Quanto ganha um motorista TVDE em Portugal em 2026 depende muito menos do que aparece na app do que das contas que vêm depois. Numa hora de trabalho, os passageiros pagam à volta de 15 a 18 euros; desse dinheiro saem o IVA, a comissão de 25% da Uber ou da Bolt, o carro, o combustível ou a eletricidade e, no fim, a Segurança Social e o IRS. Nos meus exemplos, o que fica ao motorista anda entre 3 e 5 euros por hora antes de impostos, e a associação do setor fala em cerca de 4 euros líquidos. Neste artigo tens essas contas passo a passo, por hora e por mês, os requisitos para ser motorista TVDE com a lei nova que entrou em vigor a 1 de setembro de 2026, o que dizem os motoristas e as plataformas, e um caminho diferente para quem quer um segundo rendimento sem passar as noites ao volante.
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Muita gente que me escreve pensa no TVDE como o plano B mais à mão. Já tem carta há anos, às vezes já tem carro, e a ideia de ligar a app umas horas à noite ou ao fim de semana parece simples. É um trabalho digno e há milhares de pessoas a fazê-lo bem. O objetivo aqui é que decidas com os números à frente, e não com o valor bruto que aparece no ecrã do telemóvel.
Quanto ganha um motorista TVDE: para onde vai cada euro
Quando um passageiro paga uma viagem, o dinheiro não vai direto para o motorista. Faz este percurso:
- O passageiro paga à plataforma (Uber, Bolt ou outra). O preço inclui IVA à taxa de 6%, a taxa do transporte de passageiros.
- A plataforma fica com a taxa de intermediação. A lei põe-lhe um teto de 25% do valor da viagem (artigo 15.º da Lei n.º 45/2018), e com a revisão de 2026 esses 25% passam a ser calculados sobre o valor sem IVA, segundo o ECO (17/07/2026). Na prática, as duas grandes estão no teto: a Uber anunciou que a taxa de serviço voltava aos 25% a 1 de janeiro de 2026, também para os carros elétricos, e a Bolt diz na página de apoio aos motoristas que cobra 25% do preço final da viagem (consultada a 27/09/2026).
- O resto vai para o operador TVDE, a empresa licenciada pelo IMT a que o carro e o motorista estão ligados. É do operador que sai tudo o resto: carro, seguro, manutenção, combustível e o pagamento ao motorista.
Há ainda uma contribuição de 5% para a regulação do setor, mas essa não te sai do bolso de forma direta: é paga pelas plataformas, calculada sobre as comissões que cobram (artigo 30.º da mesma lei).
Guarda esta ideia, porque é a que mais engana quem começa: o que a app mostra é faturação, e faturação não é o que te fica.
As três formas de trabalhar como motorista TVDE
Antes das contas, tens de saber em que modelo vais trabalhar, porque muda tudo.
Com contrato de trabalho com um operador. Recebes um salário e o operador paga o carro e os custos. A lei exige um contrato escrito entre o motorista e o operador e, seja qual for o nome que lhe derem, aplica-lhe a presunção de contrato de trabalho do Código do Trabalho (artigo 10.º da Lei n.º 45/2018). Na prática, segundo o presidente da associação de operadores APTAD, em entrevista ao ECO (19/09/2025), poucos operadores contratam assim; a maioria trabalha com motoristas a recibos verdes.
A recibos verdes, com carro alugado (o chamado modelo “frota”). É o mais comum para quem não tem carro próprio. Alugas um carro preparado para TVDE, pagas uma renda fixa por semana e ficas com o que sobra depois da comissão, da renda e da energia. Um exemplo de preços: uma empresa do setor anuncia carros a partir de 250 € a 375 € por semana, com seguro, manutenção e 1 800 km semanais incluídos, sem combustível nem carregamento (RAU drive, consultado a 27/09/2026). A renda paga-se quer a semana corra bem, quer corra mal.
Por conta própria, com carro próprio. É o que muita gente procura quando pesquisa “quanto ganha um motorista TVDE por conta própria”. Ou tiras tu a licença de operador TVDE no IMT e ficas com todas as obrigações de uma empresa de transporte, ou ligas o teu carro a um operador que te cobra uma mensalidade ou uma percentagem. Em qualquer dos casos, o carro tem de cumprir as regras (seguro próprio para a atividade, dístico, inspeção anual e idade máxima, que passou a 10 anos, ou 12 nos elétricos, com a lei nova) e o desgaste passa a ser teu.
