O Meta Andromeda é o sistema que decide que anúncios chegam sequer a ser considerados para te aparecerem. Antes de haver leilão, antes de haver orçamento a competir, há uma peneira que pega em dezenas de milhões de anúncios e escolhe uns poucos milhares para aquela pessoa, naquele momento. Essa peneira é o Andromeda, a Meta apresentou-o em dezembro de 2024 e foi-o ligando ao longo de 2025. Neste artigo vais perceber o que ele faz de facto, o que muda para quem anuncia, e o que anda por aí escrito que é exagero.

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As três fases que acontecem antes de veres um anúncio

Para perceber o Andromeda é preciso saber que a entrega de um anúncio não é um passo só. São três, por esta ordem.

1. Recuperação. O sistema pega no universo inteiro de anúncios disponíveis e reduz a uns milhares de candidatos relevantes para aquela pessoa. É aqui que o Andromeda trabalha.

2. Classificação. Os modelos de previsão estimam a probabilidade de a pessoa clicar, ver ou comprar.

3. Leilão. Só no fim é que o lance e o valor decidem qual ganha.

E daqui sai a frase que resume tudo, e que convém escrever na parede: um anúncio que não passa a primeira fase nunca chega a ser avaliado, e por isso nunca pode ganhar o leilão. Podes ter o melhor orçamento do mundo que ele não é usado, porque nem sequer entraste na lista curta.

O que o Meta Andromeda faz de diferente

A Meta descreveu-o no blogue de engenharia dela, e os números que vale a pena reter são os oficiais: mais 6% de recuperação, que se traduziu em mais 8% de qualidade dos anúncios em segmentos seleccionados, e uma velocidade de resposta mais de três vezes superior. Corre em hardware feito à medida, o chip próprio da Meta em conjunto com o Grace Hopper da NVIDIA.

A parte que interessa a quem anuncia não é o hardware, é a mudança de lógica. O sistema deixou de partir do público que tu defines e passou a partir do anúncio em si. O que ele lê primeiro é o criativo, o texto, o formato e o histórico de interacção daquela peça. A partir daí procura as pessoas a quem aquilo faz sentido.

Antes, dizias tu a quem querias falar e o criativo vinha a seguir. Agora o criativo é que abre a porta.

Como era antes, no conjunto de anúncios

Para ver o que mudou é preciso lembrar o que se fazia, e quem gere anúncios há alguns anos reconhece isto de imediato.

O trabalho era escolher o público. Abrias o conjunto de anúncios e montavas a pessoa: idade, zona, interesses, comportamentos. “Mulheres, 30 a 45, Lisboa, interessadas em ioga e alimentação saudável.” Escrevias aquilo com cuidado, porque era aquilo que decidia a quem o anúncio ia parar.

A partir daí, a forma de trabalhar vinha por arrasto. Partias a campanha em muitos conjuntos, um por público, para comparar qual deles ganhava. Punhas orçamentos separados em cada um para controlar onde o dinheiro ia. E tinhas poucos criativos por conjunto, porque o que estavas a testar era o público, não a mensagem.

O criativo era a embalagem daquilo. Importante, mas a seguir.

O que mudou no caminho até aqui

A mudança não começou com o Andromeda, veio a acontecer por partes e ele é o motor por baixo dela.

Os interesses deixaram de ser uma parede. A opção de expansão do público, que aparecia como uma caixa para ligar ou desligar, foi mudando de nome e acabou por se tornar o comportamento normal. Hoje, o que escreves nos interesses funciona como sugestão ao sistema, não como limite. Ele pode entregar fora do que escolheste se achar que vai ter resposta.

Muitos interesses desapareceram. A Meta foi juntando categorias detalhadas em grupos mais largos e eliminando outras, e conjuntos antigos que dependiam de interesses removidos deixaram de entregar até serem actualizados. As datas exactas disto variam conforme a fonte, por isso o conselho é simples: confirma no teu gestor de anúncios se tens avisos nos conjuntos antigos, em vez de acreditares numa data que leste num blogue.

As exclusões por interesse também foram cortadas, o que tirou outra ferramenta de precisão que muita gente usava.

O que continua a ser respeitado à letra: a localização e a idade mínima. E as campanhas de categoria especial, como emprego, crédito, habitação e temas políticos, têm regras próprias e muito mais restrições.

