Um curso de gestor de tráfego deve ensinar-te três coisas: a criar e gerir campanhas de anúncios, a ler os números que dizem se a campanha está a dar dinheiro ao cliente, e a arranjar esse cliente. Se faltar a terceira, o curso está a meio. Neste guia vais ver o que uma formação séria tem de cobrir, que caminhos existem e o que distingue cada um, quanto tempo pode levar até ao retorno e as perguntas que deves fazer antes de pagares seja o que for.
Nota: a expressão “gestor de tráfego” serve duas profissões diferentes em Portugal. Uma é a gestão de tráfego rodoviário, dos transportes e da logística, e se caíste em resultados sobre frotas e rotas foi por isso. A outra, a deste guia, é a gestão de tráfego digital: quem gere os anúncios pagos de uma empresa no Meta e no Google, decide quanto se investe, para quem e com que mensagem, e responde pelo resultado.
O que um curso de gestor de tráfego tem mesmo de ensinar
Uso esta lista como critério, e recomendo que uses também. Uma formação séria cobre:
- A conta e a estrutura. Gestor de anúncios, conta de negócio, píxel, permissões. É a parte chata e é onde a maioria dos principiantes se atrapalha.
- Campanhas e objetivos. Que objetivo escolher em cada caso, e porque é que escolher mal deita fora o orçamento do cliente.
- Público e segmentação. Quem vê o anúncio, quando e quantas vezes.
- Criativos. O que escrever e que imagem ou vídeo usar. Hoje é isto que decide a maior parte do resultado.
- Ler o resultado. Saber dizer ao cliente, com os números à frente, quanto é que ele investiu e quanto é que isso lhe trouxe de volta. É esta conversa que te mantém contratado, e nenhuma simpatia a substitui.
- Prospeção e proposta. Como encontrar empresas, como falar com elas e quanto cobrar. É a matéria que quase nenhum curso dá a sério e é a que separa quem trabalha de quem só estudou.
- O que fazer quando o dinheiro começar a entrar. Recibos, impostos e a papelada de trabalhar por conta própria. Nada disto é preciso para estudares, e um curso sério explica-te na altura certa.
Se um curso te promete resultados mas não tem os pontos 5 e 6, vais sair de lá a saber carregar em botões sem saber ganhar dinheiro com isso.
Quanto custa um curso de gestor de tráfego
Há caminhos com preços muito diferentes, e o preço diz-te menos sobre o conteúdo do que sobre aquilo que vem com ele. Vale mais perceber o que cada caminho te dá e o que te deixa de fora.
Aprender sozinho, sem pagar nada
Dá. Há vídeos no YouTube, há a documentação das próprias plataformas e há o meu curso gratuito de tráfego pago. É por aqui que eu mando começar todas as pessoas, porque serve para te vires no que dá: percebes se gostas do trabalho, se os números te dão curiosidade ou sono, e se te imaginas a fazer isto todos os dias.
Agora há uma pergunta que te quero deixar. Se chegaste a este artigo, provavelmente não andas à procura de um passatempo. Andas à procura de uma profissão nova e de outra forma de ganhar a vida, uma mudança a sério. Faz sentido tratar uma mudança dessas a zero euros, à espera de que a internet te entregue de graça, pela ordem certa, aquilo que ainda nem sabes que precisas de aprender?
Muita gente tenta por aí, e eu entendo o impulso. Em quinze anos nesta profissão ainda não conheci ninguém que tenha chegado a viver disto sem nenhum tipo de apoio, e a razão é sempre a mesma: a informação está toda espalhada, ninguém te diz por que ordem a usar, e quando uma campanha corre mal não tens como saber onde está o erro.
Os cursos de 10 ou 20 euros
Existem muitos e podes aprender a técnica com eles. Antes de comprares, pergunta isto:
- Quantos alunos deste curso tiveram resultado?
- Quantos deles vivem hoje da profissão?
- Vejo os vídeos e depois nunca mais tenho contacto com ninguém?
- Vou ter contacto com suporte, e quem é que responde?
- Consigo tirar dúvidas por 20 euros?
A última pergunta tem uma resposta que se faz de cabeça. Para ganhar algum dinheiro a 20 euros por aluno, quem vende precisa de milhares e milhares de alunos. E ninguém com milhares e milhares de alunos a 20 euros consegue montar uma estrutura que depois os acompanhe um a um. Não é má intenção de quem vende, é aritmética: o preço define o suporte que pode existir do outro lado. Um curso assim pode valer como introdução. Só não contes com ele quando encalhares, que é o momento em que a maioria das pessoas para.