Contas por hora: um exemplo com carro alugado
Não há nenhuma estatística oficial de quanto fatura um motorista TVDE por hora. As tarifas base rondam os 0,50 € por quilómetro e os 0,08 € por minuto, segundo a APTAD (SAPO, 20/01/2026), e numa hora há tempo com passageiro, tempo à espera e quilómetros a caminho da recolha. Por isso fiz as contas para dois cenários: uma hora em que os passageiros pagam 15 € e uma hora boa em que pagam 18 €.
Pressupostos: carro elétrico alugado a 285 € por semana, 50 horas de trabalho por semana, cerca de 30 km por hora e carregamento a 0,35 € por kWh (mistura de casa e postos públicos).
| Por hora de trabalho | Hora de 15 € | Hora de 18 € |
|---|---|---|
| Pago pelos passageiros | 15,00 € | 18,00 € |
| IVA (6%) | −0,85 € | −1,02 € |
| Comissão da plataforma (25% sem IVA) | −3,54 € | −4,25 € |
| Aluguer do carro (285 € ÷ 50 horas) | −5,70 € | −5,70 € |
| Carregamento (cerca de 30 km) | −1,70 € | −1,70 € |
| Fica ao motorista, antes de Segurança Social e IRS | 3,21 € | 5,34 € |
Repara no aluguer: é o custo que mais pesa, e é fixo. Se trabalhares menos horas numa semana, a renda por hora sobe. Com 40 horas em vez de 50, os mesmos 285 € passam a custar 7,13 € por cada hora ao volante. É por isso que tantos motoristas com carro alugado acabam a fazer 60 horas por semana: precisam de diluir a renda.
Com carro a combustão, troca o carregamento por combustível. A cerca de 0,08 € por quilómetro, são 2,40 € por hora em vez de 1,70 €, e a subida dos combustíveis de março de 2026 pesou precisamente aqui (o ECO de 13/03/2026 conta que a Uber já tinha mais de 43% da frota elétrica e não previa mexer nas tarifas).
Contas por mês: a tempo inteiro e a part-time
Passo agora os mesmos números para o mês, sempre em euros por mês.
A tempo inteiro, com carro alugado (50 horas por semana, cerca de 217 horas por mês):
- Numa média de 15 € por hora, os passageiros pagam cerca de 3 250 € por mês e ficam-te cerca de 700 € por mês antes de Segurança Social e IRS.
- Numa média de 18 € por hora, os passageiros pagam cerca de 3 900 € por mês e ficam-te cerca de 1 160 € por mês antes de Segurança Social e IRS.
A part-time, com o teu carro ligado a um operador (15 horas por semana, cerca de 65 horas por mês): aqui não há renda do carro, mas há outros custos. Contei 25 € por semana para o operador, cerca de 1 600 € por ano de seguro próprio para TVDE, 0,08 € por quilómetro de combustível e 0,05 € por quilómetro de pneus e manutenção. Numa hora de 18 €, ficam-te cerca de 5,10 € por hora antes de impostos.
- Numa média de 18 € por hora, os passageiros pagam cerca de 1 170 € por mês e ficam-te cerca de 330 € por mês antes de IRS.
- Numa média de 15 € por hora, os passageiros pagam cerca de 975 € por mês e ficam-te cerca de 195 € por mês antes de IRS.
Nesta conta ainda não entra a desvalorização do carro: a 30 km por hora, 65 horas são quase 2 000 km por mês, mais de 23 000 km por ano, no carro da família.
São exemplos e não te prometem nada, para cima ou para baixo. Há motoristas que conhecem os horários de aeroporto, eventos e noites de sexta e fazem mais por hora; há outros que passam metade do turno à espera. As plataformas também dão bónus por objetivos de viagens, que podem mudar as contas numa semana. Mas a ordem de grandeza bate com o que diz o setor, como vais ver mais abaixo.
IVA, IRS e Segurança Social do motorista TVDE
É a parte que mais surpreende quem vem de um contrato de trabalho, porque ninguém te desconta nada à cabeça.
