Imagina que alguém em Braga precisa de um dentista e, em vez de ir ao Google, abre o ChatGPT e escreve: “qual é o melhor dentista em Braga?”. Em poucos segundos recebe três nomes, com uma frase sobre cada um. Se a tua clínica não está nessa lista, aquela pessoa nem chega a saber que existes. Então, como aparecer no ChatGPT em Portugal? Começa por perceber o que acontece por trás: nestas perguntas, o ChatGPT pesquisa na internet, lê algumas páginas e resume o que encontrou. Só te recomenda se a informação sobre a tua empresa estiver nos sítios onde ele procura.

A boa notícia é que dá para trabalhar isto, e não precisas de perceber nada de programação. Neste guia vais ver, passo a passo, como o ChatGPT escolhe quem recomenda, que fontes pesam mais segundo os estudos, quais são as que contam em Portugal (do Perfil da Empresa no Google ao Portal da Queixa), o que fazer já esta semana, o que não vale a pena fazer e como testares se a IA já conhece o teu negócio.

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Como o ChatGPT escolhe quem recomenda

Pensa no ChatGPT como um amigo muito rápido a quem pedes uma recomendação. Ele não conhece as clínicas de Braga de cor, por isso faz o que tu farias: vai pesquisar, lê o que outras pessoas escreveram e depois dá-te a opinião dele. Voltando ao exemplo do dentista, o processo tem três passos:

  1. Percebe o que queres. Da pergunta “qual é o melhor dentista em Braga?”, tira três ideias: dentista, Braga, e “o melhor”, ou seja, bem avaliado.
  2. Pesquisa na internet. Faz várias pesquisas por trás e abre algumas páginas: sites de clínicas, fichas do Google Maps, sites de avaliações, talvez uma notícia do jornal da cidade.
  3. Junta tudo numa resposta. Escolhe os nomes que aparecem mais vezes e com melhores opiniões, escreve uma frase sobre cada um e, muitas vezes, põe os links das páginas que leu.

Daqui sai a ideia mais importante deste artigo: a IA só pode recomendar-te se encontrar informação sobre ti, e só te recomenda com confiança se essa informação for boa e bater certo em vários sítios.

E onde é que ela pesquisa? Depende do assistente:

  • ChatGPT: tem um sistema de pesquisa próprio e usa parceiros de pesquisa, que a OpenAI não identifica. Os estudos independentes apontam para uma grande coincidência com os resultados do Bing.
  • Google (resumos de IA e Modo IA): usa os resultados do próprio Google. O Modo IA chegou a Portugal, em português, em outubro de 2025.
  • Copilot, da Microsoft: usa o Bing.

Resumindo: primeiro a IA tem de te encontrar no Google e no Bing; depois tem de encontrar coisas boas sobre ti noutros sites.

O que é GEO e porque começa no SEO

Vais ouvir falar cada vez mais de GEO, sigla de generative engine optimization. É o nome dado ao trabalho de fazer uma empresa aparecer nas respostas das ferramentas de inteligência artificial, como o ChatGPT, o Gemini ou o Modo IA do Google. O SEO, que já conheces, é o trabalho de aparecer nos resultados normais do Google.

Os dois andam de mãos dadas. A própria Google diz, na página sobre as funcionalidades de IA da pesquisa, que não há requisitos extra para aparecer nas respostas de IA: basta que o teu site esteja no Google e cumpra as regras de sempre. Não precisas de ficheiros especiais nem de truques técnicos.

Para simplificar, pensa no GEO em duas camadas:

  • O que tu dizes de ti: o teu site, a tua ficha no Google, os teus dados nos diretórios de empresas.
  • O que os outros dizem de ti: avaliações de clientes, reclamações e as respostas que lhes deste, notícias, listas de recomendações.

A IA lê as duas e cruza-as. Se o teu site diz que és o melhor dentista de Braga e ninguém mais o diz, não chega. Se toda a gente fala bem de ti, mas a tua ficha tem o horário errado e um telefone antigo, também não.

O que dizem os estudos sobre as fontes que pesam mais

Um aviso antes dos números: quase todos os estudos foram feitos com pesquisas nos Estados Unidos e em inglês. Não encontrei nenhum que meça Portugal. Servem para perceber o padrão, não para copiar à letra. Estes são os quatro resultados que mais interessam a uma empresa portuguesa:

  • Nas pesquisas locais, a tua camada pesa mais. A Yext analisou 6,8 milhões de citações do ChatGPT, do Gemini e do Perplexity em perguntas do tipo “o melhor X perto de mim”: 44% das fontes eram o site da própria empresa e 42% eram fichas e diretórios. Ou seja, quase nove em cada dez fontes eram informação que a própria empresa pode controlar. É a melhor notícia deste artigo para um negócio pequeno.
  • Ser falado conta mais do que ter links. A Ahrefs estudou 75 mil marcas e viu que as marcas mais presentes nas respostas de IA eram as mais mencionadas noutros sites e, sobretudo, em vídeos do YouTube.
  • O LinkedIn ganhou muito peso. Num estudo da Semrush de março de 2026, o LinkedIn foi o segundo site mais citado pelas ferramentas de IA, presente em 11% das respostas. Os posts citados eram sobretudo educativos, escritos pelos próprios autores.
  • As fontes preferidas mudam depressa. Em agosto de 2026, a Semrush viu o Reddit cair a pique nas citações do ChatGPT, de 3,8% para 0,5% em poucas semanas. Quem tinha apostado tudo nesse canal perdeu a visibilidade de um dia para o outro. Por isso, o mais seguro é estares em várias fontes ao mesmo tempo.