As formações com acompanhamento
Aqui já não estás a comprar vídeos. Estás a comprar alguém que olha para a tua conta, te diz porque é que aquela campanha não está a converter, responde quando tens uma dúvida que não está em aula nenhuma e te marca prazos. Custa mais, e a diferença que faz não é no conteúdo, é no tempo que deixas de perder a errar sozinho.
A regra que uso é esta: quanto menos tempo tiveres para errar sozinho, mais faz sentido pagar por acompanhamento. Quem está a fazer isto ao lado do emprego, com calma e sem contas urgentes, pode dar-se ao luxo de ir devagar. Quem foi despedido no mês passado não tem esse luxo.
Presencial ou online, qual é melhor?
As duas coisas funcionam, e a escolha depende mais de ti do que do curso.
O presencial dá-te uma sala, um horário e a obrigação de aparecer. Tiras a dúvida na hora, conheces pessoas que estão a passar pelo mesmo e, para quem não se organiza sozinho, isso vale muito. Em troca, ficas preso a uma data e a um sítio, andas ao ritmo da turma, não revês a aula quando te esqueceres, e a tua cidade limita as opções que tens.
O online dá-te o teu ritmo, a aula vista outra vez quantas vezes forem necessárias e a possibilidade de começares hoje em vez de esperares pela próxima turma. Em troca, exige-te disciplina, e é aí que a diferença entre ter e não ter acompanhamento se nota mais.
Há ainda uma incoerência que vale a pena pensares. Esta profissão é remota. Vais trabalhar de casa, falar com clientes por videochamada e gerir contas de empresas que podem estar em qualquer parte do país. Aprender numa sala uma profissão que se exerce à distância só te ajuda se a sala te obrigar a cumprir horários, o que é uma razão legítima. Se é disciplina que procuras, um programa com acompanhamento e prazos dá-te o mesmo efeito sem te obrigar a sair de casa.
E se estás no Porto, em Lisboa ou longe das duas, não deixes que a falta de um curso na tua cidade te pare. Nenhum cliente teu vai perguntar onde é que aprendeste.
Começar custa menos do que estás a pensar
O computador e a internet já tens. As ferramentas de trabalho não te cobram nada para abrires: a conta de anúncios da Meta, a do Google e a versão gratuita das ferramentas de criação de imagens chegam perfeitamente para os primeiros clientes.
E há uma confusão que convém desfazer logo, porque é a que afasta mais gente: o dinheiro investido nos anúncios é do cliente, não é teu. Tu não precisas de orçamento de publicidade para trabalhar nem para aprender. Quem põe o investimento é a empresa que te contrata, e o teu trabalho é fazer com que esse dinheiro volte com mais gente a comprar.
Também não tens de tratar de papelada nenhuma para começares a estudar. Essa parte entra quando tiveres o primeiro cliente, e não antes.
Quanto tempo até ao retorno
Não há tempo de retorno garantido. Quem te der uma data exata está a vender-te uma certeza que não existe, e eu não te vou fazer isso.
O que te posso dizer é o que depende de quê. A parte técnica aprende-se em semanas. O primeiro cliente depende da dedicação que lhe dás, da tua curva de aprendizagem, do que fazias antes e, acima de tudo, do número de conversas que tens com empresas. Quem fala com dez empresas por semana não leva o mesmo tempo que quem fala com uma por mês.
E depois há a parte que nenhuma média apanha: as pessoas têm vidas completamente diferentes. Há quem tenha quatro horas por dia e quem tenha quarenta minutos depois de deitar os filhos. Há quem venha de uma área que ajuda e quem comece do zero absoluto. Há quem esteja tranquilo e quem esteja com pressa a sério. Vidas diferentes, tempos diferentes e vontades diferentes dão resultados diferentes, e é por isso que qualquer número redondo que te deem é conversa.
Nos meus alunos vejo um intervalo largo, e é honesto mostrar-te as duas pontas. A Sofia Medeiros, assistente numa clínica no Faial a ganhar o salário mínimo, fechou o primeiro cliente três dias depois de começar. O André Silva foi despedido em março, começou a estudar em abril, teve um cliente de teste em junho e chegou aos mil euros por mês em setembro. A Karem, que estava num lar de idosos em Viseu com um lugar efetivo e dois filhos, levou cerca de quatro meses até ao primeiro cliente e só saiu do emprego no fim desse ano. E há quem leve mais de um ano a chegar ao mesmo sítio.
Nenhum destes casos é uma promessa e nenhum serve de média. São pessoas reais com circunstâncias diferentes, e o valor que faturam não é o que lhes fica na mão: daí saem impostos, Segurança Social e ferramentas. O que todas têm em comum é banal e é o que ninguém quer ouvir: começaram a falar com empresas antes de se sentirem prontas.