IVA. O transporte de passageiros paga IVA a 6%, e quem o entrega ao Estado é o operador que fatura a viagem. Se trabalhas a recibos verdes para um operador, és tu que lhe faturas a ele. Nesse caso, ficas isento de IVA pelo artigo 53.º do Código do IVA enquanto não passares os 15 000 € de faturação por ano. A partir daí, tens de cobrar IVA ao operador e entregá-lo ao Estado, e convém que o contrato diga que o operador o paga por cima do que acordaram. Se quiseres ver quanto é o IVA numa fatura concreta, usa a calculadora de IVA.
Segurança Social. A recibos verdes descontas 21,4% sobre 70% do que faturas, com declaração trimestral. No primeiro ano de atividade estás isento. No exemplo da hora de 18 € com carro alugado, se faturares ao operador os 12,74 € que sobram depois da comissão, a Segurança Social leva cerca de 1,90 € por hora, e os 5,34 € descem para perto de 3,40 € por hora. Se já tens um contrato de trabalho e fazes TVDE como extra, podes ficar isento enquanto o rendimento como independente se mantiver abaixo do limite legal. O simulador de recibos verdes faz-te estas contas com os teus números.
IRS. No regime simplificado, só uma parte do que faturas conta como rendimento, e a percentagem depende do código de atividade com que abres. O que é tributado soma-se ao teu salário, se tiveres um, e paga à tua taxa. Para quem já tem emprego, é dinheiro que chega à declaração de IRS do ano seguinte e que convém ter posto de lado.
O que é preciso para ser motorista TVDE em 2026
Os requisitos estão no artigo 10.º da Lei n.º 45/2018, revista pela Lei n.º 59/2026, de 25 de agosto, que está em vigor desde 1 de setembro de 2026:
- Carta de condução de categoria B há mais de três anos, com o grupo 2 averbado (o dos condutores profissionais, que pede avaliação médica e psicológica). Na prática, isto quer dizer ter pelo menos 21 anos.
- Curso de formação inicial de pelo menos 50 horas, com parte teórica e prática, e exame final de 30 perguntas em que tens de acertar pelo menos 27 (DECO PROteste, consultado a 27/09/2026).
- Idoneidade, comprovada com o certificado de registo criminal.
- Domínio funcional da língua portuguesa, uma exigência nova da revisão de 2026.
- Certificado de motorista TVDE (CMTVDE), emitido pelo IMT, válido por cinco anos e renovável com um curso de atualização.
- Contrato escrito com o operador a que vais prestar serviço.
Horas máximas. Um motorista TVDE não pode conduzir mais de 10 horas num período de 24 horas, somando todas as plataformas em que trabalhe (artigo 13.º da Lei n.º 45/2018, mantido pela lei nova, segundo a Contar Mais, 28/08/2026). Para quem pensa em fazer TVDE depois de um dia de trabalho noutro sítio, este limite conta só as horas ao volante no TVDE, mas o cansaço conta tudo.
Entre curso, exames e certificado, conta com umas centenas de euros e cerca de um mês até poderes começar.
O que dizem os motoristas (e as plataformas)
O setor está dividido, e vale a pena ouvir os dois lados.
Do lado dos operadores e motoristas, o presidente da APTAD disse ao ECO (19/09/2025) que um motorista que trabalhe 8 horas por dia, cinco dias por semana, leva para casa entre 550 € e 650 € por mês, e que muitos fazem 60 horas por semana para cobrir custos. Em janeiro de 2026 escreveu que um motorista recebe, em média, cerca de 4 € líquidos por hora e que há quase o dobro dos carros de que a procura precisa (SAPO, 20/01/2026). A 29 de abril de 2026, perto de 100 motoristas e operadores protestaram em Lisboa a pedir o aumento das tarifas e apoio aos combustíveis, segundo o Público, que cita dados do IMT: 39 615 motoristas certificados ativos e 14 649 operadores em março de 2026.
Do lado das plataformas, a Uber disse ao ECO (24/09/2025) que não é verdade que quem trabalha 40 horas por semana ganhe abaixo do salário mínimo, e a Bolt afirmou que, com 40 horas por semana, os motoristas conseguem um rendimento líquido muito próximo do salário médio nacional. Nenhuma das duas mostrou as contas.
