de 23% no Continente, 22% na Madeira e 16% nos Açores. Há ainda a intermédia (13%, 12% e 9%) e a reduzida (6%, 4% e 4%).
Porque é que a conta ao contrário às vezes falha por um cêntimo?
Por causa dos arredondamentos. Há totais que nenhum preço sem IVA consegue dar certo ao cêntimo. Por exemplo, 1,04 € com IVA dá 0,85 € sem IVA, mas 0,85 € com IVA dá 1,05 €. Nestes casos a calculadora arredonda o valor sem IVA e põe o cêntimo que sobra no IVA, para a soma bater sempre com o total.
Tenho de cobrar IVA a recibos verdes?
Só se passaste os 15 000 € de faturação no ano anterior, ou os 18 750 € no ano em curso, ou se a tua atividade não pode usar a isenção do artigo 53.º. Abaixo disso, o recibo sai sem IVA.
E agora, quanto te fica a ti?
O IVA é a parte mais simples das contas de quem trabalha por conta própria: entra, guarda-se e entrega-se. O que pesa a sério no teu bolso são a Segurança Social e o IRS, e esses não se resolvem com uma multiplicação.
Se passas recibos verdes, o passo seguinte é o simulador de recibos verdes, que te mostra o que sobra de cada euro faturado. E se ainda estás do lado de quem pensa em começar, é disso que trata o resto deste site: como pôr alguém a pagar-te pelo teu trabalho, antes de te preocupares com o IVA desse pagamento.
Outras ferramentas que te podem servir
- Simulador de recibos verdes
Quanto te fica de cada fatura depois de impostos. - Compensa trabalhar a recibos verdes?
Contrato ou recibos verdes: quanto tens de faturar para ficares igual. - Quanto cobrar por hora
O valor da tua hora de trabalho.