Comparação da estrutura de campanhas antes e depois do Meta Andromeda

A diferença resume-se nesta imagem. À esquerda, a campanha partida em quatro conjuntos, cada um com o seu público escrito à mão e dois criativos. À direita, um conjunto só, público largo, e oito ângulos diferentes a disputar a atenção do sistema.

O que é recomendado agora

Aqui convém separar o que é consenso de quem trabalha com isto do que é regra inventada. Começo pelo que faz sentido e explico porquê.

Juntar em vez de dividir. Menos conjuntos, públicos mais largos. A razão é mecânica, não é moda: cada conjunto aprende com os dados que passam por ele, e partir a campanha em sete bocados é dar a cada um sete vezes menos material. Com o sistema a fazer a segmentação, dividir deixou de comprar precisão e passou a comprar lentidão.

Dar-lhe ângulos diferentes, não versões. Já falámos disto e é a parte que mais trabalho dá. Se o sistema escolhe a quem mostrar a partir do criativo, cada ângulo novo é uma porta nova. Cada troca de cor não é nada.

Separar o remarketing. Para quem já te conhece, a entrega larga trabalha contra ti, porque vai buscar outra vez gente que já lá estava. Essa é a situação em que faz sentido manter as rédeas curtas.

Comparar antes de mudar tudo. Se tens uma estrutura antiga que funciona, não a deites fora numa tarde. Põe a nova a correr ao lado durante duas ou três semanas e compara com os teus próprios números. O teu caso tem um orçamento, um preço e um histórico que nenhum artigo conhece.

Alimentar bem os dados de conversão. Quanto melhor o sistema souber o que aconteceu depois do clique, melhor escolhe. É a parte menos glamorosa e a que mais rende.

O que se lê por aí e não tem fonte

Esta parte interessa-me mais do que a anterior, porque é onde se perde dinheiro a seguir conselhos de quem não os testou.

Os números mágicos de criativos. Seis por conjunto, dez, quinze a vinte e cinco. Cada artigo traz o seu e nenhum traz a origem. Não existe número oficial, e o número certo para ti depende do orçamento: com 10 € por dia, vinte criativos não recebem dados suficientes para o sistema distinguir nada.

As divisões de orçamento. “Setenta por cento para isto, trinta para aquilo.” São regras de polegar de agências, ditas como se fossem documentação.

As promessas de redução de custo. Percentagens de descida do custo por resultado atribuídas à Meta, que não aparecem em lado nenhum oficial.

As datas. Há fontes a dizer que isto ficou global em abril de 2025 e outras em outubro. A Meta apresentou o sistema em dezembro de 2024 e foi-o ligando aos poucos. Para o teu trabalho a data não muda nada; o que muda é o que vês no teu gestor de anúncios hoje.

Por onde começar esta semana

Se geres anúncios e queres agir em vez de ler, faz estas três por esta ordem.

Conta os ângulos que tens no ar. Não os anúncios, os ângulos. Se a resposta for um ou dois, está aí o teu problema, e não é nas definições que se resolve.

Vê o que os teus concorrentes têm. A biblioteca de anúncios mostra-te, de graça, quantas versões diferentes eles têm a correr e há quanto tempo. É a forma mais barata de calibrar o que é variação a sério.

Junta um conjunto, não sete. Escolhe uma campanha que esteja partida em bocados pequenos e consolida, com os teus números ao lado para comparares daqui a duas semanas.

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Perguntas frequentes

O Andromeda é uma definição que eu ligo na conta? Não. É a forma como a entrega funciona, não há nada para activar nem para desligar.

Desde quando é que está a funcionar? A Meta apresentou-o em dezembro de 2024 e foi-o ligando de forma gradual ao longo de 2025.

Isto quer dizer que a segmentação deixou de importar? Quer dizer que deixou de ser o ponto de partida. Continuas a definir país, idade e exclusões, mas quem decide a quem o anúncio vai parar, dentro disso, é o sistema, a partir do criativo.

Quantos criativos devo ter? Não há número oficial. Importa é que sejam ângulos diferentes, não variações do mesmo.

Isto acabou com o trabalho do gestor de tráfego? Mudou-o. A parte de ajustar públicos perdeu peso, a parte de produzir ângulos e interpretar resultados ganhou.

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