As minhas contas acima ficam mais perto da versão dos operadores, sobretudo para quem aluga o carro. Há quem ganhe bem com TVDE, mas para isso as horas têm de ser muitas e bem escolhidas.
Um segundo rendimento que não depende de horas ao volante
O problema do TVDE como rendimento extra está na estrutura. Cada euro que ganhas exige uma hora tua dentro do carro, e há custos que correm mesmo quando o carro está parado. O teto é o número de horas que aguentas e que a lei te deixa fazer.
A alternativa que ensino é diferente em quase tudo, e digo-o sabendo que sou parte interessada. Um gestor de tráfego gere anúncios no Facebook, no Instagram e no Google para negócios (uma oficina, um ginásio, uma clínica, uma loja) e é pago todos os meses por cliente. Trabalhas a partir de casa, com um computador, e as campanhas não precisam de ti a uma hora fixa: montas, acompanhas e ajustas quando tens tempo, à noite ou ao sábado de manhã. Em Portugal, quem começa cobra à volta de 200 € por cliente por mês, como explico em quanto ganha um gestor de tráfego.
Há ainda uma diferença de que pouco se fala: de quem é o negócio. O motorista TVDE trabalha dentro da Uber ou da Bolt, com as tarifas, a comissão e as regras que elas decidem. Não é dono do seu próprio negócio: se, de um dia para o outro, a plataforma decidir que ele já não pode lá estar e lhe desativar a conta, fica sem trabalho, e não há clientes que possa levar consigo. O gestor de tráfego constrói um negócio que é dele. Os clientes são dele, o preço é ele que o define e, se um cliente sair, os outros continuam. Com o tempo, pode juntar mais clientes, contratar ajuda e até montar uma pequena agência.
Também tem o seu preço, e convém dizê-lo. Tens de aprender uma coisa nova do zero, o primeiro cliente pode demorar meses e tens de conseguir vender o teu serviço, que é o que custa mais a quem nunca vendeu nada. Há quem desista pelo caminho. A diferença está no que acontece quando corre bem: um cliente a mais não te pede mais 10 horas por semana ao volante.
Se quiseres comparar com outras opções, tenho uma lista de formas de ganhar rendimento extra em Portugal, com o que cada uma paga, e outra das profissões mais bem pagas em Portugal, se estás a pensar numa mudança maior.
O Nuno: de camionista a gestor de tráfego
Não tenho, que saiba, nenhum aluno que tenha feito TVDE a tempo inteiro. Tenho quem tenha estado perto. O Fernando, que trabalhava por turnos à noite num armazém, contou-me no LLCast que esteve quase a ir para a Uber: “cheguei até ver um carro”. Foi para a gestão de tráfego em vez disso.
E tenho o Nuno Ribeiro, que passou anos ao volante de um camião. Foi para os camiões por falta de dinheiro, porque ganhava o ordenado mínimo. Chegou a ganhar 1 800 € por mês, mas a trabalhar de noite, 10 a 15 horas por dia, e quando o filho nasceu passou a vê-lo cerca de duas horas por dia. Foi isso que o fez procurar outra coisa.
Entrou na mentoria e fez o que muita gente acha impossível: estudou enquanto trabalhava. Punha as aulas a tocar no camião durante as viagens e levava o computador para aplicar quando estava parado à espera de carga. “Eu tenho de estar a estudar enquanto estou a trabalhar. Ponto.” Fechou os primeiros clientes logo no primeiro mês, incluindo uma loja de música.
Durante uns tempos fez as duas coisas. Enquanto ganhava 1 800 € por mês nos camiões com dias de 10 a 15 horas, já faturava 700 € a 800 € por mês com cerca de três horas por dia de gestão de tráfego. Foi essa comparação que o convenceu. Ajudou também o patrão ter decidido tirar os camiões daquela zona, e com isso o emprego seguro deixou de o ser: “o certinho acabou por ser incerto”. Despediu-se em dezembro, dois dias depois do evento Master and Scale.