Como aparecer no ChatGPT em Portugal: as fontes que contam

Os estudos americanos falam de sites como o Yelp, que quase ninguém usa em Portugal. Estes são os equivalentes portugueses, arrumados pelas duas camadas, com o que deves fazer em cada um.

O que tu dizes de ti

  • O teu site. Escreve, em texto (não só em imagens), o que fazes, em que zona, para quem, a partir de que preço e como te contactar. Uma página por serviço ajuda: “implantes dentários em Braga” responde melhor do que uma página genérica de “serviços”. Se ainda não tens site, dá para criar um site com IA num fim de semana.
  • O Perfil da Empresa no Google. É a ficha que aparece no Google Maps, com morada, horário, fotos e avaliações. Preenche tudo, escolhe bem a categoria principal e publica fotos reais. Para um negócio local, é a primeira coisa a tratar, porque alimenta diretamente as respostas de IA do Google.
  • Os diretórios de empresas. As Páginas Amarelas são o mais conhecido. Sites como o Racius e o eInforma mostram os dados públicos da tua empresa (atividade, morada, gerência): não os controlas, mas confirma que estão certos.

A regra de ouro desta camada é a coerência: o mesmo nome, a mesma morada e o mesmo telefone em todo o lado. Se cada site diz uma coisa, a IA fica sem saber em qual acreditar.

O que os outros dizem de ti

  • As avaliações no Google Maps. Pede avaliações a clientes satisfeitos, de forma regular, e responde a todas, boas e más. As tuas respostas também ficam públicas e também são lidas.
  • Os sites de avaliações do teu setor. TheFork e TripAdvisor para restaurantes e turismo; Trustpilot para lojas online e serviços digitais; a página de Facebook para quase todos.
  • O Portal da Queixa. Recebeu 238 698 reclamações em 2025, um recorde segundo o Jornal Económico. As páginas são públicas, por isso a IA pode lê-las quando alguém pergunta se a tua empresa é de confiança. Não dá para apagar uma reclamação justa, mas dá para responder bem: uma resposta educada, com uma solução, mostra a tua versão a quem lê, seja pessoa ou máquina. O Livro de Reclamações eletrónico funciona de outra forma: as reclamações não ficam públicas, por isso quase não entram nesta conta.
  • Os sites de serviços. A Fixando e a Zaask ligam clientes a profissionais de obras, limpezas, explicações ou fotografia, com avaliações. Se prestas serviços, um perfil completo e bem avaliado nestes sites é mais uma fonte a teu favor.
  • As menções. Uma notícia no jornal da tua cidade, uma entrada numa lista “os melhores de” (como as da Time Out em Lisboa e no Porto), uma entrevista num podcast, um vídeo no YouTube ou um post no LinkedIn sobre o teu trabalho. Cada menção é mais uma pessoa a falar de ti.

O que fazer já esta semana

Se tens pouco tempo, começa por aqui, por esta ordem:

  1. Faz o teste. Pergunta ao ChatGPT e ao Google pelo teu negócio (mais abaixo explico como) e anota o que aparece.
  2. Trata do Perfil da Empresa no Google. Morada, horário, telefone, categoria, fotos e uma descrição clara.
  3. Revê o teu site. Confirma que diz, em texto, o que fazes, onde e como te contactar, com os mesmos dados da ficha do Google.
  4. Pede cinco avaliações. A clientes que ficaram satisfeitos nas últimas semanas. E responde às que já tens.
  5. Corrige os diretórios. Procura o nome da tua empresa nas Páginas Amarelas e nos sites do teu setor e acerta os dados que estejam errados.

Daqui a um mês, repete o teste do ponto 1 e compara.

O que não vale a pena fazer

  • Criar um ficheiro llms.txt. É a moda do momento: um ficheiro que se põe no site “para as IAs lerem”. A Ahrefs analisou 137 mil sites em junho de 2026 e 97% desses ficheiros não foram abertos uma única vez num mês inteiro. A Google, como vimos, diz que não precisa de ficheiros especiais.
  • Comprar avaliações. É contra as regras do Google, pode fazer-te perder a ficha e, se forem descobertas, estragam exatamente a confiança que querias construir.
  • Apostar tudo num único canal. O caso do Reddit mostra que a fonte preferida da IA pode mudar num mês. O que aguenta é o básico bem feito nas duas camadas.
  • Bloquear o ChatGPT no teu site sem saber. Alguns plugins de segurança e algumas configurações do site bloqueiam os robôs da OpenAI. Há um que recolhe dados para treinar a IA (o GPTBot) e outro que serve para a pesquisa do ChatGPT (o OAI-SearchBot). Se bloqueares o segundo, a OpenAI diz que deixas de aparecer nas pesquisas do ChatGPT. Se tens site, pede a quem o gere que confirme.