Precisas de saber alguma coisa antes de começar?
Não há pré-requisitos. Não precisas de curso superior, de experiência na área, de jeito especial para matemática nem de saber desenhar.
O que há é aquilo em que já és melhor, e é com isso que vais trabalhar. Se escreves bem, os teus anúncios vão ganhar pelo texto e a tua proposta vai ser mais clara do que a da concorrência. Se falas bem com pessoas, vais ganhar na reunião e nas indicações que vêm depois, que é por onde chega metade do trabalho. Se gostas de mexer em números, vais ganhar na otimização das campanhas. Ninguém é bom nas três coisas ao princípio, e a profissão aceita-te por qualquer uma das portas.
Quanto a diplomas, nunca nenhum cliente meu, nem de nenhum aluno meu, pediu um. O que os clientes pedem é que os anúncios tragam gente. Existe a licenciatura em marketing para quem quer o caminho académico, e é uma escolha respeitável, mas são três anos e não é isso que te põe a gerir uma conta de anúncios no mês que vem.
Que profissões ajudam a entrar nesta
Há áreas que dão vantagem de partida. Quem vem do design já sabe criar imagens para as redes sociais, que é hoje o que mais pesa no resultado de um anúncio. Quem vem das vendas tem o passo mais difícil praticamente feito, porque já sabe falar com empresas e pedir dinheiro sem gaguejar. Quem vem da engenharia lida bem com dados e com lógica. Quem já faz gestão de redes sociais conhece as plataformas e muitas vezes já tem clientes para quem passar a fazer anúncios. E quem vem da programação entende de píxeis, de etiquetas e de sites sem ter de aprender isso tudo de uma vez.
Agora, isto é uma tendência e não é uma sentença. A Sónia é enfermeira da função pública no Algarve e montou a operação dela a part-time, sem largar o hospital. O Hugo deu aulas de história durante vinte anos em Portimão. A Joana trabalhava no setor empresarial do Estado, das nove às cinco, com uma filha pequena e um curso a terminar. Nenhum dos três vinha de uma das áreas que listei acima, e os três estão a viver disto.
Se vens de uma dessas áreas, começas com meio caminho andado. Se não vens, começas como a maioria dos meus alunos começou.
O acompanhamento que tens de exigir
Isto é o que separa uma formação de uma lista de vídeos, e são perguntas que deves fazer antes de pagares, não depois:
- Quem responde às minhas dúvidas, e em quanto tempo?
- Quando eu encalhar numa campanha, tenho a quem perguntar?
- Durante quanto tempo tenho acesso ao material e ao apoio?
- Os resultados que mostram são de alunos ou são do professor?
- O que acontece quando a Meta mudar aquilo que está nas aulas?
- Há mais pessoas a fazer isto ao mesmo tempo que eu, com quem possa falar?
Se a resposta a quase todas for silêncio, já sabes o que estás a comprar: material gravado. Pode servir-te, desde que entres com essa consciência.
Porque é que o curso mais barato pode sair o mais caro
Repara no que costuma acontecer, porque é quase sempre a mesma história.
Decides mudar de profissão. Estás empolgado, com aquela vontade boa de quem já viu que há outra forma de ganhar a vida, e é com essa energia que vais escolher a formação. Como ainda não conheces a área, escolhes pelo preço e pela conveniência, que é o único critério que tens à mão. Parece prudente: gastar pouco, para ver no que dá.
Se esse curso não tiver boa didática nem um caminho claro que te leve do princípio ao fim, a conta começa a correr mal sem tu perceberes porquê. Acabas a primeira aula e não sabes o que fazer a seguir. Tentas montar uma campanha e não entendes o que estás a ver no ecrã. Aparece uma dúvida e não tens a quem a pôr. Tentas outra vez na semana seguinte, com menos vontade do que na primeira.
E então acontece a pior parte, que não tem nada a ver com dinheiro: o entusiasmo esvazia-se. Aquela energia que tinhas no início, que era a coisa mais valiosa que levavas para isto, gasta-se a bater numa parede que não devia estar ali. Ao fim de umas semanas fechas o computador e tiras a conclusão errada, que é sempre a mesma: isto não é para mim.
É aqui que se perdem gestores de tráfego que podiam ter sido muito bons. Gente com vontade a sério, capaz de fazer acontecer, que desistiu cedo por causa da experiência que teve e não por falta de capacidade. Desistiu da profissão quando o que falhou foi o caminho que lhe deram para chegar lá.