Quando gravou o episódio, em agosto de 2026, faturava à volta de 2 800 € a 3 000 € por mês, entre gestão de tráfego e criação de conteúdo com IA. Atenção à comparação: os 1 800 € eram ordenado de empregado; os 3 000 € são faturação de independente, e daí ainda saem impostos, Segurança Social e ferramentas. Mesmo assim, e sobretudo, voltou a ver o filho crescer. Contou tudo no LLCast:
Há mais casos de pessoas que começaram ao lado de outro emprego, de várias profissões, na página com as opiniões e os resultados dos meus alunos.
Antes de decidir: três contas a fazer
- Quanto precisas a mais por mês, em euros. Um número concreto, não “o máximo possível”.
- Quantas horas por semana tens mesmo. Tira as que já são da família e do descanso. Com essas horas e as contas acima, vês quanto o TVDE te pode dar por mês, depois dos custos.
- Quanto vale a tua hora. A calculadora compensa trabalhar a recibos verdes mostra-te quanto terias de faturar por conta própria para chegar a um valor líquido e quanto vale cada hora tua. Compara isso com os 3 a 5 € por hora dos exemplos.
Se o TVDE fizer sentido para ti, começa com carro próprio e poucas horas antes de te comprometeres com uma renda semanal. Se não fizer, experimenta outro caminho antes de gastares dinheiro.
Nota: Se queres perceber se a gestão de tráfego encaixa na tua vida antes de gastares um euro, começa pelo nosso Mini-Curso de Gestor de Tráfego. É gratuito.
Perguntas frequentes
Quanto ganha um motorista TVDE por hora?
Depende do modelo e das horas. Nos meus exemplos, com os passageiros a pagarem 15 € a 18 € por hora de trabalho, ficam ao motorista entre 3,20 € e 5,30 € por hora com carro alugado, antes de Segurança Social e IRS. A APTAD, associação de operadores, fala em cerca de 4 € líquidos por hora (janeiro de 2026).
Quanto ganha um motorista TVDE por mês?
A tempo inteiro com carro alugado, nos meus exemplos, entre cerca de 700 € e 1 160 € por mês antes de Segurança Social e IRS, com 50 horas por semana. A APTAD diz que, com 40 horas por semana, um motorista leva para casa 550 € a 650 € por mês. A Bolt diz que o rendimento líquido fica perto do salário médio.
Quanto ganha um motorista TVDE por conta própria?
Com carro próprio, não pagas renda, mas pagas o seguro de TVDE, o combustível, a manutenção e a desvalorização do carro, e ainda a mensalidade do operador ou os custos da tua própria licença. A part-time, 15 horas por semana, o exemplo deste artigo dá cerca de 195 € a 330 € por mês antes de IRS.
Quanto fica a Uber e a Bolt de cada viagem?
A lei põe o teto em 25% do valor da viagem, calculados sem IVA desde a revisão de 2026. A Uber voltou aos 25% a 1 de janeiro de 2026, também nos elétricos, e a Bolt indica 25% do preço final da viagem.
Quantas horas pode trabalhar um motorista TVDE por dia?
No máximo 10 horas de condução num período de 24 horas, somando todas as plataformas (artigo 13.º da Lei n.º 45/2018, que se mantém com a Lei n.º 59/2026).
O que é preciso para ser motorista TVDE?
Carta de categoria B há mais de três anos com o grupo 2, curso de formação de pelo menos 50 horas com exame final, registo criminal limpo, domínio funcional do português, certificado de motorista TVDE do IMT e contrato escrito com um operador.
Um motorista TVDE paga IVA?
A viagem paga IVA a 6%, entregue pelo operador. Se trabalhas a recibos verdes para um operador, ficas isento de IVA até 15 000 € de faturação por ano; acima disso, cobras IVA ao operador e entregas ao Estado.
O que fica
Quanto ganha um motorista TVDE? Na app, 15 a 18 euros por hora de trabalho é uma boa referência. No bolso, depois da comissão, do carro e da energia, sobram 3 a 5 euros por hora nos meus exemplos, antes de impostos, e é com esse número que deves decidir. Pode fazer sentido como rendimento rápido e sem formação longa, sobretudo com carro próprio e poucas horas. Como plano para os próximos anos, é um trabalho em que ganhar mais quer quase sempre dizer conduzir mais. Se preferes um caminho que se faz a partir de casa e no teu horário, a história do Nuno mostra que se pode começar ao lado do emprego.
Fontes oficiais