Como testar se a IA já conhece o teu negócio

O teste mais simples é perguntar. Abre o ChatGPT, o Gemini e o Modo IA do Google e faz três tipos de pergunta:

  1. Pelo teu nome: “O que sabes sobre a Clínica Sorriso, em Braga?” e “A Clínica Sorriso é de confiança?”
  2. Pela tua área, sem o teu nome: “Qual é o melhor dentista em Braga?” É a pergunta mais importante, porque é a que o teu próximo cliente vai fazer.
  3. Pelo problema do cliente: “Parti um dente, onde posso ir hoje em Braga?”

Em cada resposta, olha para duas coisas: se apareces e que sites a resposta cita. Os sites citados são o teu mapa: dizem-te exatamente onde tens de estar.

Fiz este teste à minha própria marca com a ferramenta de visibilidade em IA do Ubersuggest, que faz as perguntas ao ChatGPT por ti. Quando alguém pergunta se o Luciano Larrossa é de confiança, ou me compara com outros formadores de marketing digital, o ChatGPT responde com o meu site, as aulas gratuitas e o que outras pessoas escreveram sobre mim, e numa das respostas coloca-me “muito alto na lista” para quem quer começar pelo tráfego pago. É o resultado de mais de quinze anos a publicar no blog, no YouTube e noutras plataformas: a camada “o que os outros dizem de ti” não se constrói num mês.

O teste também me mostrou a diferença entre as perguntas do tipo 1 e do tipo 2. Ser encontrado por quem já sabe o teu nome é uma coisa; ser recomendado a quem pergunta pela tua área, sem te conhecer, é outra, e é aí que estão os clientes novos. Saber como aparecer no ChatGPT é, no fundo, trabalhar esse segundo tipo de pergunta, e é por isso que o plano de cima começa pelas fontes que a IA consulta. Também foi por causa deste teste que escrevi uma página a responder de frente à pergunta se o Luciano Larrossa é confiável: se as pessoas perguntam, é melhor que a IA encontre a resposta dada por mim.

Um serviço que se pode vender a negócios locais

Quase nenhum restaurante, clínica ou oficina em Portugal sabe o que o ChatGPT responde sobre eles. Fazer o teste, arrumar o Perfil da Empresa no Google, pôr os diretórios certos, criar o hábito de pedir avaliações e responder às reclamações é trabalho concreto, que se mede e que o dono do negócio percebe.

É um serviço que encaixa bem ao lado dos anúncios. Quem faz gestão de tráfego para negócios locais já trata das páginas, dos números e da presença online do cliente; juntar a visibilidade em IA a essa lista é um passo natural. Se preferires contratar alguém em vez de fazer, vê a nossa lista das melhores agências de marketing digital em Portugal e pergunta-lhes se já fazem este trabalho.

Perguntas frequentes

O ChatGPT usa o Google para pesquisar?

A OpenAI diz que o ChatGPT tem pesquisa própria e usa parceiros de pesquisa, sem dizer quais. Os estudos independentes apontam para o Bing. Na prática, estar bem no Google e no Bing ajuda em todos os assistentes.

Quanto tempo demora a aparecer nas respostas da IA?

Depende da fonte. Uma ficha do Google bem preenchida pode começar a contar em poucas semanas; uma reputação feita de avaliações e menções leva meses. Desconfia de quem te prometa pôr a tua empresa no ChatGPT em poucos dias.

Preciso de pagar ao ChatGPT para aparecer?

Para aparecer nas recomendações, não. O que o ChatGPT recomenda nas respostas depende da informação que encontra sobre ti. Mas desde o fim do verão de 2026 há anúncios no ChatGPT também em Portugal: aparecem a quem usa as versões gratuitas, identificados como patrocinados e separados da resposta, e a OpenAI diz que não influenciam o que o ChatGPT responde. Ou seja, passou a haver dois caminhos: o orgânico, que é o deste artigo, e o pago, que funciona como os anúncios no Google.

O ficheiro llms.txt ajuda?

Pelos dados disponíveis, não. Nenhum dos grandes assistentes diz que o usa e quase nenhum robô o abre.

Um negócio pequeno consegue aparecer nas respostas da IA?

Consegue, sobretudo nas pesquisas locais. Segundo o estudo da Yext, nessas perguntas quase nove em cada dez fontes eram o site e as fichas das próprias empresas. É aí que um negócio pequeno pode competir com as grandes marcas.

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