É por isso que eu te digo para olhares primeiro para o que vem com o curso, e só depois para o preço. Uma formação que te põe uma ordem à frente, que te marca prazos e que tem alguém a responder quando encalhas não é um luxo, é o que faz com que o teu entusiasmo dure até ao primeiro cliente. E o primeiro cliente é o ponto a partir do qual isto deixa de ser um projeto e passa a ser uma profissão.
Os 20 euros do curso, ou os mil, são o menor dos custos desta decisão. O que custa mesmo é desistir de uma coisa que dava para ti.
Como saber se o curso foi feito para Portugal
Olha para os exemplos e para os alunos. Se os casos que mostram são todos do Brasil, se os valores aparecem em reais, se as empresas de que falam não são as que existem na tua cidade, estás a aprender para outro mercado.
Os botões da plataforma são os mesmos em Lisboa e em São Paulo, e por isso há quem pense que tanto faz. O que não é igual são as estratégias. Há abordagens que funcionam muito bem no Brasil e que aqui não pegam, porque o mercado é mais pequeno, o público reage de outra maneira e as empresas são de outro tamanho. Junta a isso tudo o que vem antes e depois do anúncio: com que empresas vais falar, quanto podes cobrar aqui e o que um cliente português espera de ti. Isso só aprendes com quem trabalha neste mercado.
Certificações valem alguma coisa?
A Meta e a Google têm certificações oficiais, e tê-las não faz mal nenhum ao teu perfil. Mas quero que isto fique claro, porque vejo muita gente a trocar uma coisa pela outra: um certificado não é sinónimo de ganhares mais, nem de teres mais clientes.
Nenhum cliente meu, em quinze anos, escolheu alguém por causa de um crachá no perfil. O que muda a vida de quem entra nesta profissão é o método: saber o que fazer, por que ordem, e ter quem olhe para o teu trabalho e te diga onde está o erro. O certificado é a consequência simpática de já saberes, nunca é o caminho para saber.
Por onde começar hoje
Antes de pagares seja o que for, vê o trabalho por dentro e decide com informação. Se depois disso quiseres perceber o que faz um gestor de tráfego no dia a dia e quanto se ganha em Portugal, tenho os dois assuntos explicados com detalhe e com números.
E quando escolheres um caminho, marca logo no calendário a data da primeira conversa com uma empresa. É esse o passo que decide tudo o resto, e não há curso, preço nem certificado que o faça por ti.
Perguntas frequentes
Qual é o melhor curso de gestor de tráfego?
Não há um melhor para toda a gente, há o melhor para a tua situação. O que procuras é uma formação que te ensine a arranjar clientes e não só a fazer anúncios, que tenha alguém do outro lado para responder quando encalhares, e que te acompanhe até ao primeiro cliente. Se cumprir estas três coisas, é um bom curso para ti.
Quanto tempo dura um curso de gestor de tráfego?
Os introdutórios têm uma a duas horas. As formações completas andam entre vinte e sessenta horas de conteúdo. O tempo que interessa não é esse, é o que levas a pôr em prática o que viste.
Dá para aprender sozinho, sem curso?
Há muita gente a tentar. O material está espalhado pela internet e podes começar a estudar hoje sem pagar nada, e eu até recomendo que comeces assim para ver se gostas. O que te digo com honestidade é que, em quinze anos, ainda não conheci ninguém que tenha chegado a viver desta profissão sem nenhum tipo de apoio. O que falta a quem tenta sozinho não é informação, é a ordem certa e alguém que lhe diga onde está o erro.
Preciso de dinheiro para investir em anúncios?
Para aprender e para trabalhar, não. O orçamento dos anúncios é sempre do cliente. A conta de anúncios não te cobra nada por existir, e o caminho normal para a prática é o primeiro cliente, mesmo que comece com uma avença pequena.
Este curso dá certificado reconhecido pelo Estado?
Os cursos de gestão de tráfego digital, em geral, não são formações certificadas pelo Estado. Se precisas de certificação oficial, por exemplo para efeitos de formação profissional, confirma isso com a entidade antes de te inscreveres.
Consigo fazer isto sem largar o meu emprego?
É assim que a maioria dos meus alunos começa. Uma hora por dia para estudar e algumas conversas por semana com empresas. Confirma só se o teu contrato tem cláusula de exclusividade e, se és funcionário público, precisas de autorização para acumular funções.
Se chegaste até aqui, já sabes escolher melhor do que a maioria de quem compra um curso na primeira página que aparece. Escolhe o caminho que cabe na tua pressa e no teu dinheiro, marca a data da primeira conversa e trata o resto como consequência.
Queres ver o trabalho por dentro antes de decidir? O Mini-Curso de Gestor de Tráfego são 6 aulas gratuitas, com a profissão explicada do princípio ao fim.