Este é o passo a passo que uso para transformar o extrato do banco num dashboard de gastos. Demora menos de meia hora da primeira vez, não precisas de instalar nada e não precisas de perceber de computadores. Precisas do extrato da tua conta e de um chat, seja o ChatGPT, o Claude ou o Gemini.
No fim vais saber para onde foi o teu dinheiro nos últimos seis meses, com números e não com sensações. Vais descobrir o que pagas todos os meses sem dares por isso, e quanto é que isso dá ao ano. E vais ficar com um ficheiro teu, que abre no telemóvel, sem aplicação nenhuma e sem mensalidade.
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Passo 1. Descarrega o extrato em Excel
Entra no site do teu banco, ou na aplicação do telemóvel, escolhe os últimos seis meses de movimentos e exporta em Excel ou CSV. Quase todos os bancos portugueses têm esse botão ao lado da lista de movimentos, normalmente pequeno e escondido.
Seis meses é o número certo. Com três não vês o que só acontece de vez em quando, e com doze passas a tarde a tratar do ficheiro. Se tiveres mais do que uma conta, ou um cartão de crédito à parte, descarrega tudo, porque as contas de casa só fazem sentido inteiras.
Passo 2. Apaga o IBAN e os saldos
Antes de anexares o ficheiro, há uma decisão para tomar e prefiro dizer-te como é. A partir do momento em que anexas o extrato a um chat, os teus gastos ficam no servidor de uma empresa. Não há volta a dar a isso. O que dá para fazer é não entregar aquilo que não serve para nada.
Tira os saldos, o número de conta, o IBAN e a morada. Nenhuma dessas coisas ajuda a perceber para onde vai o dinheiro. Ficas com três colunas, e são só estas que interessam: data, descrição e valor.
Não apagues o nome das pessoas nas transferências. Se apagares, ficas sem saber de quem veio e para quem foi, que era exatamente o que querias perceber. O que vale a pena é trocar o nome pelo papel da pessoa: onde está “transferência Maria Silva”, escreves “transferência senhorio”, “transferência mãe”, “transferência divisão do jantar”. Ficas com a informação toda e ainda arrumas melhor, porque o papel diz mais do que o nome.
Passo 3. Anexa o ficheiro e pede o dashboard
Aqui está a parte que muda tudo, e é o erro que quase toda a gente comete. Se pedires uma análise, recebes três parágrafos no chat que desaparecem assim que fechas a janela. O que tu queres é um ficheiro teu, que abre no telemóvel e que podes guardar.
Anexa o ficheiro e escreve isto:
Copia este pedido
Em anexo estão os meus movimentos bancários dos últimos seis meses,
com data, descrição e valor.
Constrói-me uma página HTML num ficheiro único, para eu guardar e abrir
no telemóvel, com:
1. Uma tabela de gastos por categoria e por mês, com a média.
2. Um gráfico de barras do total gasto em cada mês.
3. Um gráfico circular com o peso de cada categoria no último mês.
4. Uma secção com o mês em que gastei mais, quanto ficou acima da média,
e em que categorias.
Tudo dentro de um ficheiro só, sem ligações a sítios de fora, para
funcionar sem internet. Dá-me o ficheiro para descarregar.
Descarregas, abres, e o dashboard é teu.

Passo 4. Responde ao que ele não conseguiu arrumar
Ele vai devolver-te a lista dos movimentos que não percebeu e perguntar o que são. Respondes um a um, e é rápido.
Aproveita e corrige também os que ele arrumou mal. São quase sempre os que vêm com o nome de quem processa o pagamento em vez do nome da loja, e por isso aparecem em categorias que não fazem sentido nenhum.
Copia este pedido
Estes movimentos estão na categoria errada: [cola-os aqui].
O primeiro é saúde, o segundo e o terceiro são alimentação.
Corrige e dá-me o ficheiro outra vez.
Cinco minutos aqui valem mais do que o dashboard todo, porque é isto que faz a diferença entre números bonitos e números verdadeiros.
Passo 5. Pede-lhe para guardar as tuas regras
Fazer isto uma vez é fácil. O problema aparece no mês seguinte, quando tens de explicar outra vez as mesmas trinta categorias. Foi aí que eu quase desisti.
Copia este pedido
Com base em tudo o que decidimos, escreve-me um ficheiro de regras
em texto simples: de que palavra na descrição resulta que categoria.
Quero poder colar esse ficheiro no início de uma conversa nova
para não ter de explicar tudo outra vez.
Guarda esse ficheiro. É a peça mais valiosa de todo o sistema, porque é a memória do que tu já ensinaste. O meu tem para aí duas centenas de linhas, construídas ao longo de meses, e é o que faz com que hoje eu já não tenha de arrumar quase nada à mão.
Passo 6. Pergunta o que se repete todos os meses
É aqui que aparece quase sempre a surpresa.
Copia este pedido
Agora encontra todos os pagamentos que se repetem com o mesmo valor
ou com valor parecido, todos os meses. Lista cada um com o nome,
o valor mensal e o valor que dá por ano. Ordena do mais caro por ano
para o mais barato.
São as subscrições, os seguros, as mensalidades e aquilo que assinaste há dois anos e nunca mais pensaste. Vistos um a um parecem pequenos. Vistos ao ano, somados, costumam ser o maior número do documento todo.
Passo 7. No mês seguinte, quinze minutos
Conversa nova. Colas as regras, anexas o extrato do mês, e pedes:
Copia este pedido
Aqui estão as minhas regras de categoria e o extrato deste mês.
Arruma os movimentos segundo as regras e diz-me só o que mudou
em relação aos meses anteriores: o que subiu, o que desceu, o que
é novo, e o que eu pagava e deixei de pagar.
Depois atualiza o dashboard com este mês incluído.
São quinze minutos por mês. É a diferença entre ter feito isto uma vez e saber sempre onde estás.
Onde é que isto falha
Dei-te o passo a passo e dou-te também os buracos, porque não quero que desistas no primeiro.
As contas erradas ditas com toda a confiança. Estas ferramentas somam mal de vez em quando. Pede sempre os números à vista numa tabela e confere uma coluna ao acaso. Se o total do mês não bater com o que o banco diz, foi a ferramenta e não o banco.
As categorias erradas. Já falámos delas no passo 4, mas vale a pena repetir: corre os olhos pela tabela antes de acreditares em qualquer número.
Não lhe perguntes onde pôr o dinheiro. Nem se deves fazer um crédito, nem que seguro escolher, nem onde investir. Isso é aconselhamento financeiro, tem regras próprias, e um chat não tem responsabilidade nenhuma sobre o que te disser. Para arrumar o que já aconteceu é excelente. Para decidir o futuro do teu dinheiro, não.
Isto não substitui olhares tu para as contas. A ferramenta arruma e faz contas. Quem decide o que corta és tu.
Onde eu cheguei, para saberes que existe
O meu sistema já não passa por nenhum chat. Corre sozinho numa máquina que está sempre ligada, vai buscar os movimentos todos os dias, arruma tudo pelas tais regras, escreve o dashboard e o relatório do mês, e quando encontra um gasto que não sabe arrumar manda-me uma mensagem no telemóvel a perguntar. Respondo enquanto espero pelo café, e ele guarda a resposta como regra nova.
Não te vou dizer que isso se faz num domingo, porque não se faz. Leva semanas, faz-se com ferramentas de programação assistida, e há dias em que nada funciona. Mas os sete passos aqui de cima dão-te noventa por cento do valor, e esses fazem-se hoje.
E agora a parte que ninguém te diz
Quando tiveres o dashboard à frente, vais chegar à mesma conclusão a que eu cheguei quando fiz isto a sério pela primeira vez.
Ver para onde vai o dinheiro resolve metade do problema. Cortar dá para fazer uma vez, e talvez uma segunda. Mas poupar tem um teto, e o teto é o que entra ao fim do mês. Ganhar mais não tem teto nenhum.
É por isso que eu passo os dias a falar de profissões digitais e não de cupões de desconto. Se quiseres ver como é que alguém sem experiência nenhuma aprende uma profissão que se faz a partir de casa, tenho um minicurso de seis aulas e é gratuito.